Provamos e aprovamos… vinhos Mario Marengo – Dolcetto D’Alba 2013

Idas e Vinhas

A Itália era chamada pelos gregos de Enotria (Terra do Vinho). E não é para menos: produz vinho em todas as 20 regiões administrativas, e em 2015 voltou a ser o maior produtor mundial de vinhos, batendo a antes campeã França. Os números impressionam! Foram produzidas em 2015 4,8 bilhões de garrafas, enquanto a França produziu 4,6 bilhões. (dados da edição eletrônica do Jornal Nacional, de 12/10/2015).

Uma das regiões vinícolas mais conhecidas sem
dúvida é o Piemonte. Com o maior número de DOC e DOCG do país, é o berço
dos famosos Barolo e Barbaresco produzidos com a casta Nebbiolo (que origina tintos
perfumados, de coloração delicada como a Pinot Noir e, também como esta casta
borgonhesa, expressa intensamente o terroir onde é cultivada).
Essa série de posts é dedicada a uma
pequena vinícola piemontesa, a Mario Marengo, localizada em La Morra
e trazida com exclusividade para o Brasil pela importadora Domínio Cassis. Embora seja uma das menores vinícolas
da região (com apenas 6 hectares onde são cultivadas Nebbiolo, Barbera e
Dolcetto), tem o privilégio de estar entre os poucos produtores que
possuem vinhedos no “cru” Brunate – uma parcela de terra considerada um
dos grand crus do Langhe.
A família Marengo estabeleceu a vinícola em
1899 que hoje é gerenciada pelo filho de Mario Marengo (falecido em 2001), Marco Marengo
e sua esposa Eugenia.
A propriedade possui cerca de 6ha de vinhedos
sendo alguns deles com mais de 75 anos de idade e a produção anual, conduzida
na forma orgânica, gira em torno de 35 mil garrafas,
São 5 rótulos elaborados pela vinícola:
Dolcetto D’Alba DOC (0,48 ha plantados em 2008 e produção média
anual de 3,5 mil garrafas).
Barbera D’Alba DOC Vigneto Pugnane (0, 38 ha plantados em 1998 e produção
média anual de 3,2 mil garrafas).
Nebbiolo D’Alba DOC (0,38 ha plantados em 1965 e produção média
anual de 4,8 mil garrafas).
Barolo Bricco Delle Viole DOCG (0,9 ha plantados em 1955 e produção média
anual de 4 mil garrafas).
Barolo Brunate DOCG (1,5 ha plantados em 1950 e produção média
anual de 6 mil garrafas).

Em 2013 o Barolo Brunate esteve presente na lista dos 50 melhores vinhos da revista inglesa Decanter.

Vamos ao primeiro vinho da série?
Dolcetto D’Alba DOC 2013
100% Dolcetto (região de Castiglione Falletto),
13% de álcool. Fermentações alcóolica e malolática conduzidas em tanques de aço
inoxidável e amadurecimento por 10 meses também em tanques de aço.
Cor vermelho púrpura, com reflexos violáceos,
brilhante e com alguma transparência. No nariz, aromas com boas intensidade e
persistência, destacando-se as frutas vermelhas e negras (cassis, framboesa, mirtilo),
rosas, hortelã e algo mineral. Mas é em boca que o vinho agrada ainda mais.
Muito equilibrado, com muito boa acidez e taninos de alta qualidade. De corpo
médio, aromas de boca muito intensos e persistentes, confirmando os sentidos no
nariz. Final intenso e persistente, com fundo frutado e refrescante.
Está em sua melhor forma, pronto para beber.
Nota IV: 87

Pedidos RJ: contato@idasevinhas.com.br

Idas e Vinhas

Veja o que achamos do Barbera D’Alba Vigneto Pugnane DOC 2013 aqui.
Veja o que achamos do Nebbiolo D’Alba 2013 aqui.
Veja o que achamos do Barolo DOCG Bricco delle Viole 2011 aqui.
Veja o que achamos do Barolo Brunate DOCG 2011 aqui.

Enocuriosos no Velho Mundo… Itália: Castello Il Palagio

Idas e Vinhas
Em nossas “perambulanças” pelo
Chianti, muitas vezes, quando já não tínhamos visitas agendadas para aquele
dia, acabávamos por ter o que chamamos de “dias de cachorro” – nada
de pejorativo nisso, gente! Ter um “dia de cachorro” é assim: você
sai andando por aí, ao léu, apreciando a paisagem e, onde houver uma porta
aberta, vai entrando!

Foi
assim que conhecemos a vinícola Castello Il Palagio. Estávamos voltando de duas visitas já realizadas naquele dia (a Vignamaggio e outra que não interessa
comentar aqui). No Chianti, basta seguir as placas e procurar por uma “porteira
aberta”, deixando o faro e a intuição (ou, ainda, nosso desejo de conhecer mais
vinhos!) nos guiar. Obedecemos aos instintos e não nos arrependemos!

Assim que chegamos à sede da vinícola (um
pequeno castelo), nos deparamos com um vazio curioso e instigante – o tempo parecia
parado. Nenhum indício de atividade humana. A porta da loja estava fechada e um
grande portão que dava acesso a uma despensa, aberto. Tocamos a campainha, em
vão. Não havia absolutamente ninguém para nos atender. E isso é relativamente
(bastante) comum na Itália. Com pouco pessoal no receptivo, quando existem turistas para fazer
visita, a pessoa responsável fecha as portas e leva o grupo para
conhecer a propriedade. Chegamos exatamente num momento desses e, como nossa
outra opção seria voltar mais cedo para Firenze
(nosso pouso nesta ocasião), “farejamos” que não seria mau negócio esperar um
pouco…

Idas e Vinhas
Enfim, a porta aberta.
Depois de
uma espera considerável, avistamos o grupo retornando do passeio pelos
vinhedos. Aguardamos uma moça terminar de acomodar todos os turistas em uma
grande mesa (que foi preparada naquele instante) para servi-los e, em seguida, ela,
a simpática e despojada guia, achando graça da grande correria em que estava
envolvida, pediu que esperássemos un attimo
para que pudéssemos (enfim) degustar. Como não tínhamos agendado o passeio
(sequer sabíamos que esta vinícola existia e se produzia bons vinhos),
aceitamos o que foi proposto: fazer apenas a degustação dos azeites (especialíssimos)
e vinhos (ótimos) produzidos pela casa (aqui, gratuitamente – há locais que
cobram por isso).

A simpatia de nossa anfitriã foi uma injeção de
ânimo (pois já estávamos meio cansados da espera). Entre dicas de como degustar
azeites e informações sobre os vinhos da casa, ela nos contou que já dividiu
“apê” com brasileiros em San Francisco, que eram mineiros “muito
gente boa” e que, por conta dessa experiência, ela podia compreender o
português, embora nada falasse.

Idas e Vinhas
O que degustamos

Os
vinhos da casa eram muito bons. Encantadores! Especialmente dois, de que
gostamos muitíssimo! O Campolese 2007
(Sangiovese, varietal) e o Curtifreda 2011
(Cabernet Sauvignon, igualmente varietal). Sobre este último, nos arrependemos
de não tê-lo comprado. Assim que você o prova, parece bom (só). Mas ele é mais
que isso. O retrogosto vai evoluindo e se abrindo e você vai percebendo que há
muitas características não óbvias ali, que se trata de um vinho incomum! Para
não dizer que nosso “vacilo” foi total, trouxemos para casa o Campolese. Provamos também: Chianti Classico 2012, Chianti Classico Riserva 2007, e Montefolchi 2007 (Merlot,
varietal).

Idas e Vinhas
Nossa aquisição
É “mais passeio” ou é
“mais vinho”?
É mais vinho.
Na verdade, não podemos avaliar o passeio porque, de fato, não o fizemos.
Desfrutamos de agradáveis momentos durante a degustação e acreditamos que a Il Palagio tem mais a oferecer. Nossa prova de vinhos e azeites foi muito, mas muuuito
além do esperado – dois varietais muito bem produzidos e azeites para lá de requintados.
O atendimento “à italiana” também marcou aquele fim de tarde especial na
Toscana.
Temos
certeza de que demorará muito tempo para esquecer tão agradável sensação de
estar à toa e à vontade mesmo tão longe de casa.
Salute!
Enocuriosos
*fotografias
de Dagô e Simone.

Gostou dessa
postagem? Nossa viagem à Itália começou
aqui.

Enocuriosos no Velho Mundo… Itália: Vignamaggio

Idas e Vinhas



Após termos almoçado no Castello
de Verrazzano, chegamos à
Vignamaggio por indicação das placas (e por sugestão do Alexandre). Chegando de
supetão, não conseguimos mais do que ser bem atendidos pela simpaticíssima
Cristine naquele fim de tarde. A visita com degustação, no entanto, foi
agendada ali mesmo para o dia seguinte!

De
volta à vinha, na manhã de domingo, fomos recepcionados novamente por nossa
adorável anfitriã. Nosso grupo era bastante pequeno e isso propicia
experiências bem bacanas e mais intensas, na maioria das vezes. Ademais, Cristine,
além da simpatia que já havia demonstrado na tarde anterior, é muito
espirituosa, tem grande desenvoltura e explica as coisas sobre a vinícola como
quem bate um papo com o grupo, de forma muito natural e à vontade.

Idas e Vinhas
A
vinícola está situada em uma das inúmeras e lindíssimas colinas da região –
aquele visual de filme romântico que você jura ser um cenário artificial. Pois
não é. Não há como não ficar entorpecido com a beleza dos jardins e toda a
natureza clássica do local. Aliás, a Vignamaggio
costuma organizar eventos e festas justamente explorando a área externa à casa principal.
Após dar uma “voltinha” no jardim só para nos ambientarmos, começamos a visita
pela parte externa, numa espécie de terraço que fica sobre as salas de
vinificação. Ali, Cristine nos apontou o sentido de outras regiões viníferas da
Toscana, os limites dos territórios Chianti
e como as uvas colhidas iniciam o processo de vinificação ao ser despejadas
dentro da bodega por escotilhas construídas naquela terrazza.
Em
seguida, entramos de fato na linha de produção, onde avistamos os tonéis de aço
inox e a máquina engarrafadora. Como ainda não estávamos na vindima, não foi
possível ver o todo o processo funcionando, mas foi possível identificar que a Vignamaggio é uma vinícola, diríamos, de
médio porte. Nossa guia fez questão de esclarecer em minúcias todo o processo
de fabricação e os cuidados com a temperatura e manejo do fruto e do mosto. As
fotos abaixo dão uma noção do tamanho das instalações.
Idas e Vinhas

O balé de Cristine: mais do que
um simples guia.

Idas e Vinhas
Linha
de engarrafamento.
Na
seção seguinte, adentramos os porões que guardam os tonéis e barris de
carvalho. Estes salões fazem parte da construção original que, segundo as
estimativas da própria vinícola, começaram a ser edificados no século XIV.
Neste momento a visita adquiriu uma característica única, pois a guia deixou de
falar apenas sobre a produção do vinho e começou a explicar detalhes sobre a história daquele pequeno burgo.
Idas e Vinhas
Mesmo
que nada fosse falado, seria muito fácil perceber que estávamos conhecendo uma
espécie de palácio que faz parte da história daquela região (e que já viveu
dias de glória em outra época), em vista do tipo da construção com suas paredes
grossas e envelhecidas, o pátio com o poço interno, a fachada imponente e algumas
insígnias. A cada novo ambiente era possível sentir (e imaginar) um pouco mais
sobre a história do local e como era curioso poder estar ali em pleno século
XXI, mesmo que por poucos minutos.
Idas e Vinhas
Em uma
das salas que abrigavam grandes tonéis de carvalho, Cristine deu detalhes sobre
uma das inúmeras invenções que Michelangelo deixou à humanidade
(sim, além de exímio artista plástico, este gênio foi também grande inventor):
explicou o que eram e qual a função dos artefatos de vidro colocados em cima
dos tonéis. O nome do equipamento é colmatore e sua função é impedir que
o ar se acumule nos tonéis em função da lenta e gradual reação gasosa e perda
de pequenos volumes permitida pela madeira do contendor. Como a reação
natural da perda de volume de líquido é o acréscimo de ar na parte de cima do
tonel (e este ar atuará para oxidar de forma indesejada o vinho), o colmatore atua para preencher
automaticamente (apenas com a força da gravidade) o volume de líquido que se
perdeu e evitar a oxidação. Além disso, serve também como um indicador para que
o responsável pela bodega preencha o equipamento com pequenas quantidades de
vinho de forma a garantir que continue a agir como desejado.
Cristine nos contou que todas as vinícolas do Chianti
Florentino utilizam este equipamento e se orgulham de fazê-lo. Visitamos outras
bodegas e pudemos confirmar o que ela disse. Em Montepulciano pudemos ver, inclusive, a reposição do vinho neste
curioso artefato.
Idas e Vinhas
Il
Colmatore
Bem,
a visita à Vignamaggio nos reservava outra particularidade: de uma das famílias
que já foram donas desta propriedade surgiu a famosa senhora – La Gioconda –
retratada por Leonardo da Vinci. O sítio virtual da vinícola explica
esta história em detalhes mas não há nada melhor do que ouvir as explicações do
guia lá na propriedade, podendo vislumbrar um pedaço da paisagem que faz parte
do célebre quadro. Ficamos alguns bons minutos apenas ouvindo o detalhado e, porque
não dizer, apaixonado relato de Cristine apontando sinais e correlações entre o
quadro e a paisagem local que nós, enocuriosos
e turistas, haveríamos de ignorar. Uma aula de história e delicadeza.
Idas e Vinhas
(Embora
Cristine não tenha comentado durante o tour,
gostaríamos de salientar que a Vignamaggio é também um agriturismo.
Imaginamos que desfrutar de um par de noites por lá seja um mergulho ainda mais
profundo na aura e história do lugar.)
Voltando
ao nosso passeio, vamos tratar do gran
finale
. Como estávamos na companhia do Alexandre, o tour seguiu o rito normal, mas a degustação recebeu alguns acréscimos
inesperados. Provamos mais vinhos do que teríamos direito numa simples visita.
Nossa degustação continha os seguintes rótulos: Chianti Classico (safras 2011 e 2013), Chianti Classico Gran Selezione, Obsession, Cabernet Franc
e, para encerrar, o Vinsanto. Neste link é possível
verificar a ficha técnica de todos os rótulos da casa. Para nós, o Gran Selezione se destacou e o Cabernet Franc não acertou nosso coração
(creio que por ainda não estarmos preparados para ele).
É “mais passeio” ou é
“mais vinho”?
É mais empate.
O tour, Cristine e a propriedade são únicos. Sentimos falta, entretanto, de
visitar os parreirais e ouvir um pouco mais sobre os aspectos e peculiaridades
da forma de produzir (e cultivar) escolhida pela vinha. Os vinhos mostraram-se
corretos e… clássicos. É claro que isso não é um problema mas ficamos com uma
pequeníssima frustração por não provar um rótulo algo arrebatador. Por isso o
empate. Ainda assim, podemos afirmar que o diferencial é o passeio e a propriedade
histórica do local. Veramente imperdíveis.
Saímos de lá quase sem saber o que fazer durante
a tarde livre no Chianti – sorte nossa que todos os caminhos chiantigianos levam ao vinho, às vinhas
e a boas e inesquecíveis histórias. Próxima parada – Chianti.
Idas e vinhas

há um caminho no Chianti…
Salute!
Enocuriosos
*fotografias
de Dagô e Simone.
Gostou dessa
postagem? Nossa viagem à Itália começou
aqui.

Agenda… Happy Wine Hour Idas e Vinhas

Idas e Vinhas



Ano Novo… novas Wine Experiences! Idas e Vinhas® os convida para a primeira Happy Wine Hour de 2016, em parceria com o Restaurante Ícaro do Shopping Rio Sulno próximo dia 26 de Janeiro (terça-feira).


Verão também é tempo de vinho! Época ideal para explorar espumantes e vinhos com mais frescor. Nesse encontro reverenciamos a vinhodiversidade, com França, Brasil, Chile, Argentina e Itália e uma variedade de castas que certamente propiciarão uma noite memorável. 
Para tornar a experiência ainda melhor, espumantes de boas vindas e antepastos no melhor estilo contemporâneo. Mas faça logo sua inscrição, pois são poucas vagas e costumam ser preenchidas rapidamente!
Os Espumantes
Château des Chaberts – Rosé Brut 2010 (França)
Santa Carolina – Brut Reserve (Chile)

Demais Vinhos
Abreu Garcia – Chardonnay 2014 (Brasil)
Farnesi – Vesevo Taurasi 2007 (Itália)
Tuniche – Toro Salvage C. Sauvignon 2013 (Chile)
William Fèvre – Espino Pinot Noir 2013 (Chile)
O. Fournier – Alfa Crux Malbec 2008 (Argentina)
Serviço
São apenas 13 vagas!
Data: 26 de Janeiro de 2016 (inscrições até o dia 25 de Janeiro)*
Local: Restaurante Ícaro do Shopping Rio Sul
As boas vindas aos participantes iniciam às 19h e a degustação começa pontualmente as 19h30.
Investimento
R$155,00 por pessoa
Membros do Idas e Vinhas Wine Club: R$145,00. Não é membro? Increva-se aqui!
Formas de pagamento
Depósito identificado ou transferência bancária em parcela única em conta da Caixa Econômica
Cartão de crédito em parcela única por compra segura digitada Cielo
Inscrições e informações
contato@idasevinhas.com.br
98218-0717
*Atenção: não fazemos reserva, as inscrições são confirmadas mediante a comprovação do pagamento.

Veja aqui como foi a degustação que apresentamos no dia 02 de Dezembro.

Abaixo está a arte da divulgação (clique para ampliar)


Idas e Vinahs


Enocuriosos no Velho Mundo… Itália: Castello di Verrazzano

Idas e Vinhas

Após
finalizar os relatos sobre nossa primeira visita ao Chile (em Setembro de 2014)
faremos agora um salto de 11 meses para escrever sobre outra experiência
igualmente rica e talvez mais desafiadora. Fomos ao Velho Mundo do Vinho e nos
propusemos a conhecer (e degustar) vinhos da Toscana.

Na
verdade, a proposta inicial era uma viagem turística à Itália com a
possibilidade de visitar algumas vinícolas – sem grandes pretensões. No curso de
nosso planejamento surgiu a possibilidade de compartilharmos a viagem com Alexandre Follador e pensamos: por quê
não? Afinal, nosso comparsa poderia aproveitar nossa expertise em viagens de baixo custo e focadas em turismo cultural e
nós poderíamos aproveitar seu conhecimento e credenciais para dar um
substancial upgrade em nossos
passeios enológicos. Sem pestanejar, ajustamos alguns aspectos de logística e
mergulhamos nesta aventura.

Montamos
nossa base em Florença e partimos para o primeiro desafio – a região dos vinhos
Chianti.
Nossa primeira parada foi na vinícola Castello di Verrazzano. É bastante fácil encontrar os
rótulos desta vinha em toda a Toscana e ao visitar sua página web percebe-se que se trata de um
produtor com um esquema comercial e turístico bem estruturado. Como não havia
um interesse especial pelo vinho da casa e também porque dispúnhamos de
bastante tempo livre, optamos pelo passeio Sabato Special e é sobre ele que comentaremos aqui.

A
vinícola está situada no povoado de Greti,
acessível pela Strada Provinciale 33
(SP 33). É possível utilizar o transporte público (a partir de Florença) até a
loja da vinícola (que fica na via Citille) e de lá subir a pé por 2 quilômetros
até o castelo (eles até explicam em detalhes como fazer em dove siamo, na aba
“com mezzi pubblici da firenze”). Porém, em função do tamanho da “ladeira”, não
recomendamos esta experiência.
Idas e Vinhas

A visita
começou com uma recepção acalorada em uma área externa em frente à construção
principal. Após alguns minutos, fomos entregues ao jovem Ezra Zipper que iria
guiar-nos até o interior da bodega. Durante esta curta caminhada, o guia
aproveitou para já iniciar a narrativa sobre o início da tradição viticultora
no castelo e comentou algumas características da região do Chianti.

Não
visitamos os parreirais (que estavam bastante carregados já que a vindima estava
prestes a começar) mas conhecemos a bodega principal, a sala de “passificação”
de uvas, a vinsantaia e a sala de envelhecimento dos vinhos tintos.
Visitamos também um grande terraço que permite avistar boa parte da zona
produtora do vinho que é um dos ícones da Itália, o Chianti. Embora o guia fosse bastante comunicativo, ficou claro que
havia um longo texto a ser falado e que seria difícil tornar a visita mais
personalizada sem ferir o script
programado. Além disso, éramos ao todo 20 pessoas (aproximadamente) e isso por
si só torna qualquer tipo de roteiro muito mais objetivo e pragmático.
Findo o
passeio guiado, fomos conduzidos ao restaurante da vinícola (fora das
instalações originais do castelo). Ainda assim era um salão muito bonito e com
excelente vista para um mar de vinhedos. Em poucos instantes o serviço do
almoço começou: foram servidos água e o vinho de entrada – o Il Rosé 2014
Idas e Vinhas
Na
sequência fomos surpreendidos por gigantescas tábuas de frios que foram
servidas como porção individual (!) – neste momento pensamos que aquele seria o
prato principal pois ainda não estávamos plenamente acostumados com os hábitos alimentares
do povo italiano. Ledo engano: havia um primo
piato
depois daquela pequena entrada. Junto com a pasta, digo, massa, foi servido o primeiro tinto – o Nuovetendenze Red Toscana IGT (que
estranhamente não encontrei na página web
da vinícola). Ainda durante o serviço da massa fomos apresentados ao Chianti Classico Riserva 2012 e, por fim, pudemos degustar o vinsanto Il Canonico Lodovico 2007 (também não consta mais no portfólio da
Verrazzano) acompanhado de cantuccini
(parte da tradição toscana).
Idas e Vinhas
Aproveitamos
cada minuto da estada e após “fecharmos” o restaurante fomos até um belíssimo
terraço que há defronte à saída para respirar ao ar livre sob um magnífico “céu
de cachos de uva”. Nesta pequena pausa, refletimos um pouco sobre a experiência
que acabávamos de vivenciar e, é claro, já estávamos buscando outra bodega para
visitar.
Idas e Vinhas
Como boa
parte das vinícolas da região do Chianti
não organiza roteiros turísticos aos finais de semana (muitas delas nem estão
abertas para visita nestes dias), achamos melhor passear de carro pelas
lindíssimas rodovias da região sem um destino determinado e deixando que o acaso
(ou melhor dizendo, as inúmeras placas com indicações de degustações) nos
guiassem. Deu certo: em pouco tempo (como por mágica!) nos encontrávamos na
sala de degustações da Vignamaggio.
Não conseguimos fazer a visita guiada sem o agendamento prévio mas esta é uma
outra história – e que será contada na próxima postagem desta série.
No
caminho de volta para Florença ainda fizemos uma pequena parada na vinícola Terreno
para (por que não?) degustar mais alguns vinhos e conhecer um pouquinho desta
bodega comandada por suecos. Não havia tempo para uma visita completa e por
isso não teremos um relato por aqui mas podemos afirmar que se trata de um
produtor com belas instalações e um estilo sóbrio com um “quê” de clássico
(ainda que não lembre em nada o jeito italiano de ser…) – serviu como um bom
encerramento para nosso primeiro dia no dadivoso e belíssimo território do Chianti.
Antes que
nos esqueçamos, é preciso dar aqui nosso veredicto…
É “mais passeio” ou é
“mais vinho”?
É mais
passeio. Nenhum dos vinhos degustados na Castello
di Verrazzano
nos empolgou (mesmo o vinsanto
nos pareceu sem personalidade) e, sinceramente, não apresentam boa relação
custo x benefício. Por outro lado o passeio realizado, mesmo com algumas
ressalvas, é sim um diferencial a favor desta vinícola, pois se trata de um
passeio bem estruturado e que agrada bastante ao turista em busca de uma
refeição à italiana acompanhada de vinhos produzidos na região e em um lugar muito
bonito.
Salute!
Enocuriosos
*fotografias
de Dagô e Simone.

Idas e Vinhas na Estrada… Itália 2015: Vinícola Biodinâmica Cosimo Maria Masini – 28/08

A vinícola Cosimo Maria Masini fica nas colinas de
San Miniato, uma antiga vila medieval no coração da Toscana, na
província de Pisa, ao longo do percurso da Via Francigena, terra do vinho e da trufa
branca (il pregiato tuber magnatum).

Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Entrada da vinícola

Nessa temporada na Toscana, fui em companhia dos
Enocuriosos (casal amigo, que colaboram com suas experiências no Idas e
Vinhas). A Cosimo Maria Masini foi a primeira vinícola visitada. Assim
que chegamos fomos atendidos por Nicoletta Lombardi, responsável pelos clientes
e pela loja da vinícola. Nos apresentamos e em seguida o enólogo Francesco
de Filippis
juntou-se ao grupo. Francesco nos contou a história da vinícola
e esclareceu sobre a produção de vinhos orgânicos e biodinâmicos. Salientou que
embora estejam “na moda”, são formas já tradicionais de cultivo, que
infelizmente vêm sendo utilizadas por alguns apenas como forma de autopromoção.
Idas e Vinhas
Antiga mansão
A propriedade é muito bonita, possui uma antiga
mansão que pertenceu à família Bonaparte e foi adquirida em meados do
século XIX pelo Marquês Cosimo Ridolfi, fundador da Faculdade de
Agricultura e responsável por implantar técnicas inovadoras de manejo orgânico
dos vinhedos.
No ano de 2000 a família Masini adquiriu
a vinícola de 40 hectares e logo em seguida começaram os estudos para implementar
o cultivo das videiras utilizando as técnicas e preceitos da biodinâmica.
Em 2007 recebeu a certificação pela Demeter.
Idas e Vinhas
Vinhedos

Dos 40ha, 14,5ha são cultivados com vinhedos
sendo: 6ha de Sangiovese, 3ha de Cabernet Sauvignon, 1ha de Cabernet
Franc
, 2ha de Chardonnay e Sauvignon Blanc, 2ha de castas
locais (Bonamico é uma delas) e 0,5ha de Trebbiano e Malvasia
para a elaboração do Orange Wine. Os vinhedos mais antigos possuem 50
anos e a média dos demais fica entre 15 e 20 anos.
Francesco de Filippis é o enólogo responsável pela condução dos
vinhedos aplicando as técnicas biodinâmicas e pela elaboração dos 7 rótulos da vinícola. Que produz apenas 40 mil garrafas anualmente.
Para Francesco a biodinâmica aplicada aos
vinhedos propicia a maturação uniforme das uvas e a preservação das
características particulares de cada casta, uma vez que são livres de produtos
químicos e/ou sintéticos.
A forma como os vinhos são elaborados é
bastante rústica. As uvas são colhidas manualmente, desengaçadas e
colocadas nos tanques para fermentar sem adição de leveduras, enzimas e/ou
outro produto químico. Também não há correções enológicas (acidez, taninos,
álcool…) e os vinhos não são clarificados nem filtrados. Apenas adiciona-se
uma pequena quantidade de SO2 ao vinho antes do envase, para evitar
a degradação precoce. Os vinhos mais simples são fermentados em tanques de
concreto e os demais em tanques de carvalho com capacidade de 10 hectolitros. Segundo
Francesco, ele não segue um protocolo de produção para criar um padrão em seus
vinhos: “Obedecemos o ciclo da natureza, pois as condições climáticas nunca são
as mesmas durante os anos.”
 

Idas e Vinhas
Cofermentação
Outro ponto interessante na elaboração dos
vinhos da Cosimo que a difere das demais é que Francesco aplica a cofermentação,
técnica que consiste na fermentação de duas ou mais castas ao mesmo tempo, em
um mesmo recipiente. Segundo Francesco, essa técnica ressalta os aromas
frutados e florais da uva, e intensifica a sua cor. Para aplicá-la o enólogo
tem que conhecer muito bem os seus vinhedos e as necessidades específicas de
cada casta pois, só para exemplificar, cada uma tem período de maturação
diferente.
Elaboração do Vinsanto
Nunca havia presenciado a elaboração do
Vinsanto e foi uma experiência muito interessante.
Francesco mostrou a sala onde as uvas Trebbiano
e Malvasia ficam em “Vinsantaia” – termo criado por ele e que
consiste no processo desidratação das uvas após os cachos passarem durante 4
meses pendurados por ganchos em uma sala bem ventilada. Depois os frutos são suavemente
prensados, originando um mosto altamente concentrado em açúcares, acidez,
aromas e sabores. Este mosto é transferido para barricas de carvalho com
capacidade para 100 litros onde fermentam naturalmente por um período de 5
anos.
 

Idas e Vinhas
A “Vinsantaia”
Após a visita à adega chegou a hora de provar
os vinhos, os quais foram perfeitamente harmonizados com os maravilhosos
embutidos italianos e queijos, finalizando com um belo prato de massa elaborado
pela Nicoletta, tudo isso ao ar livre, muito próximo dos vinhedos. Cenário
perfeito!

A conversa, os vinhos e os pratos estavam tão
bons que eu me esqueci completamente de tirar fotos… desculpem! Mas o vinho é
isso mesmo, nos proporciona momentos únicos e inesquecíveis, às vezes de
completo enlevo.

 

Idas e Vinhas
Daphné, Sincero, Cosimo e Fedardo
Os vinhos degustados foram:
Daphné (100% Trebbiano Toscano), o vinho fica em contato com as lias (sur
lies
) em barris de carvalho novo com capacidade para 500 litros.
Orange wine diferente dos que conheço. Com a proposta de ser mais leve pois
fica menos tempo em contato com as cascas e consequentemente sentem-se menos os
taninos que elas transmitem ao vinho.
Com aromas cítricos de toranja, melão e notas
de mel. Em boca mostrou excelente acidez, bom corpo, com sabor de pêssego, mel
e especiarias. Final longo e levemente tostado. Vale a pena provar!!!
Sincero (85% Sangiovese e 15% de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc), 6
meses em carvalho
Vinho de entrada da vinícola, fermentado em
tanques de cimento. Muito frutado no nariz (morangos, amoras, cerejas). Em boca
é de médio corpo, taninos macios e boa acidez. Também frutado em boca com final
levemente adocicado. Muito bom para o dia a dia.
Cosimo 2013 (90% Sangiovese e 10% Bonamico), 24 meses em carvalho
A casta Bonamico é autóctone da Itália e foi
muito cultivada na Toscana até 1960. Hoje existe não mais de 100 hectares
plantados. Casta de maturação tardia que produz altos rendimentos, vinhos com
médio corpo, pouco álcool e alta acidez e muitas vezes com taninos rústicos.
Destaque para os aromas de frutas vermelhas
maduras, taninos aveludados, médio corpo, boa acidez, leve toque de tostado,
com final longo e adocicado.
Fedardo 2007 (90% Trebbiano e 10% Malvasia Bianca), vinhedos com mais de
50 anos. 5 anos fermentando e macerando em barris de carvalho de 100 litros
Com belos aromas de passas, ameixa seca,
avelãs, amêndoas, canela, flor e casca de laranja. Em boca é untuoso, com
acidez viva, complexo, final muito longo e tostado.
Belíssimo vinho!
Foi um belo início para a série de visitas. O
próximo destino… Vignamaggio!
Francesco, Nicolleta e Alexandre

Provamos e aprovamos… Castello di Magione Grechetto 2012

Idas e Vinhas

A Itália é fascinante sob muitos aspectos, e com o
vinho não podia ser diferente. O país produz vinhos de alta qualidade em
praticamente todo o território (Piemonte, Toscana, Veneto,
Abruzzo, Marche, Umbria…) e possui imensa riqueza em
castas autóctones (Sangiovese, Nebbiolo, Aglianico, Grechetto,
Montepulciano…), o que se traduz em um universo irresistível a ser
explorado.

Por isso dedicamos o nosso Wine Club de Julho inteiramente à
Itália, oferecendo aos nossos associados uma seleção muito interessante de
vinhos que traduzem o charme italiano. Ainda não é membro? Cadastre-se aqui.
O vinho que provamos hoje (e que acompanhou um linguine à Marilyn
Monroe – berinjelas, alcaparras, anchovas…) é um branco da IGT Umbria,
feito com a casta Grechetto e produzido pela Castello di Magione.
A região
A Umbria é uma região histórica localizada na Itália Central, mais especificamente
ao Sul da Toscana, entre Lazio e Marche. O cultivo das vinhas é incrivelmente
antigo (cerca de 60 AC!) e continua intenso até hoje nessa região rica em rios
e lagos, a única de toda a Itália que não possui costa nem fronteiras internacionais.

Idas e Vinhas
A Umbria possui 2 DOCG (Montefalco Sagrantino e Torgiano
Riserva
), 13 DOC (Amelia, Assisi, Colli
Altotiberini
, Colli del Trasimeno ou Trasimeno, Colli
Martani
, Colli Perugini, Lago di Corbara, Montefalco, Orvieto,
Rosso Orvietano ou Orvietano Rosso, Spoleto, Todi, Torgiano)
e pelo menos 6 IGT (Allerona, Bettona, Cannara, Narni,
Spello, Umbria).
As castas locais dominam os vinhedos. Entre as brancas destacam-se TrebbianoDrupeggio, Verdello e Grechetto, enquanto as tintas mais
cultivadas são Sangiovese, Montepulciano e Sagrantino
di Montefalco
.
Mas também se cultivam castas francesas, com ênfase para a Cabernet Sauvignon,
Merlot e Pinot Noir (chamada na Itália de Pinot Nero).
A Umbria não produz vinhos em grande quantidade (são cerca de 1 milhão
de hectolitros/ano, o que a coloca como 4ª menor região produtora da Itália), e
apenas cerca de 20% recebem o status de DOC/DOCG. Entre eles o mais conhecido é
o Orvieto (um blend branco de Grechetto, Trebbiano, Malvasia, Drupeggio ou Canaiolo, Verdello).
A Grechetto é bastante valorizada pelo caráter floral e pelo corpo
que transfere ao vinho.
A denominação IGT (Indicazione Geografica Tipica) Umbria foi
estabelecida em 1992, para permitir certo grau de liberdade tanto quanto às técnicas
quanto às castas utilizadas. Antes da criação da IGT, muitos vinhos não conseguiam
o status de DOC ou DOCG não por falta de qualidade, mas simplesmente por não
serem feitos a partir das variedades ou cortes definidos na legislação. A classificação
IGT é voltada à região, ao terroir, sem tanto enfoque nas castas ou estilos.
A casta
A Grechetto é uma casta autorizada e mesmo requerida na
composição de brancos na região da Umbria, seja em cortes ou varietais. Por exemplo,
no corte do vinho mais famoso da Umbria, o DOC Orvieto, ela entra em uma
proporção de 15 a 25%.
De acordo com Jancis Robinson, a Grechetto é uma casta interessante
com aromas de frutas cítricas e brancas, levemente herbáceos, de amêndoa e uma
textura delicadamente cremosa.
O produtor
A Castello di Magione é uma vinícola jovem, inaugurada em Setembro
de 2009, e é uma das marcas da La Società Agricola e Vitivinícola Italiana.
O nome vem da bela construção que fica no centro da vinícola, o Castello
de Magione, datado do século XII e que servia de abrigo para os peregrinos e
viajantes. Os 32 hectares de vinhedos foram revitalizados e hoje produzem 55%
de castas tintas (Pinot Nero, Merlot, Gamay, Cabernet, Sauvignon, Sangiovese e
Canaiolo) e 45% de brancas (Grechetto – a principal, Chardonnay, Sauvignon
Blanc e Trebbiano).
Idas e Vinhas

Vamos
ao Vinho?
Grechetto Castello di Magione 2012
IGT Umbria. 100% Grechetto. 13% de álcool.
As uvas foram
colhidas mecanicamente e os lotes vinificados em separado. Estagia por certo
tempo (não especificado pelo produtor) em tanques de aço inoxidável para
afinamento.
Cor amarelo
ouro médio, muito transparente e brilhante. Aromas delicados e frescos de
maracujá, damasco, capim limão, camomila e lírio, de intensidade e persistência
médias. Em boca tem textura quase cremosa, corpo leve para médio, boa acidez e
álcool equilibrado. É menos aromático que no nariz e os aromas florais se
destacam. Final médio e agradável.
Vinho bastante
interessante para o dia a dia e uma boa oportunidade de descobrir uma nova
casta e saber mais sobre os vinhos italianos.
Nota
IV: 83
R$62,20
Importadora: Decanter
Idas e Vinhas

Consultamos
para esse post:
Robinson, Jancis; Harding, Julia.; Vouillamoz, José. Wine Grapes.