Enocuriosos… Viñas de Chile – Bodegas RE

Idas e Vinhas

Saímos da Emiliana felizes da
vida e com mais duas missões a cumprir. Nosso primeiro objetivo?
Casa Botha – um restaurante italiano em pleno Valle
de Casablanca
. O plano era bem simples – seguir pela Ruta 68 à pé até o destino. A execução não seria tão “suave” assim
– uma caminhada de 2,5 quilômetros.

Como não reservamos hora no restaurante e tínhamos tempo de
sobra até o horário da visita na vinícola, poderíamos seguir pela estrada com
tranquilidade e, por isso, tomamos o caminho de saída da Emiliana por entre os vinhedos. Antes que tivéssemos saído da
propriedade, percebemos que um carro estava nos seguindo. Não era um engano –
ele realmente estava em nosso encalço. Era um taxista. Ele queria saber para
onde íamos, pois estava retornando sem passageiros para Valparaíso (a 50
quilômetros de distância) e gostaria de aproveitar para garimpar alguns pesos
chilenos… Agradecemos mas aquele não era o nosso plano. Melhor seguir
caminhando. O taxista era esperto e ofereceu carona grátis até o restaurante. Aceitamos,
sabendo que as “ofertas” não acabariam por ali. Durante a curta viagem o
taxista aproveitou para perguntar qual nosso destino subsequente…
Antes que saíssemos do carro, o taxista fez nova oferta.
Disse ele que estaria disposto a esperar que almoçássemos para nos levar a
nossa próxima parada, por um valor de “n” pesos por quilômetro rodado. A única
condição imposta é que ele não poderia esperar mais do que 45 minutos porque
tinha outro compromisso mais tarde e não poderia se atrasar. Como sabíamos que
nosso próximo percurso não poderia mesmo ser feito sem carro, topamos. Nosso almoço foi
uma correria, mas conseguimos manter o compromisso com o táxi e, o principal, a
comida estava maravilhosa.
O restaurante Casa
Botha
foi uma indicação dos proprietários da pousada La Mirage Parador – nosso local de pouso pelos próximos 2 dias. No
restaurante, encontramos um ambiente acolhedor e ricamente decorado (até um
pouco demasiado). O forte da casa é, além do cardápio de massas, uma carta de
vinhos gigantesca – praticamente todas as vinícolas de Casablanca estão
representadas no restaurante e todas as garrafas podem ser adquiridas não só
para consumo local (o dono do restaurante investe “pesado” para que o visitante
leve para casa o melhor e mais especial vinho da região – seja ele qual for).
De lá, seguimos para o nosso último compromisso do dia, que
seria na Bodegas RE.
Nossa expectativa para esta visita estava depositada na possibilidade
(e oportunidade) de provar vinhos produzidos em tinajas (ânforas) e também porque sabíamos que a proposta desta
vinícola é se arriscar na produção de blends pouco usuais. Para quem não sabe,
é importante destacar que a Bodegas RE
é a vinícola que o enólogo Pablo Morandé
criou com seu filho após vender sua participação na Viña Morandé. Todas as informações que encontramos sobre ele
durante nossa pesquisa na internet apontava para um mesmo perfil: um
profissional determinado, inovador, sem medo de arriscar, e que colecionava
sucessos e fracassos sem se que isso fosse suficiente para aplacar sua ânsia
pelo novo, por aquilo que ainda haveria de nascer (ou ser inventado). Bem… O
que mais seria necessário para estimular um par de Enocuriosos?
Chegamos à viña bem
antes do horário combinado (afinal, o taxista tomou conta de nossa agenda…) e
mesmo assim fomos muito bem recebidos e conseguimos antecipar o horário da
visita sem qualquer problema, pois a vinícola estava vazia. Ficamos muito
impressionados com a beleza da loja que expunha, além de vinhos e azeites,
diversos artigos de tecelagem e vestuário produzidos por artesãos do povoado.
Todo mobiliário e artigos de decoração seguem uma linha “armazém antigo”.
Nossa opção de visita foi o Tour Revelación que incluía a visita à parte dos vinhedos, balsamería, sala de licores e o salão de
barricas e ânforas, além, é claro, da degustação de 4 vinhos. Começamos o tour pelo lado externo da propriedade
mas não visitamos o vinhedo tal como esperado (não lembramos o motivo). Nossa
guia explicou que o projeto arquitetônico levou em consideração o movimento do
sol e as correntes de ar para criar um edifício que não necessitasse de
climatização artificial.
Em seguida adentramos em um pequeno galpão onde se encontrava uma
bateria de produção de vinagre balsâmico. A guia explicou como é o processo de
produção (o ciclo completo leva ao menos 12 anos para ser completado) e que eles
estavam reproduzindo um “ciclo encurtado” para que pudesse produzir acetos ao final de 5 anos. Obs.:
Simplificando muito o conceito, é possível dizer que a produção de aceto se dá a partir do mosto da uva cozido
que é transferido do barril maior para o menor ao longo dos anos. Em cada
período de descanso o líquido perde volume, torna-se mais concentrado e adquire
um pouco de sabor da madeira da qual é feita o barril. Por isso o segredo é a
ação do tempo, a variedade das madeiras utilizadas em cada pequeno barril e o
controle do ambiente para que a produção não se deteriore. Encontramos um
pequeno modelo de produção neste link. Para nós foi uma grande
surpresa porque nunca sequer imaginamos como era feito um aceto.
Idas e Vinhas
Na sequência, entramos na bodega propriamente dita, um
andar abaixo da loja.
Idas e Vinhas
Logo na entrada nos deparamos com uma sequência de tinajas (todas cheias de uvas):
Idas e Vinhas
Neste momento a guia explicou um pouco como é
realizado o processo de produção do vinho em ânforas, mas não deu o devido
destaque e detalhamento para atender a nossa curiosidade. Seguimos conhecendo o
espaço da bodega e notamos que, além de não haver tanques de aço inoxidável, a
vinícola se utilizava de estranhos tonéis em forma de moringa (ou seriam tinajas)? O que nos foi informado é que
estes estranhos recipientes são feitos de cimento (e não de argila como a cor
poderia levar a crer) e que se trata de um experimento da vinícola (no caso, o
experimento está relacionado ao formato ovalado e não à aparência externa).
Idas e Vinhas
Do outro lado da pequena bodega veem-se os
tradicionais tonéis de madeira e os barris de carvalho. Obs.: notem que os
tonéis utilizam o colmatore (já
comentado em nossa postagem sobre a Vignamaggio).
Idas e Vinhas
Terminamos o nosso pequeno tour retornando pelo caminho por onde entramos. Ainda dentro da
bodega há uma mesa e uma bancada para degustações, mas como éramos só nós dois,
fomos conduzidos novamente à loja para fazer a degustação lá mesmo. Na foto
abaixo é possível perceber como a bodega é pequena e, ao mesmo tempo,
aconchegante.
Idas e Vinhas
Em nossa degustação provamos 4 vinos: RE Pinotel (Pinot Noir e Moscatel
Rosado), RE Chardonnoir
(Chardonnay e Pinot Noir), RE Cabergnan
(Cabernet Sauvignon e Carignan), Vigno by Viña Roja (100%
Carignan) – acompanhados de queijos, pão, azeitonas e vinagre balsâmico. Para
sermos muito sinceros, é preciso dizer que nenhum dos vinhos provados nos
agradou em cheio com exceção do varietal Carignan (versão da Bodegas RE para o
projeto Vigno  – Vignadores de Carignan) – que consideramos o destaque da visita. É importante ressaltar
que, ao buscar maiores informações sobre o que degustamos, descobrimos que
praticamente todos os vinhos da bodega são muito bem pontuados em guias
especializados e por isso cremos que o problema estava conosco e não com o
vinho. Os acompanhamentos cumpriram seu papel e a guia idem, com discrição.
Embora tenhamos achado a loja muito bonita e bem decorada, os preços do
artesanato não eram acessíveis a pessoas com orçamento limitado.
É “mais passeio” ou é
“mais vinho”?
É mais empate
(seria um “vinheio”?). O tour foi
conduzido de maneira um tanto quanto burocrática, pois a guia não se esforçou
em destacar os diferenciais desta vinícola. O fato curioso é que sempre que
conseguimos fazer uma visita a sós com os guias elas são melhores do que se
estivéssemos inseridos em um grupo grande – na Bodegas RE nos pareceu que
ocorreu o contrário (pois acreditamos que se o grupo fosse maior a guia seria
menos “econômica”). Quanto aos vinhos, sentimos certa frustração porque não pudemos
provar o “vinho laranja” EN RE DO (Gewürztraminer
e Riesling)
que é uma das estrelas da casa. O vinho não estava incluído em
nossa degustação e para incluí-lo deveríamos comprar a garrafa inteira – um
risco muito alto a correr para quem nunca havia provado este tipo de vinho até
então. Como já dito, os vinhos que degustamos não empolgaram mas isso pode ser
creditado a nossa falta de experiência com o “novo”. Parece que teremos que
retornar…
¡Salud!
Enocuriosos
*fotografias
de Dagô e Simone.
Para
entender melhor o começo desta história no Valle
de Casablanca
, veja o relato de nossas visitas à Veramonte e à Emiliana
aqui e aqui.

Gostou dessa
postagem? Nossa segunda viagem ao Chile começou
aqui.

Enocuriosos… Viñas de Chile – Emiliana

Idas e Vinhas


Falta muito?
– 10
minutos.
– Quero
saber a distância, não o tempo. Aliás, vai dar tempo?

Com certeza não. A menos que passasse alguém de carro e nos desse uma carona…

Aqui?! No meio do parreiral?! Um carro?!
– É.
Eu sei que é improvável…

– Peraí, você está ouvindo isso?
Que barulho é esse?

– Parece um furgão… Estamos salvos!
– Não deixa ele passar! Quero dizer… será que a gente tem
coragem de pará-lo?
– Vamos descobrir agora…
Quando não há opção as escolhas já estão feitas. Poderíamos
mentir e dizer que pedimos carona com a maior desfaçatez, mas a verdade é que o
motorista da caminhonete da vinícola é que teve dó de nós e gentilmente ofereceu
ajuda. Nossa expressão de cansaço, as mochilas que carregávamos e o caminho a
perder de vista devem ter causado comoção. Agradecidos, nos apinhamos na cabine e demos graças aos céus por ter o passeio
salvo com aquela ajuda providencial.
Dando sequência a nossa narrativa, o relato de hoje é sobre a
visita à viña Emiliana.
Nossa ida à Emiliana
estava cercada de bastante expectativa por se tratar de uma vinícola que produz
exclusivamente vinhos orgânicos e biodinâmicos. Além disso, seria a
primeira vinícola que visitávamos com a possibilidade de realizar degustações
acompanhadas de chocolate – o que, além de incomum, soou para nós como algo
bastante instigante.
Não vamos nos aprofundar em conceituações porque não
possuímos conhecimento estruturado sobre enologia, mas podemos dizer que vinhos
orgânicos são aqueles que não se utilizam de agroquímicos durante as diversas
etapas de produção; já o conceito de biodinâmico pode ser entendido como o
respeito aos princípios da natureza, propondo a produção de artigos agrícolas
em alinhamento aos ciclos do sol, lua, planetas e a integração entre os reinos
animal, vegetal e mineral (para informações mais detalhadas visite as páginas
da vinícola aqui e aqui).
Voltando a nossa narrativa, chegamos à recepção meio que
esbaforidos (ou como se tivéssemos caído de um caminhão de mudanças). Olhamos o
relógio do salão e finalmente relaxamos – conseguimos
chegar a tempo!
Fomos muito bem recebidos pelo staff – de forma gentil e descontraída – o que ajudou a nos
sentirmos acolhidos. Após deixar nossa bagagem no escritório e recuperarmos as
energias com um bom copo de água, fomos a campo.
Nosso guia passeou conosco pelo parreiral e explicou alguns detalhes da
agricultura biodinâmica. Aproveitou para apresentar pequenos exemplos tais como
a criação de algumas alpacas (vide a foto de capa) que são utilizadas para
limpar o terreno de plantas daninhas, porém sem o efeito colateral produzido
pelas vacas (pois o peso da alpaca é muito menor e o solo não fica compactado
como ocorreria com o caminhar dos bovídeos). Em seguida fomos apresentados
também ao conceito dos galinheiros móveis que são utilizados para fazer com que
as galinhas d’angola da vinícola possam cuidar de toda a propriedade. Funciona
assim: estas aves são predadoras de diversos tipos de insetos potencialmente
nocivos ao parreiral. Como elas dificilmente se afastam de sua “vizinhança”, a
solução encontrada foi movimentar o galinheiro que está instalado sobre rodas (tal
como um reboque) por toda a propriedade de forma que as galinhas possam
“trabalhar” em todo o terreno sem se afastar de sua “casa”.
Idas e Vinhas
Ainda no campo, nos intrigou a
presença de hélices gigantescas ao longo de todo o vinhedo – muito semelhantes
a geradores de energia eólica. Questionamos nosso guia que prontamente nos
explicou que aqueles equipamentos eram, na verdade, ventiladores e que são
utilizados para impedir a formação de geadas (comuns no Valle de Casablanca em
função da entrada de massas de ar muito geladas por conta da proximidade com o
mar, entre outras causas). O uso dos ventiladores mostrou-se uma alternativa
mais eficiente do que cobrir todo o parreiral com telas (um recurso utilizado
em alguns tipos de cultivo).
Idas e Vinhas
Outro ponto que chamou nossa atenção foi a presença de
algumas oliveiras junto aos vinhedos. O guia informou que os trabalhadores da viña têm liberdade para produzir azeite
e vendem esta produção de forma independente à Emiliana (tanto na loja da vinícola quanto na cidade de Casablanca). Outro destaque do tour foi a visita à horta (orgânica e
biodinâmica) que é administrada também de forma independente por todos os
funcionários da vinícola – fomos (inclusive) apresentados a uma pequena seção que
estava sob responsabilidade do nosso guia. Ah, para ajudar a entender um pouco
mais sobre como pode ser aplicado o conceito de biodinâmico, veja esta tabela:
Idas e Vinhas
Trata-se de um calendário de colheita de produtos hortícolas
que foi criado tendo como base as fases da lua e as estações do ano (entre
outras referências). Cabe aqui uma reflexão: muitas vezes é mais fácil seguir
os caminhos da natureza e colher aquilo o que ela nos oferece – entendendo os
ciclos da vida e se adaptando a eles – do que “brigar” contra o fluxo e forçar
artificialmente uma dominância do homem sobre o meio. Pareceu-nos que seguir
essa lógica natural é um dos pilares da agricultura biodinâmica – um princípio
de harmonia, respeito e coexistência. Permitir que os trabalhadores usufruam da
terra a seu modo é também uma manifestação de respeito e harmonia e um sinal de
que a Emiliana deseja se manter
alinhada a iniciativas relacionadas à responsabilidade social.

Antes que alguém pense que estamos esquecendo que este é um blog de
vinhos, vamos falar da degustação. Após o passeio à pé pelo campo, fomos
conduzidos novamente ao edifício principal – mais precisamente a um balcão de
degustações com uma grande vista para a área externa. Havíamos agendado o Tour
e teríamos apenas que escolher se nossos acompanhamentos seriam queijos
ou chocolates orgânicos. O guia sugeriu que cada um de nós escolhesse um
acompanhamento distinto, pois assim poderíamos aproveitar os dois tipos. E desta
forma fizemos. (Sábia sugestão). Os vinhos degustados seguiram uma “crescente” quanto
a leveza e complexidade: Adobe Reserva Sauvignon Blanc, Novas Gran Reserva Sauvignon Blanc, Signos de Origen Carmenere, Coyam e . Os queijos não se destacaram, mas os chocolates orgânicos combinados
aos vinhos tintos… sem dúvida foram o ponto alto! Quanto aos vinhos, o Sauvignon Blanc da linha Novas e o Coyam foram o destaque. Curiosamente (não sabemos se em função da
safra ou pelo estágio de amadurecimento) o
pareceu-nos menos interessante que o Coyam.

Idas e Vinhas
Acreditem ou não, neste mesmo dia ainda teríamos que almoçar
em um restaurante próximo e seguir para nossa terceira e derradeira visita.
Sendo assim, nos municiamos de uma garrafa de Coyam e outra de Signos de Origen Syrah
(temos uma preferência assumida por esta casta) e partimos novamente a pé para
nosso próximo destino ainda no Valle de
Casablanca
.
É “mais passeio” ou é
“mais vinho”?
É mais vinho.
Embora seja possível visitar boa parte dos vinhedos e conhecer o conceito de
equilíbrio ambiental da propriedade (o que foi, para nós, uma experiência
enriquecedora), o fato é que a linha de produção da Emiliana não está instalada nesta propriedade e isso limita a
possibilidade de focar um pouco mais nos aspectos da produção pós-colheita.
Fomos muito bem atendidos e a degustação foi conduzida de forma muito
profissional, mas ficou aquele gostinho de “quero mais”. Dos vinhos provados
guardamos uma boa impressão do e
do Coyam – algo que já seria
esperado. Tendo como referência o custo X benefício, recomendamos a aquisição
de ao menos uma garrafa de Coyam.
¡Salud!
Enocuriosos
*fotografias
de Dagô e Simone.
Para
entender melhor o começo desta história, veja o relato de nossa visita à
Veramonte
aqui.
Obs.: Se você pretende visitar a Emiliana, mas não tem
interesse em passar antes na Veramonte, pode pegar um ônibus para Casablanca no 
Terminal San Borja (Santiago) e, ao ingressar no veículo, pedir ao motorista para
descer na estrada, em frente à vinícola (logo após o pedágio da Ruta 68). Como não há uma
parada de ônibus “oficial” neste local, pode ser necessário ir até Casablanca e
de lá retornar em um táxi – não é tão longe assim.
Gostou
dessa postagem? Nossa segunda viagem ao Chile começou
aqui.

Se quiser conhecer um
pouco mais sobre a Emiliana, não deixe de ler o
relato sobre a degustação conduzida por Ana Cristina e Alexandre na
Bardot – Vinhos e Arte.

Aconteceu… Idas e Vinhas na Bardot – Vinhos e Artes – vinícola Emiliana

Idas e Vinhas

No último sábado, 02 de Abril de 2016, voltamos
à Bardot – Vinhos e Artes
para conduzir uma degustação muito legal! Nosso amigo Abel Mendes (Casa Flora)
sabe escolher bem não só os temas mas também a sequência dos vinhos, o que
torna seus convites sempre irrecusáveis.

Idas e Vinhas
Da esquerda para a direita: Alexandre, Ana Cristina e Abel
A degustação foi especial por dois motivos:
tratam-se de vinhos orgânicos e biodinâmicos* e que são
produzidos pela excelente vinícola Emiliana,
sediada no Valle de Casablanca, Chile.
Uma das etapas da nossa Maratona enológica pelo Chile em 2012 foi justamente a Emiliana. Ficamos muito
impressionados com toda a estrutura da vinícola e o cuidado com que nos
receberam. Foram quase 4 horas de visita, onde pudemos aprender mais ainda
sobre as práticas agrícolas biodinâmicas. Tais práticas (que conferimos também
na Matetic
e na Antiyal)
fazem parte de uma filosofia maior – a Antroposofia – cujo patriarca foi
o austríaco Rudolf Steiner (1861 – 1925).
De acordo com Steiner, o homem deve desenvolver
seu espírito, afastando-se do excesso de materialismo tornando-se uno com a
Natureza. Daí o emprego de técnicas agrícolas que fortaleçam uma “relação
espiritual–ética com o solo, com as plantas e os animais e com os coirmãos
humanos.” Saiba mais sobre a Agricultura Biodinâmica aqui.
Além do enfoque de serem vinhos naturais, a
Emiliana produz vinhos de excelente qualidade.
Em tarde de casa cheia e animada, apresentamos
6 rótulos das linhas reserva e Gran Reserva Adobe e Novas,
respectivamente.
Idas e Vinhas

Adobe Reserva Chardonnay 2014 – Valle de
Casablanca
Adobe Reserva Pinot Noir 2014 – Valle de
Colchagua
Adobe Reserva Carmenére 2014 – Valle de
Colchagua
Adobe Reserva Merlot 2014 – Valle de Rapel
Novas Gran Reserva Pinot Noir 2014 – Valle de
Casablanca
Novas Gran Reserva Cabernet/Merlot 2013 – Valle
do Maipo
Idas e Vinhas
Foi um empolgante passeio rico em castas e
também regiões chilenas. A Emiliana tem mais de 700 hectares de vinhedos
espalhados pelo Chile, com o cuidado de plantar as uvas que produzem melhores
resultados em cada Vale.
Escolher o melhor vinho foi tarefa difícil!
Toda a seleção foi muito apreciada. Quanto aos destaques, todos concordaram que
o Chardonnay (com 5% do lote passando em madeira) é de altíssima
qualidade. Passando-se aos tintos, o Adobe Reserva Merlot e o Novas
Gran Reserva Cabernet/Merlot
foram aclamados.
Agradecemos a todos os presentes que entraram
no clima da tarde leve e descontraída, e novamente ao Abel e à sempre gentil
equipe da Bardot
pela oportunidade. Que venham as próximas!
Idas e Vinhas

*Leia aqui
sobre uma degustação sobre vinhos orgânicos e biodinâmicos que conduzimos, e
onde apresentamos um dos vinhos ícones da Emiliana, o Coyam.

Os vinhos apresentados você encontra na Bardot Vinhos e Artes.

Enocuriosos… Viñas de Chile – Veramonte

Idas e Vinhas

Sempre que começamos a planejar um roteiro de visitas a vinícolas surge,
quase que de imediato, uma questão: “– É possível visitar estas bodegas
utilizando transporte público?” Pode parecer pouco relevante à primeira vista,
mas para os Enocuriosos é importante
empenhar o orçamento com visitas privativas e aquisição de bons vinhos e para
isso abrimos mão de gastar dinheiro com transporte exclusivo (remis e transfer)
– mesmo que isso acabe por trazer alguns pequenos contratempos.
As próximas postagens sobre as
vinícolas do Chile estão impregnadas deste espírito “enomochileiro”.

Desde nossa primeira viagem ao Chile (realizada apenas
6 meses antes) sentimos que seria imprescindível visitar o Valle de Casablanca e
aproveitar um pouco da fama que a região tem de produzir excelentes vinhos
brancos. Não queríamos alugar um carro porque isso acabaria por inibir nosso
desejo de degustar livremente. Contratar uma agência de “enoturismo de massa”
também não seria uma opção válida. Olhando no mapa é fácil perceber que há
várias vinícolas enfileiradas ao longo da ruta
68
e nosso raciocínio bastante simplório foi: “– se o ônibus percorre a ruta até Casablanca, ele há de passar em
frente ao nosso primeiro destino do dia”. Acertamos na mosca! A postagem de
hoje é sobre nossa visita à Casona Veramonte.
Nosso plano era sair de Santiago bem cedo e pernoitar por 3
noites no Vale de Casablanca – por isso trazíamos conosco alguma bagagem e
também o espaço necessário para acomodar algumas garrafas que certamente
compraríamos nas 6 visitas planejadas para o Vale (maior parte da bagagem,
deixamos no hotel, em Santiago, conforme já explicamos em outra ocasião – veja aqui).
Havíamos decidido não fazer qualquer tipo de tour na Veramonte por
dois motivos: (1) faríamos três visitas naquele dia e (2) não queríamos chegar
tarde ao nosso segundo passeio agendado para aquela manhã (pois poderia gerar
um atraso em cascata). Como nossa proposta era apenas degustar vinhos, nos
certificamos de que não seria necessário fazer reserva e tratamos de acertar os
detalhes relacionados ao deslocamento. O ponto de partida é o Terminal San Borja (já
citado em nossa postagem sobre a Viña Undurraga).
Ao ingressar no ônibus, explique ao motorista que você deseja descer na
estrada, em frente à Veramonte (a
localização precisa é o quilômetro 66 da ruta
68
). Não há uma parada de ônibus “oficial” neste local, mas é sabido que
algumas pessoas (na imensa maioria os trabalhadores da viña) descem em frente à vinícola. A parada é logo após o segundo túnel da rodovia e antes da
praça de pedágio. (Se algo der errado, você logo perceberá). Após desembarcar
na estrada, bastou andar 500 metros e logo estávamos dentro da enoboutique e
recepção.

Procuramos por uma das melhores degustações disponíveis à
época e pedimos para incrementá-la com os queijos que eram servidos em outro tour, pois não seria muito auspicioso
degustar vinhos às 10 horas da manhã sem algo para acompanhar (hoje o sítio
virtual da Veramonte oferece mais opções de degustações, algumas tão interessantes
que nos deu vontade de voltar a visitá-la em breve). O profissional que nos
atendia pediu um minuto para consultar outra pessoa do staff e logo em seguida informou que seria possível sim atender ao
nosso apelo com um valor adicional que consideramos mais do que justo.

Como havíamos chegado sem avisar, nossa degustação não estava preparada
e por isso mais um breve instante nos foi solicitado para arrumar a mesa em um
canto da loja – com uma bela vista para a sala de barricas.

Idas e Vinhas

Assim que
fomos acomodados à mesa, recebemos as notas de degustação de todos os vinhos
que nos seriam servidos bem como algumas orientações a respeito dos queijos que
complementariam a experiência. Embora de nível intermediário, as informações
foram suficientes para satisfazer nossa fome de conhecimento. Em seguida,
ficamos “a sós” neste pequeno refúgio da loja.

Degustamos 4 vinhos – Veramonte Reserva Sauvignon Blanc 2014, Ritual Pinot Noir 2013, Primus The Blend 2013 e Neyen 2010 – poucas vezes uma sequência de vinhos
mostrou-se para nós tão adequada e bem sucedida no intento de demonstrar o que
de melhor e mais variado a casa tem para oferecer a seus visitantes. Os queijos
“maridaram” muito bem com os vinhos e não há nada a ressalvar quanto ao
conforto e beleza do ambiente. Estávamos muitíssimo à vontade.

Idas e Vinhas

A
loja (já à época – março de 2015) era bastante bonita e, ao ver fotos atuais do
mesmo local, foi possível identificar que fizeram uma bela reforma. A Veramonte possui um portfólio extenso
e isso facilita bastante a tarefa de projetar uma boutique porque a variedade de
formas, cores e rótulos multiplica as possibilidades de arranjo – uma pena não
termos boas fotos para ilustrar melhor.

Idas e Vinhas
Antes de
encerrar este relato gostaríamos de partilhar com quem nos lê uma situação
curiosa. Assim que chegamos à Veramonte
informamos ao staff que tínhamos
visita agendada para outra vinícola com localização muito próxima e perguntamos
se seria possível ir à pé de uma bodega a outra, por dentro do vinhedo (elas
são vizinhas na estrada). Foi visível o espanto com nossa pergunta (porque
havíamos acabado de chegar) e após alguns segundos de indefinição a resposta
foi unânime – teríamos que solicitar um táxi (algo que os funcionários se
prontificaram a fazer quando chegada a hora). Faltando apenas 40 minutos para
nosso próximo compromisso, achamos estranho que o táxi não havia sequer sido
chamado (pois percebemos que todos os atendentes da loja estavam ocupados com
outras atividades) e perguntamos se havia algum problema. Um dos atendentes nos
chamou para um canto da loja e contou em um “quase sussurro” que não valeria a
pena chamar um táxi, pois o caminho que ele faria vindo de Casablanca até a Veramonte é bem maior e mais demorado
do que o trajeto que faríamos até a vinícola vizinha. Em seguida, nos orientou
a utilizar a saída de serviço da bodega (pela lateral) avançando pelos vinhedos
da Viña Emiliana. Agradecemos aliviados
e felizes (afinal era isso o que queríamos deste o início) e saímos com pressa,
duas mochilas nas costas, um Ritual
Pinot Noir 2013
e um Primus The
Blend 2013
. Tínhamos apenas 20 minutos e um longo quartel de Cabernet Sauvignon a percorrer embaixo de
sol antes de nossa próxima enoexperiência.
Em breve
contaremos aqui o resultado desta gincana.
É “mais passeio” ou é
“mais vinho”?
É mais
vinho. Na verdade, não fizemos qualquer passeio e, portanto, não poderíamos
avaliar algo que não conhecemos de fato. A degustação atendeu perfeitamente a nossa
expectativa e necessidade. Agradou-nos bastante a flexibilidade dos
profissionais que nos atenderam, pois acolheram com gentileza nossas “particularidades”
e ajudaram a fazer daquele momento algo realmente especial. É importante deixar
registrado que lamentamos profundamente não ter adquirido uma garrafa do Neyen, mas, naquele momento, pensamos
estar sendo prudentes – considerando o tanto de vinícolas que ainda tínhamos
por visitar… Ao fim daquela viagem mesmo, diríamos que fomos prudentemente
bobos.
¡Salud!
Enocuriosos
*fotografias
de Dagô e Simone.

Gostou dessa
postagem? Nossa segunda viagem ao Chile começou
aqui.


Ana Cristina e Alexandre Follador também visitaram a Veramonte! Veja aqui.