Em busca do Torrontés perfeito… Domingo Molina Torrontés 2015

Idas e Vinhas



Em dezembro de 2015
viajamos à Argentina para conhecer a promissora região de Salta (extremo Norte).
Uma das vinícolas que visitamos foi a Domingo Molina, localizada ao Norte de
Yacochuya, em Cafayate, no Valle de Calchaquíes (província de Salta).

Idas e Vinhas

A Domingo Molina pertence aos
irmãos Osvaldo, Gabriel e Rafael Domingo. Conta
com 60 hectares de vinhedos localizados entre 1600 e 2300 metros de altitude
acima do nível do mar. Essa região possui microclima especial pois recebe mais
de 300 dias de sol durante o ano, praticamente não chove e a amplitude térmica oferece
excelentes condições para desenvolver plenamente o potencial das uvas por lá cultivadas.

Idas e Vinhas
Enólogo Rafael

As castas cultivadas
são:

Valle de Cafayate
10 hectares de Torrontés Riojano, a 1700 metros acima do
nível do mar e os vinhedos tem mais de 40 anos.
Valle Rupestre (55km
de Cafayate)
25 hectares a 2300 metros acima do nível, os vinhedos tem
15 anos e são cultivadas as tintas Malbec, Cabernet Sauvignon, Tannat e Merlot.
Yacochuya, Cafayate,
Salta
25 hectares a 2000 metros acima do nível do mar, vinhedos
com 30 onde cultivam Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot.
A nossa visita foi comandada pelo enólogo Rafael, que nos
deu uma verdadeira aula sobre a região, as características dos diversos tipos
de solo e principalmente sobre como a altitude influencia em todos os aspectos
no cultivo da videira e o resultado final dos vinhos. Durante o bate papo
tivemos a oportunidade de provar todos os rótulos da vinícola e alguns vinhos
diretamente das barricas.
O Torrontés 2015, de que se trata essa postagem, foi um dos
vinhos que trouxemos.

Idas e Vinhas

Vamos ao vinho?
Vinhedos localizados no Valle de Cafayate, Salta, entre
1650 e 1700 metros acima do nível do mar. 5% do vinho fermentou em barricas de
carvalho frances. 14% de álcool.
Cor amarelo palha de média intensidade. Com aromas bastante
finos, intensos e persistentes de rosas, lichia, maçã verde, camomila, gengibre
e notas minerais. De corpo leve, acidez fresca e álcool sobressaindo um pouco,
comprometendo o equilíbrio. Retrogosto cítrico, com toque de mel.

Em busca do Torrontés perfeito… Terrazas de Los Andes – Torrontés Reserva 2015

Idas e Vinhas

A Terrazas está localizada no distrito de Luján de Cuyo, em Mendoza, com vinhedos em Las Compuertas, Licán, Altamira e em Salta (região ao Norte da Argentina e de onde vêm as uvas para o Reserva Torrontés). 

Conheça mais sobre a vinícola aqui.

Vamos ao vinho?

Vinhedos localizados em Salta, a 1200 metros acima do nível do mar. 13,5% de álcool.
Cor verdeal. Com aromas bastante finos, intensos e persistentes de rosas, limão, manga não muito madura, capim limão e notas minerais. De corpo leve, acidez fresca e álcool equilibrado. Retrogosto com notas florais e frutas cítricas de polpa branca.
Nota IV: 87
Importadora: Moët Hennessy do Brasil Vinhos e Destilados
Idas e Vinhas

Terrazas de Los Andes

Idas e Vinhas
A vinícola Terrazas de Los Andes é marca das Bodegas
Chandon
, Argentina. Pertence à holding francesa
LVMH, especializada em artigos de luxo e a
qual surgiu com a fusão da Moët et
Chandon
e Hennessy e,
posteriormente a Louis Vuitton. Além
desse pedigree, a Terrazas é uma linha muito apreciada aqui no Brasil, o que
foi ótimo pretexto para provarmos uma série de seus rótulos. Confira!

 Idas e Vinhas
A Terrazas está localizada no distrito de Luján de Cuyo, em Mendoza, com vinhedos em Las Compuertas, Licán, Altamira e em Salta
(região ao Norte da Argentina e de onde vêm as uvas para o Reserva Torrontés). Os vinhos são elaborados
pela dupla de enólogos Adrián Meyer e Hervé Birnie-Scott.
Fundada em 1999, em uma área na qual já existiam vinhas
plantadas em 1929, seu nome tem como inspiração os ‘terraços’, uma série de
platôs aos pés dos Andes, em altitudes que vão de 600 a 1500 metros. Para
escolher as castas e serem cultivadas em cada terraço, são realizados estudos
de solo e clima para otimizar as condições para a maturação das uvas – malbec, cabernet
sauvignon, torrontés e chardonnay.
A vinícola produz além da linha Terrazas de Los Andes as linhas
Altos del Plata, Reserva, Single Vineyard e Cheval des Andes.
Mendoza / Luján de
Cuyo
Mendoza é considerada o coração do vinho argentino. E não é
sem razão: responde por 80% da produção de vinho do país e pela absoluta
maioria das exportações.
Localizada na região central de Mendoza, Luján de Cuyo engloba
as subregiões de Las Compuertas, Vistalba, Mayor Drummond, Chacras de Rora,
Carrodilla, Perdriel, Agrelo e Ugarteche). Aos pés da Cordilheira dos Andes e a
mais de 1000 metros acima do nível do mar, é, segundo especialistas, uma das
melhores regiões para o cultivo da Malbec.
Nesta altitude os vinhedos se beneficiam do amadurecimento longo e regular
devido as brisas da montanha e dos mais de 300 dias de sol durante o ano.
Idas e Vinhas

Salta, norte extremo
Em se tratando de altitude, porém, os vinhedos da região
que vai de Salta a Cafayate estão
literalmente em outro patamar! A apenas um passo do céu, não é difícil
encontrar vinhedos a incríveis 3000 metros acima do nível do mar.
E o que isso traz aos vinhos? Concentração extrema de
aromas, cores e sabores que nos encantaram na viagem que fizemos pela região no
final de 2015.
Tudo em Salta remete ao extremo: possui uma das mais altas
exposições ao Sol da América do Sul, noites frias e chuvas que são raridade. Essas
condições tornaram o Torrontés o vinho de expressão da região. Mas a
criatividade da nova geração de vinicultores vai muito além dos brancos. Blends
tintos, varietais de Tannat, tudo isso envolto por paisagens deslumbrantes.
Vamos aos vinhos?
Vinhedos localizados em Salta, a 1200 metros acima do nível
do mar. 13,5% de álcool.
Cor verdeal. Com aromas bastante finos, intensos e
persistentes de rosas, limão, manga não muito madura, capim limão e notas
minerais. De corpo leve, acidez fresca e álcool equilibrado. Retrogosto com
notas florais e frutas cítricas de polpa branca.
Entrou para a lista do “Em busca do torrontés perfeito”!
Nota IV: 87
Importadora: Moët Hennessy do Brasil Vinhos e Destilados
Idas e Vinhas

Vinhedos localizados a 1200 metros acima do nível do mar. 8
meses em carvalho francês.14% de álcool.
Cor amarelo ouro de média intensidade. Com aromas bastante
finos, muito intensos e persistentes de flor de laranjeira, compota de abacaxi,
alecrim, baunilha, coco queimado, madeira e alguma mineralidade. Médio corpo em
boca, acidez fresca e álcool em perfeito equilíbrio. Final de boca muito
intenso e persistente com fundo amadeirado e levemente tostado.
Este Chardonnay mostra o uso correto da madeira, agregando
complexidade sem tornar o vinho pesado ou enjoativo.
Nota IV: 90
Importadora: Moët Hennessy do Brasil Vinhos e Destilados
Idas e Vinhas

Vinhedos localizados a 1067 metros acima do nível do mar.
12 meses em carvalho francês (80%) e americano (20%). 14,5% de álcool.
Cor vermelho rubi profundo. Com ampla variedade de aromas
bastante finos, muito intensos e persistentes. Destaque para violeta, ameixa, cassis
e morango, além de funcho, hortelã, tabaco, baunilha e pimenta do reino. Encorpado,
com perfeito equilíbrio entre acidez, taninos e álcool. Ainda em boca, os
taninos são aveludados e de boa qualidade. As frutas negras e o frescor da
hortelã se destacam e o final é muito intenso e persistente, com fundo condimentado
(pimenta do reino) e refrescante.
Nota IV: 89
91 pontos no Descorchados 2014
Importadora: Moët Hennessy do Brasil Vinhos e Destilados
Idas e Vinhas

Reserva Syrah 2011
Vinhedos localizados a 950 metros acima do nível do mar. 12
meses em carvalho francês (80%) e americano (20%), sendo 30% novos. 14% de
álcool.
Cor vermelho rubi muito escuro. Com aromas bastante finos,
intensos e persistentes de ameixa, cassis, baunilha, pimenta do reino, café,
chocolate e madeira. Em boca é encorpado e com bom equilíbrio entre acidez,
taninos e álcool. Final de boca muito intenso e persistente, com fundo frutado
e caramelado.
Nota IV: 89
Importadora: Moët Hennessy do Brasil Vinhos e Destilados
Idas e Vinhas

Vinhedos localizados a 980 metros acima do nível do mar. 12
meses em carvalho francês. 14% de álcool.
Cor vermelho rubi. Com aromas bastante finos,
intensos e persistentes de ameixa seca, tabaco, baunilha, café, chocolate e madeira. De médio corpo para encorpado, com boa acidez,
taninos finos e a sensação de que o álcool está sobressaindo (prejudicando o equilíbrio). De final longo com retrogosto frutado e apimentado.
Nota IV: 88
WS: 86
Importadora: Moët Hennessy do Brasil Vinhos e Destilados
Idas e Vinhas

Em busca do Torrontés perfeito… Susana Balbo – Crios Torrontés 2015

Idas e Vinhas
Susana Balbo também tem a sua parcela de “culpa” em
fazer com que eu aprecie tanto essa subestimada casta. Crios foi o segundo rótulo que provei (o primeiro foi o Colomé) e isso já faz bastante tempo e
desde então acompanho as suas safras com entusiasmo. Veja aqui o que achei da
2015.


O Crios ganha um
ponto a mais por ter feito com que os meus pais dessem uma chance aos vinhos
brancos. Hoje eles também são apreciadores e acredito que já devam ter o seu preferido.

Susana Balbo tem grande reputação entre os produtores
argentinos. Em 1981 recebeu o diploma de enóloga e se tornou a primeira mulher
produtora de vinhos na Argentina. Em Salta, trabalhou
na Michel Torino e depois passou
pela Catena Zapata, em Mendoza. Foi
presidente da Wines Of Argentina de
2006 a 2010 e 2014 a 2016.
Seu projeto pessoal teve início em 1999 com a construção da
vinícola em Lujan de Cuyo, Mendoza
(ficou pronta em 2002). Desde então começou a produzir os seus próprios rótulos, dentre eles o Crios, que teve a primeira safra em 2003 e foi um dos vinhos responsáveis por apresentar o potencial da casta a outros mercados,
principalmente o americano. Desde então recebe boas criticas da mídia especializada
(a revista Wine Spectator é uma
delas).
Já escrevemos sobre a região e a uva aqui.
Vamos ao vinho?
Uvas provenientes de 70% de Cafayate (Salta) e 30% de Altamira, Valle
de Uco (Mendoza). 14% de álcool.
Cor verdeal claro. Com aromas bastante finos, intensos e
persistentes de rosas, limão, graviola, maracujá e casca de tangerina, capim
limão, alecrim e alguma nota floral. Corpo leve, acidez fresca, macio e álcool equilibrado.
Final de boca muito persistente com retrogosto de maracujá.

Continua muito bom e altamente recomendável!

Nota IV: 87
Descorchados: 91
Importadora: CANTU
Idas e Vinhas


Acompanhe a saga “Em Busca do Torrontés Perfeito” aqui:

Em busca do Torrontés perfeito… Etchart – Privado Torrontés 2014

Idas e Vinhas

Este Torrontés foi
adquirido em um supermercado de Curitiba, o que é raro. Comumente encontramos
apenas exemplares de Mendoza e com preços não muito convidativos. Leia abaixo o
que achamos dele.

Já escrevemos sobre a região e a uva aqui.
A Bodega Etchart
data do século XIX, fundada em 1850 em La Florida, província de Salta, na
Argentina. As primeiras videiras a serem plantadas foram as de Torrontés – há
quem diga que eles foram os primeiros a cultivar a casta na região – e a
primeira safra engarrafada e comercializada foi em 1963. Em 1987 Michel Rolland
começa a acessorar a vinícola e de certa forma ajuda a definir e direcionar o
estilo dos vinhos da região (elaborados com uvas com alto teor de açúcar, dando
origem a vinhos concentrados e alcoólicos). Essas características são marcantes
nos vinhos da San Pedro de Yacochuya.
Em 1996 a vinícola foi comprada pela francesa Pernod Ricard
e novos investimentos em vinhedos foram feitos, mas desta vez em Mendoza (Valle
de Uco). Hoje a vinícola possui 300 hectares e cultiva Torrontés, Chardonnay,
Malbec, Cabernet Sauvignon, Tannat, Shiraz, e Merlot.

O portfólio é dividido em três categorias Gran Reserva,
Etchart Privado e Etchart Río de Plata.

Vamos ao vinho?
Uvas provenientes do Vale de Cafayate, a 1750 metros acima
do nível do mar. 12,5% de álcool.
Cor amarelo palha de média intensidade. Com aromas finos,
intensos e persistentes de rosas, lichia, limão, pêssego e alecrim. Corpo leve,
acidez fresca, macio e álcool na medida certa. Final de boca muito persistente com
retrogosto com notas de mel.
Exemplar sem muita complexidade mas com excelente custo.
Nota IV: 84

Descorchados: 90
Preço: R$37
Idas e Vinhas
Acompanhe a saga “Em Busca do Torrontés Perfeito” aqui:

Em busca do Torrontés perfeito… Chloe – Torrontés 2014

Idas e vinhas

A Chloe pertence à gigante americana TWG – The Wine
Group
. É o segundo maior produtor de vinho do mundo em volume. A líder
e também americana é a E & J Gallo
Winery
(já escrevemos sobre ela aqui).

Infelizmente
site oficial não ajuda muito com informações sobre a vinícola e o vinho.
Vamos ao vinho?
Chloe Torrontés 2014
100% de Torrontés, da região de Cafayate, Salta. Permanece
em contato com as borras durante 6 meses, em tanques de inox.13,5% de álcool.
Cor amarelo palha claro. Com aromas bastante finos,
intensos e persistentes de flor de laranjeira, lichia, maçã verde, pera,
tangerina e camomila. De corpo leve, fresco, macio e álcool equilibrado. Final
de boca muito persistente e retrogosto com notas de maracujá.
Muito bom mas o preço não é atraente.
Nota IV: 87
Preço: R$115,50
Importadora: Decanter
Idas e Vinhas

Em busca do Torrontés perfeito… Colomé – Torrontés 2015

Idas e Vinhas

Após
alguns meses sem abrir uma garrafa de Torrontés, senti que já era hora de
retomar a série “Em busca do Torrontés perfeito”.

Fui
vasculhar as garrafas que tenho e escolhi um que gosto muito e que está entre
os primeiros colocados na lista. Inclusive foi esse produtor o
responsável por eu apreciar tanto esta casta branca: Colomé.

escrevemos sobre a vinícola aqui.
Vamos
ao vinho?
Uvas
provenientes do Vale Calchaquí, vinhedo Finca La Brava (Cafayate, a 1750 metros
acima do nível do mar). 13,5% de álcool.

Cor
amarelo palha claro. Com aromas bastante finos, intensos e persistentes de
lírios, lichia, limão, maçã verde, melão, tangerina e capim limão. De corpo
leve, fresco, macio e álcool equilibrado. Final de boca muito persistente e
retrogosto com notas florais.
Continua
muito bom e é uma excelente opção para quem está disposto a sair um pouco da
zona de conforto da Sauvignon Blanc e Chardonnay.
E a
busca persiste…
Nota
IV: 87
WS: 88
Preço:
R$82,10
Importadora:
Decanter

Idas e Vinhas

Enocuriosos… Viñas de Chile – Cavas del Valle

Idas e Vinhas

Como enocuriosos que somos, ficamos com certo gosto de “quero mais”
assim que retornamos de nossa primeira viagem ao Chile. Havíamos visitado, naquela ocasião, apenas 6 vinícolas, mas
com esta pequena amostra foi possível perceber que este simpático país poderia
contribuir (e muito) para nossas aventuras enológicas e ratificar o gosto por
um bom vinho e por uma bela visita guiada. Pois bem, não havia por que esperar
melhor oportunidade e, transcorridos apenas 6 meses, retornávamos aos encantos
chilenos.

É
possível que vocês se perguntem: “– ora, os Enocuriosos não começaram há pouco
tempo nova série sobre vinícolas italianas?” Sim, é vero. O ponto é que viajamos ao Chile pela segunda vez antes de
nossa ida (a vinhas) ao velho mundo. Aí pensamos que poderia ser interessante
embaralhar tudo e postar um pouco de cada e intercalar as postagens para
retratar os dois mundos sem se preocupar em fechar uma porta antes de abrir a
outra.
Voltamos
ao Chile em março de 2015 para, em 9 dias, conhecer um pouco mais do país e das
regiões produtoras. Escolhemos como início o Valle del Elqui, localizado a aproximadamente
470 quilômetros ao norte de Santiago. Trata-se de uma região semiárida e mais
conhecida pela Ruta de las Estrellas – roteiro turístico com diversos observatórios
astronômicos e um céu de cair o queixo. (Esta região tornou-se célebre em função
da pouca umidade do ar – o que diminui a distorção das imagens vistas através
das lentes de aumento macroscópicas – e também porque suas montanhas são boas
barreiras à iluminação artificial proveniente das cidades – que contribui para
atrapalhar a observação de corpos celestes).
Descobrimos
que o Vale do Elqui é também conhecido pela produção de pisco – um tipo de bebida destilada feita a partir da uva (vários
subtipos da moscatel e algumas outras
espécies tal como Pedro Jiménez e Torontel – isso mesmo, a Torrontés, da busca incessante do Alexandre!).
O vale é coberto de parreirais em um volume espantoso para um território quase
desértico. O segredo é a existência de grandes represas que ajudam a reter a
água de alguns rios e afluentes e assim prover todo o recurso hídrico para sustentar
o desenvolvimento da região. Visitamos o Vale do Elqui no verão – que é o
período sem chuvas por lá e, por isso, havia algumas restrições quanto ao consumo de
água pois as represas estavam com o estoque muito abaixo do limite máximo (como
pode ser observado abaixo).
Idas e Vinhas
Duas paisagens: mar de parreiras e reservatório em baixa.
O vale
é conhecido pela qualidade de sua bebida típica (o pisco) e também pelos
passeios às pisquerias. Como não somos “piscuriosos”, começamos a buscar por viñas
na região, pois já havíamos escutado algo sobre a existência de vinhedos de
altitude nesta parte do Chile. Realmente não há muitas bodegas a visitar embora
haja produção de vitis vinifera para
alguns famosos produtores de vinhos da região central do país. Encontramos 3
vinícolas com bodegas instaladas dentro do vale e apenas uma delas aceitava
visitantes no período de nossa viagem (estávamos em plena vendimia). Esta pequena bodega é nossa estrela de hoje: a Cavas del Valle.
Idas e Vinhas
A Cavas
del Valle
se encontra a uma distância considerável de Santiago e por
isso optamos por voar até a aprazível cidade de La Serena e de lá alugamos um carro – já que não há transporte
público tão frequente assim para o Vale. São apenas 90 quilômetros a partir do aeroporto seguindo a Ruta 41 até Rivadavia
e depois a Ruta 485 até o destino final. A viña
fica entre os distritos de Paihuano e Monte Grande.
Para
visitar esta bodega não é necessário fazer reserva – a vinícola recebe
visitantes em todos os dias da semana e apenas para grupos a partir de
10 pessoas é aconselhável um contato prévio. Não há cobrança de ingresso, pois
a visita é bastante simples, tal como a vinícola. O foco é a produção do vinho
e a manutenção de um estilo sóbrio, simples e natural. Aliás, é importante
destacar que toda a produção é de vinhos orgânicos.
Como não há esquema de agendamento, basta que o
visitante se apresente para que tenha início o passeio. Os vinhedos não são visitados
e tudo se resume a conhecer os diversos ambientes de um grande barracão que
comporta o espaço para degustações, a loja, a sala de processamento do vinho
(com todo o maquinário) e a sala de barricas. Como a produção é muito pequena,
o engarrafamento não é automatizado e a rotulagem e o tamponamento são totalmente
manuais – não deixe de ver as fotos do processo produtivo no sítio virtual da viña. Em nossa visita não tivemos a
sorte de ver todo o processamento, pois a colheita ainda não havia ocorrido.
Idas e Vinhas
Sala de produção
Idas e Vinhas
O vinho a descansar

Ao
fim da visita há uma descompromissada degustação em um ambiente externo que
permite a visão para as lindíssimas montanhas que guarnecem o vale.

Idas e Vinhas
É
importante destacar que a simplicidade da degustação não está à altura da
qualidade da produção: foram servidos quatro vinhos – um varietal de Moscatel
Rosada – Rosa Pastilla, um moscatel de colheita tardia – Cosecha Otoñal Moscatel e dois tintos – o Syrah Reserva e o Syrah Gran Reserva. Com
exceção do “late harvest” os vinhos mostraram uma identidade própria, diferente
do padrão chileno. Gostaríamos de ter provado também o Alto del Silencio mas como
a produção deste ícone é limitadíssima ele não faz parte das degustações. Assim
sendo, antes de ir embora, fizemos a tradicional visita à “lojinha” e compramos
nosso exemplar do Alto del Silencio 2011 por um preço bastante acessível – é
claro que não aguardamos sequer um mês para desarrolhar e nos deliciar com o
ícone da casa.
É “mais passeio” ou é
“mais vinho”?
É mais vinho.
A visita, embora simpática e simples, não chega a ser um passeio turístico (e
nem pretende sê-lo). Ainda assim, consideramos um bom ponto de parada no Vale do
Elqui, pois lá é possível fugir um pouco do script
das visitas guiadas e até emendar uma conversa com o pessoal da bodega –
afinal, o tempo transcorre de forma diferente quando não há horário marcado e
duração do tour pré-determinada. Caso
não tenha muito tempo para conversa, visite mesmo assim, pois o ponto forte é,
sem dúvida, o vinho. Toda a produção é orgânica, com excelentes exemplares de
Syrah e em tiragem bastante reduzida, e não é possível encontra-los em outro
lugar – não há importadoras ou distribuidoras credenciadas justamente em função
da baixa produção.
Nossa
viagem ao Chile estava apenas começando e já tínhamos 3 garrafas na bagagem!
¡Salud!
Enocuriosos
*fotografias de Dagô e Simone.