Idas e Vinhas na Estrada… Itália 2015: Vinícola Biodinâmica Cosimo Maria Masini – 28/08

A vinícola Cosimo Maria Masini fica nas colinas de
San Miniato, uma antiga vila medieval no coração da Toscana, na
província de Pisa, ao longo do percurso da Via Francigena, terra do vinho e da trufa
branca (il pregiato tuber magnatum).

Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Entrada da vinícola

Nessa temporada na Toscana, fui em companhia dos
Enocuriosos (casal amigo, que colaboram com suas experiências no Idas e
Vinhas). A Cosimo Maria Masini foi a primeira vinícola visitada. Assim
que chegamos fomos atendidos por Nicoletta Lombardi, responsável pelos clientes
e pela loja da vinícola. Nos apresentamos e em seguida o enólogo Francesco
de Filippis
juntou-se ao grupo. Francesco nos contou a história da vinícola
e esclareceu sobre a produção de vinhos orgânicos e biodinâmicos. Salientou que
embora estejam “na moda”, são formas já tradicionais de cultivo, que
infelizmente vêm sendo utilizadas por alguns apenas como forma de autopromoção.
Idas e Vinhas
Antiga mansão
A propriedade é muito bonita, possui uma antiga
mansão que pertenceu à família Bonaparte e foi adquirida em meados do
século XIX pelo Marquês Cosimo Ridolfi, fundador da Faculdade de
Agricultura e responsável por implantar técnicas inovadoras de manejo orgânico
dos vinhedos.
No ano de 2000 a família Masini adquiriu
a vinícola de 40 hectares e logo em seguida começaram os estudos para implementar
o cultivo das videiras utilizando as técnicas e preceitos da biodinâmica.
Em 2007 recebeu a certificação pela Demeter.
Idas e Vinhas
Vinhedos

Dos 40ha, 14,5ha são cultivados com vinhedos
sendo: 6ha de Sangiovese, 3ha de Cabernet Sauvignon, 1ha de Cabernet
Franc
, 2ha de Chardonnay e Sauvignon Blanc, 2ha de castas
locais (Bonamico é uma delas) e 0,5ha de Trebbiano e Malvasia
para a elaboração do Orange Wine. Os vinhedos mais antigos possuem 50
anos e a média dos demais fica entre 15 e 20 anos.
Francesco de Filippis é o enólogo responsável pela condução dos
vinhedos aplicando as técnicas biodinâmicas e pela elaboração dos 7 rótulos da vinícola. Que produz apenas 40 mil garrafas anualmente.
Para Francesco a biodinâmica aplicada aos
vinhedos propicia a maturação uniforme das uvas e a preservação das
características particulares de cada casta, uma vez que são livres de produtos
químicos e/ou sintéticos.
A forma como os vinhos são elaborados é
bastante rústica. As uvas são colhidas manualmente, desengaçadas e
colocadas nos tanques para fermentar sem adição de leveduras, enzimas e/ou
outro produto químico. Também não há correções enológicas (acidez, taninos,
álcool…) e os vinhos não são clarificados nem filtrados. Apenas adiciona-se
uma pequena quantidade de SO2 ao vinho antes do envase, para evitar
a degradação precoce. Os vinhos mais simples são fermentados em tanques de
concreto e os demais em tanques de carvalho com capacidade de 10 hectolitros. Segundo
Francesco, ele não segue um protocolo de produção para criar um padrão em seus
vinhos: “Obedecemos o ciclo da natureza, pois as condições climáticas nunca são
as mesmas durante os anos.”
 

Idas e Vinhas
Cofermentação
Outro ponto interessante na elaboração dos
vinhos da Cosimo que a difere das demais é que Francesco aplica a cofermentação,
técnica que consiste na fermentação de duas ou mais castas ao mesmo tempo, em
um mesmo recipiente. Segundo Francesco, essa técnica ressalta os aromas
frutados e florais da uva, e intensifica a sua cor. Para aplicá-la o enólogo
tem que conhecer muito bem os seus vinhedos e as necessidades específicas de
cada casta pois, só para exemplificar, cada uma tem período de maturação
diferente.
Elaboração do Vinsanto
Nunca havia presenciado a elaboração do
Vinsanto e foi uma experiência muito interessante.
Francesco mostrou a sala onde as uvas Trebbiano
e Malvasia ficam em “Vinsantaia” – termo criado por ele e que
consiste no processo desidratação das uvas após os cachos passarem durante 4
meses pendurados por ganchos em uma sala bem ventilada. Depois os frutos são suavemente
prensados, originando um mosto altamente concentrado em açúcares, acidez,
aromas e sabores. Este mosto é transferido para barricas de carvalho com
capacidade para 100 litros onde fermentam naturalmente por um período de 5
anos.
 

Idas e Vinhas
A “Vinsantaia”
Após a visita à adega chegou a hora de provar
os vinhos, os quais foram perfeitamente harmonizados com os maravilhosos
embutidos italianos e queijos, finalizando com um belo prato de massa elaborado
pela Nicoletta, tudo isso ao ar livre, muito próximo dos vinhedos. Cenário
perfeito!

A conversa, os vinhos e os pratos estavam tão
bons que eu me esqueci completamente de tirar fotos… desculpem! Mas o vinho é
isso mesmo, nos proporciona momentos únicos e inesquecíveis, às vezes de
completo enlevo.

 

Idas e Vinhas
Daphné, Sincero, Cosimo e Fedardo
Os vinhos degustados foram:
Daphné (100% Trebbiano Toscano), o vinho fica em contato com as lias (sur
lies
) em barris de carvalho novo com capacidade para 500 litros.
Orange wine diferente dos que conheço. Com a proposta de ser mais leve pois
fica menos tempo em contato com as cascas e consequentemente sentem-se menos os
taninos que elas transmitem ao vinho.
Com aromas cítricos de toranja, melão e notas
de mel. Em boca mostrou excelente acidez, bom corpo, com sabor de pêssego, mel
e especiarias. Final longo e levemente tostado. Vale a pena provar!!!
Sincero (85% Sangiovese e 15% de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc), 6
meses em carvalho
Vinho de entrada da vinícola, fermentado em
tanques de cimento. Muito frutado no nariz (morangos, amoras, cerejas). Em boca
é de médio corpo, taninos macios e boa acidez. Também frutado em boca com final
levemente adocicado. Muito bom para o dia a dia.
Cosimo 2013 (90% Sangiovese e 10% Bonamico), 24 meses em carvalho
A casta Bonamico é autóctone da Itália e foi
muito cultivada na Toscana até 1960. Hoje existe não mais de 100 hectares
plantados. Casta de maturação tardia que produz altos rendimentos, vinhos com
médio corpo, pouco álcool e alta acidez e muitas vezes com taninos rústicos.
Destaque para os aromas de frutas vermelhas
maduras, taninos aveludados, médio corpo, boa acidez, leve toque de tostado,
com final longo e adocicado.
Fedardo 2007 (90% Trebbiano e 10% Malvasia Bianca), vinhedos com mais de
50 anos. 5 anos fermentando e macerando em barris de carvalho de 100 litros
Com belos aromas de passas, ameixa seca,
avelãs, amêndoas, canela, flor e casca de laranja. Em boca é untuoso, com
acidez viva, complexo, final muito longo e tostado.
Belíssimo vinho!
Foi um belo início para a série de visitas. O
próximo destino… Vignamaggio!
Francesco, Nicolleta e Alexandre

Idas e Vinhas na Estrada – 12/12/2012 parte IV – Viña VIK – Valle de Colchagua

Após
o excelente almoço na Casa Silva (veja
post aqui) nos dirigimos à Viña VIK, o que levou quase duas horas.
 

A
essa altura, não sabíamos exatamente o que encontrar, pois é uma vinícola
bastante nova (o projeto iniciou em 2006 e a primeira safra lançada foi em
2009 com o propósito de produzir um dos melhores vinhos do mundo). Estávamos
ansiosos por conhecer a propriedade, famosa pela beleza de seu terroir e pela
exclusividade das acomodações (são apenas 4 suítes, enquanto o projeto do
hotel com 16 quartos não fica pronto) e também para degustar o misterioso VIK.

Idas e Vinhas
Entrada da vinícola
A região
A
VIK fica em uma microregião chamada Millahue Valley (Local de Ouro na língua indígena), ao norte do Valle de Apalta,
subregião do Valle de Colchagua, a cerca de 180 km ao sul de Santiago. Fica
próxima da Casa Lapostolle e da Viña Montes, só que do outro lado da montanha,
o que deixa a VIK um pouco isolada.
Idas e Vinhas
A
VIK, com seus impressionantes 4300 hectares (sendo 394 ha de vinhas) está
localizada no interior do Millahue, em um local recortado por vários
desfiladeiros. A vinícola se espalha por 12 pequenos vales, e essa condição
cria uma variedade muito grande de microclimas, pois as condições de exposição
ao sol e aos ventos são muito variadas. Essas peculiaridades foram
minuciosamente estudadas para a escolha das castas que seriam plantadas em cada
quartel. Afinal, o objetivo é produzir um vinho que esteja entre os grandes!
O
clima da região também favorece o crescimento de castas viníferas. Pouca chuva,
temperaturas moderadas e constantes durante o dia e noites muito frias. A
posição geográfica da VIK também se beneficia do vento frio (2 a 3ºC) que chega
na madrugada, vindo do Pacífico pelo caminho formado pela montanha Los Lazos e
atravessando a propriedade. Esse vento resfria os vales e previne a desidratação
das uvas, reduzindo o risco do aparecimento de fungos nos cachos.
A vinícola
Em
2004, o empreendedor norueguês Alexander Vik iniciou o projeto de formar um
vinhedo de qualidade excepcional, capaz de produzir um vinho único, especial.
Foram
dois anos de pesquisas pela América do Sul, até que a propriedade no Valle de
Millahue fosse escolhida. A primeira safra, lançada em 2009, foi um sucesso,
completamente vendida ainda nas barricas.
Idas e Vinhas
Nesses
três anos, a vinícola segue em franco desenvolvimento, com alta tecnologia e
técnicas sustentáveis. A nova bodega, super moderna, ainda está em construção,
assim como o hotel.
Em
nossa visita, pudemos degustar a safra 2010 e as parcelas que irão formar o blend do VIK 2011.
Passeio pelos
vinhedos e a degustação
Atravessamos
a entrada da vinícola e nos dirigimos ao lodge,
para deixar nossa bagagem e aguardar o enólogo que nos receberia. Foi só o
tempo de deixar as malas no quarto e ir ao encontro de Gonzague de Lambert, da
equipe de enólogos.
Bastante
simpático, Gonzague tem um currículo impressionante. Sua família é dona da
vinícola Château de Sales, no Pomerol (França), que produz cerca de 15000
garrafas por ano. Com apenas 36 anos, está há cerca de 8 anos no Chile e
trabalha no projeto da VIK desde o início. Ao ser perguntado porque resolveu
deixar a França, respondeu que o Chile representava um desafio, uma
oportunidade de aplicar novas técnicas. Na França não há espaço para inovações
significativas, praticamente tudo já foi inventado.
Idas e Vinhas
Gonzague
nos levou por um tour pelos vinhedos,
que durou cerca de 1 hora. Foi possível perceber os diferentes terroirs, examinamos as videiras das
diferentes castas, o princípio de irrigação…

Idas e Vinhas
A
VIK utiliza o sistema de plantio por porta-enxerto, são vários tipos,
dependendo de cada microterroir. As videiras são plantadas em sistema adensado
( 8 a 10 mil plantas por hectare), pois dessa forma a competição entre as
plantas faz com que desenvolvam raízes mais profundas. Para que isso aconteça,
as plantas são irrigadas por 3 a 4 anos.
Após
o belo passeio, nos dirigimos à bodega para a degustação. Podemos dizer que foi
uma das melhores experiências nesse sentido. Embora a VIK produza apenas um
único vinho, a degustação que foi preparada foi realmente especial.
Antes
da degustação, Gonzague nos mostrou a maquete da nova bodega, com todos os detalhes,
onde belos espelhos d’água, além da beleza, irão auxiliar no controle da
temperatura. Também foi apresentado um breve vídeo promocional sobre o projeto
VIK.
Vamos à degustação?


Idas e Vinhas


Como
referência tínhamos o VIK 2010, que está no mercado. Em seguida, cuidadosamente
dispostas ao seu redor, 9 taças guardavam amostras do que será o VIK 2011. Ou
seja, tivemos o privilégio de provar os diferentes lotes que estavam repousando
nas barricas antes que os enólogos decidam o blend do vinho que será lançado.
 Idas e Vinhas
Cada
taça representava um lote diferente. Ou seja, mesmo se as taças fossem de uma
mesma casta, o quartel era distinto, pois as uvas de cada quartel são
vinificadas e estagiam separadamente nas barricas.
Das
9 taças, 3 eram de Cabernet Sauvignon, 1 de Cabernet Franc, 1 de Merlot, 1 de
Syrah e 3 Carmenère.
Foi
uma verdadeira aula!! Foi possível distinguir as características de cada casta,
bem como dos diferentes quartéis.
O
vinho é realmente excelente. Encorpado, complexo, com destaque para as frutas
vermelhas, notas florais e minerais. É um vinho que tem potencial de guarda,
mas já está pronto e é bastante agradável quando jovem.
A hospedagem no lodge
Após
a degustação, nos dirigimos ao lodge,
onde passaríamos a noite.

Idas e Vinhas

Idas e Vinhas

Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
O
local é de uma beleza impressionante, e o lodge
é muito aconchegante. Rústico e sofisticado ao mesmo tempo, com muito conforto.
Às
20h em ponto, nosso jantar foi servido. Comida preparada com esmero,
acompanhada do belo VIK 2010.
Idas e Vinhas
Na
manhã seguinte, após um delicioso café da manhã, a relações públicas Sabrina
Fière
veio nos desejar boa viagem. Muito gentil e simpática!
Muito
obrigada à equipe VIK, que nos recebeu com tanta delicadeza e atenção. Foi uma
experiência inesquecível!!

Idas e Vinhas na Estrada – 12/12/2012 parte II – Santa Helena – Valle de Colchagua

Idas e Vinhas

Nossa
visita à Altaïr (veja aqui) demorou mais do que o previsto, e tivemos que nos dirigir
rapidamente à segunda vinícola do dia, a Santa Helena, no Valle de Colchagua.
Felizmente, as vinícolas são bastante próximas, e em menos de meia hora
estávamos diante da imponente construção estilo colonial desta que é uma das
maiores vinícolas chilenas.

O
Valle de Colchagua é o território chileno que mais recebe investimentos para
plantar parreiras e adegas. Situa-se na zona sul da região da DO Valle de
Rapel, na latitude 34ºS. O clima é mediterrâneo, porém mais frio que o de
Cachapoal, a região norte do Rapel. No Colchagua as plantações são mais orientais, recebendo,
portanto, maior influência marítima. O regime de chuvas é de 450 a 560 mm
anuais. A suplementação de água vem do sistema fluvial Tinguiririca-Rapel.

Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
Clique para ampliar – A Santa Helena é a de nº 4 em San Fernando

Com
23.368 hectares cultivados, só fica atrás do Maule. Desses, mais de 90% são de
cepas tintas. O destaque é a Cabernet Sauvignon com cerca de metade de todas as
plantações, depois vem a Merlot, a Carmenère, a Syrah e a Malbec.

Para
nós a Santa Helena tem um significado muito especial. Embora aqui no Brasil
muitos enófilos considerem seus vinhos apenas regulares, foi com ela que
começamos a apreciar o mundo do vinho. Tomamos muito dos seus vinhos base
(Reserva e Selección del Directorio), que são bons e honestos. E agora que
tivemos a oportunidade de conhecer seus vinhos super premium, nossa admiração
aumentou. São vinhos realmente excelentes, e de preços muito mais acessíveis
que outros rótulos de nível similar.
Em
2012 a vinícola completou 70 anos e é uma das 10 maiores exportadoras do Chile.
Segundo a tradição cristã, Santa Helena – também conhecida como Helena de
Constantinopla, mãe do imperador Constantino – foi quem descobriu o local de
crucificação de Cristo. Foi ela quem, após uma peregrinação pela Palestina,
teria ordenado a construção de importantes igrejas, como a da Natividade, em
Belém, e a do Santo Sepulcro, em Jerusalé.

na tradição grega, Santa Helena é o nome da mulher mais bela do mundo – filha de
Zeus, esposa de Menelau, rei de Esparta, também conhecida como Helena de Troia
(cuja fuga com Páris deu origem à famosa guerra mitológica). Helena é o símbolo
maior da beleza, do encanto.
A
Viña Santa Helena (que possui como símbolo a imagem de uma mulher, como se
fosse uma deusa) vale-se muito mais da parte grega, apesar do “Santa” no nome,
pois, desde o começo sua vocação foi ir para além dos limites do Chile, já que
foi fundada como uma cooperativa exportadora em 1942. Não à toa, o VSPT Wine
Group (Viña San Pedro Tarapacá) adquiriu-a em 1994, tornando-se a primeira
subsidiária do grupo – que conta com outras 10 vinícolas, constituindo a
segunda maior holding de vinhos do Chile.

Idas e Vinhas

A
vinícola conta com com 334 hectares e o enólogo chefe é o Matías Rivera.
Para
celebrar os 70 anos a vinícola resolveu lançar um vinho especial. Contudo,
diferentemente de outros que lançam séries limitadas de vinhos caríssimos, a
vinícola decidiu abrir um novo campo, algo que não é especialidade do Chile e
que tem requerido muito investimento de quem se aventura por aí: produzir
espumantes.

Idas e Vinhas

Rivera
e sua equipe prepararam o Santa Helena Premium Brut, um Charmat, corte de Pinot
Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc com uvas que vieram do Valle de Casablanca.
A vinícola
A
bodega que visitamos, localizada em San Fernando, sub-região do Valle de Colchagua,
vinifica as linhas superiores da Santa Helena (D.o.n., Parras Viejas, Notas de
Guarda e Vernus). As outras linhas são produzidas na bodega situada em Curicó.
A
beleza da vinícola é ímpar. Da entrada da vinícola até a chegada à adega o percurso
é ladeado por rosas de todas as cores e logo à frente está a bonita adega.

Idas e Vinhas

Idas e Vinhas

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Logo
à frente da vinícola está um vinhedo de aproximadamente 30 hectares, com mais
de 100 anos – próximo à Cordilheira dos Andes – e, segundo Rívera o terroir é tão
excepcional que motivou o lançamento do rótulo Parras Viejas.

Em
San Fernando são 80 hectares somente de Cabernet Sauvignon e dentre os quartéis
há vinhas velhas plantadas em 1910 e em 1960.

Idas e Vinhas

Idas e Vinhas

Foi
a primeira vinícola que vimos a irrigação sendo feita por inundação.

A
nossa visita foi conduzida pela simpática e experiente Catalina Aubert. Iniciamos
a visita com uma breve caminhada pelo vinhedo, enquanto Catalina nos explicava todo
o processo de fabricação do vinho, desde o manejo sustentável das parreiras até
o envase.
A
colheita é iniciada na segunda semana de Abril e todo o processo de vinificação
termina em Junho. A maceração acontece em 10 dias e então as leveduras são
adicionadas e a fermentação leva entre 10 a 12 dias. A próxima etapa é a 2ª
maceração pós fermentativa – apenas para o Don e o Notas de Guarda. Depois o
vinho realiza a fermentação malolática em barricas durante 30 a 50 dias. Feito
isso o vinho estagia em carvalho por 15 meses e só então é feita a mescla.
Durante
a visita à sala dos tanques tivemos a oportunidade de provar uma amostra de
Cabernet Sauvignon direto do tanque de inox. O vinho é bastante fresco e
frutado mas ainda requer certo acabamento, que será dado pela passagem em
barricas de carvalho.

Idas e Vinhas

Idas e Vinhas

Idas e Vinhas

Feito
isso fomos provar outra amostra, diretamente da barrica de carvalho, de um novo
projeto de Pinot Noir, e o vinho já mostrava muito bom potencial, bom corpo,
aromas agradáveis e as notas características da passagem em madeira.

Idas e Vinhas

A degustação
A
degustação foi excepcional, incluindo exemplares dos rótulos premium e
superpremium da Santa Helena. O local escolhido não poderia ter sido melhor: a
própria sala de barricas, que por sinal é muito bonita.

Idas e Vinhas

Os
vinhos que degustamos foram os seguintes:
Bastante
fresco e levemente mineral. Muito agradável e fácil de tomar. Com notas de abacaxi,
flor de laranjeira e um leve toque de alecrim. Excelente para abrir os
trabalhos!
Do
latim, significa “relacionado com a primavera”, Vernus é uma homenagem da
vinícola aos ciclos naturais da terra, à importância das estações do ano, a
magia de nascer, renascer e se renovar.
Mescla
de Malbec 90% e Petit Verdot 10%. Estagia por 12 meses em barricas de carvalho
de 2º uso.
Bastante
aromático, na boca é adocicado, mas não enjoativo, e fino. Final bastante
agradável.
Carmenère
85%, Syrah 7%, Petit Verdot 5% e Malbec 3%.
Sou
apreciador de Carmenère e ,este para mim, entrou para a lista dos melhores
chilenos.
Bastante
concentrado, as notas picantes do pimentão e da pimenta do reino estão
evidentes, além de um leve toque de canela e tostado.
À
medida que avançamos nessa viagem, percebemos que o enólogo conseguiu produzir
um vinho que representa à perfeição o que se pode chamar de Carmenère do Chile.
As
vinhas foram plantadas em 1910 e o seu rendimento é muito baixo, dando origem a
vinhos concentrados e aromáticos.
O
vinho passa por 14 meses em barricas francesas de 2º uso.
Vinho
equilibrado tanto na acidez quanto nos taninos. De final longo e adocicado. Com
certeza um exuberante exemplar de Cabernet Sauvignon.
O
D.o.n. (De Orígen Noble) é uma mescla de Cabernet Sauvignon 80%, Petit Verdot
15% e Syrah 5%.
Ícone
da vinícola. Estagia durante 15 meses em barricas novas de carvalho francês 70%
e 30% segundo uso.
Vinho
potente e complexo. Ao agitar a taça sobressaem os aromas das frutas vermelhas
e negras maduras e concentradas, algumas notas florais e de especiarias e um
leve mentolado e tostado da madeira.
Na
boca mostra o equiilíbrio entre taninos redondos e acidez e os seus 14,5% de
álcool estão perfeitos. Excelente vinho de guarda.

Vernus Malbec 2009 e Vernus Sauvignon Blanc 2012
D.o.n. 2009 / Notas De Guarda Carmenère 2011 e Parras Viejas Cabernet Sauvignon 2010
E
assim encerramos uma das visitas que consideramos um dos ponto altos da viagem.
Seguimos então para o almoço na Casa Silva, há apenas alguns minutos de
distância.

Hoje, 20 de Outubro de 2013 abrimos o Notas de Guarda que adquirimos na vinícola. Leiam aqui o post.
Literaturas
consultadas para este post:
Os
Segredos do Vinho
Adega

Idas e Vinhas na Estrada – 12/12/2012 parte I – Altaïr – Valle de Cachapoal

Idas e Vinhas
No
terceiro dia da nossa maratona, Santiago amanheceu fria e parcialmente nublada.
Saímos mais cedo do hotel, pois visitaríamos as regiões dos Valles Cachapoal e
Colchagua, as mais distantes de Santiago previstas no nosso programa, seguindo
a Rota 5 na direção Sul. Seriam 3 vinícolas, com almoço na Casa Silva e o
pernoite na moderna VIK. Estávamos ansiosos, pois este dia prometia grandes
emoções.

A
nossa primeira parada a vinícola Altaïr, a 128 km ao sul de Santiago, no Valle
Cachapoal, na região do Alto Cachapoal. Os vales Cachapoal e Colchagua são duas
regiões que formam a DO Valle de Rapel. O Cachapoal, mais ao norte, sofre muito
pouca influência marítima, e suas três maiores subregiões – Rancagua, Peumo e Alto
Cachapoal – são conhecidas principalmente pela produção de vinhos tintos ricos
(cerca de 85% da produção), com destaque para o Cabernet Sauvignon cujas uvas
crescem próximas aos Andes e o Carmenère oriundo da parte central do vale.
A vinícola
A
Altaïr faz parte do mesmo grupo ao qual pertence a Santa Helena, o VSPT Wine
Group (Viña San Pedro Tarapacá), e seu papel é ser a vinícola boutique do
grupo. E que boutique! Construída em 2001, produz dois rótulos, Altaïr e
Sideral, em uma das localizações mais belas que já vimos.
O nome da vinícola evoca os céus, pois Altaïr é
a estrela mais brilhante da Constelação da Águia. Essa constelação pode ser
vista nos hemisférios Norte e Sul, simbolizando a união entre o Novo e o Velho
Mundo.
Ao
chegarmos nos portões da vinícola, localizados na base da colina onde fica a
bodega, a bandeira do Brasil hasteada indicava que éramos esperados.
Idas e Vinhas
Ao
descermos do carro, a vista era de tirar o fôlego. O dia, antes nublado, estava
ensolarado e o céu muito límpido. Nossa guia, Danitza Olivares, e mais dois
funcionários da vinícola nos aguardavam no terraço em frente à bodega, com
café, água e petitfours. Ali mesmo começamos a conversar sobre a origem da
vinícola, seu conceito de boutique, enquanto admirávamos o vale. De onde
estávamos era possível identificar os quartéis de Cabernet Sauvignon nas áreas
mais baixas, que são as vinhas mais antigas da propriedade de 150 ha (72 ha
compostos pelos vinhedos), enquanto Carmenère, Syrah, Cabernet Franc e Petit
Verdot se distribuem harmoniosamente pelas bases das encostas.
Idas e Vinhas
A recepção com Danitza

Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Bela vista dos quartéis
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas

Idas e VInhas

Idas e Vinhas

Segundo
Danitza, a conformação geológica da propriedade é muito particular. O solo
rochoso compacto mais próximo da Cordilheira dos Andes confere um caráter mais
forte ao vinho Altaïr. À medida que se desce em direção ao vale, o solo
torna-se mais descompactado, e é desse solo que são provenientes as uvas para
compor o Sideral.
Em
seguida passamos à bodega, uma bela construção perfeitamente encaixada na
montanha. Na área de vinificação há cubas de aço inoxidável (onde é vinificado
o Sideral) e carvalho (para o Altair).
Idas e Vinhas
Na
sala das barricas, cada micro unidade de terroir é vinificada em separado. Os
enólogos então vão realizando provas às cegas onde se definem os lotes e as
variedades que irão formar a mescla definitiva para o Altaïr e o Sideral.
Idas e Vinhas

Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
Outra
particularidade da vinícola é a enoteca, que guarda todas as safras produzidas
dos dois vinhos. É possível também comprar qualquer uma das safras, pelo mesmo
preço.
A degustação
A
vinícola não distingue seus dois rótulos pela qualidade. Ambos são considerados
ultrapremium com características distintas.
A
mesa de degustação estava preparada com elegância, os vinhos convenientemente
repousando em belos decanters. Vamos a eles!
Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
Sideral 2008
Cabernet
Sauvignon 78%, Carmenère 13%, Syrah 5% e Cabernet Franc 4%. Estagia 10 meses em
barricas de carvalho francês de 225 litros (20% novas e 80% de segundo uso).
De bela cor rubi, o Sideral é um vinho complexo, encorpado, com aromas
característicos de frutas vermelhas, violetas e leve amadeirado. Muito
agradável na boca, taninos equilibrados e final longo.
Altaïr 2008
Cabernet
Sauvignon 82%, Syrah 13%, Carmenère 3% e Petit Verdot 2%. Estagia 10 meses em
barricas de carvalho francês de 225 litros (50% novas e 50% de segundo uso).
Se
o Sideral já havia impressionado, o Altaïr elevou o nível da
degustação. Mais encorpado, apresentou maior complexidade de aromas (foi
possível identificar notas de cacau e pimenta, além das frutas vermelhas e
notas florais). Um vinho muito equilibrado.
Idas e Vinhas
Depois
dessa excelente degustação, agradecemos a bela acolhida e seguimos rumo ao
próximo destino: Viña Santa Helena.

Acompanhe a nossa maratona abaixo: