Agenda… Happy Wine Hour 06 de dezembro de 2017 – Orgânicos e Biodinâmicos

O próximo dia 06 de Dezembro é dia de Happy Wine Hour! E o tema são vinhos orgânicos e biodinâmicos produzidos pela vinícola chilena Huaso de Sauzal, destaque do prestigiado Guia Descorchados.

Processos
de produção mais naturais – essa é a proposta dos vinhos orgânicos e biodinâmicos.
E um de seus expoentes no Chile é Renán
Cancino
, da Huaso
de Sauzal
. Nessa Wine
Experience
, descubra porque esses vinhos são destaque no
prestigiado Guia
Descorchados.

A vitivinicultura orgânica segue regras bastante rígidas para utilização de produtos químicos e fertilizantes sintéticos nas vinhas, além de buscar práticas eco sustentáveis. 
Mas a biodinâmica eleva a outro patamar tal preocupação. As práticas agrícolas biodinâmicas  fazem parte de uma filosofia maior – a Antroposofia – cujo patriarca foi o austríaco Rudolf Steiner (1861 – 1925). De acordo com Steiner, o homem deve desenvolver seu espírito, afastando-se do excesso de materialismo tornando-se uno com a Natureza. Daí o emprego de técnicas agrícolas que fortaleçam uma “relação espiritual–ética com o solo, com as plantas e os animais e com os coirmãos humanos.” 
Atualmente muitas vinícolas de regiões tradicionais vêm adotando as vitiviniculturas orgânica e biodinâmica. Mas tais práticas produzem vinhos melhores?
Venha conferir conosco!! No mínimo, são vinhos mais interessantes! E quando produzidos em limitadíssima escala como os Huaso de Sauzal, é garantia de uma experiência exclusiva.

Garnacha 2013,
Carignan 2014,
Vigno Carignan 2013
e Chilena (País) 2014
são os rótulos escolhidos para essa noite especial. O trabalho de Renán retoma
a “velha enologia do campo”, pura intuição e mínima intervenção,
resultando em vinhos autênticos,  que são reflexo do seu terroir.

E tudo isso acontece no belo espaço Como em Casa, onde Fany Beigler garante as comidinhas que tornam  a noite ainda mais especial.

Os Vinhos para celebrar
Espumante orgânico Jasmine Monet rosé (Aregentina)
Vigno – Huaso de Sauzal Cariñena 2013 (Chile)
Huaso de Sauzal Cariñena 2014 (Chile)
Huaso de Sauzal País (Chilena) 2014 (Chile)
Huaso de Sauzal Garnacha 2013 (Chile)
Para comerAntepastos
Prato quente
Sobremesa

Água, licor e café


Serviço
Data: 06 de dezembro de 2017 (inscrições até o dia 04 de Dezembro)
Local: Rua Tonelero, 25, cobertura. Copacabana – RJ

Investimento
R$165,00 por pessoa
Membros do Idas e Vinhas Wine Club: R$155,00. 
Não é membro? Inscreva-se aqui!
As boas vindas iniciam as 19h30 e por respeito aos demais participantes a degustação começará pontualmente às 20h.

Forma de pagamento
Depósito identificado ou transferência bancária em parcela única em conta da Caixa Econômica.

Inscrições e informações
contato@idasevinhas.com.br

*Atenção: não fazemos reserva, as inscrições são confirmadas mediante a comprovação do pagamento.

Abaixo está a arte da divulgação (clique para ampliar).

Aconteceu… Happy Wine Hour com vinhos Odfjell e Bisquertt

Idas e Vinhas

A temporada 2017 da Happy Wine Hour começou!! E o primeiro
encontro foi super bacana. Os vinhos, que impressionaram, propiciaram o clima
perfeito para uma noite descontraída na qual alguns laços se fortaleceram e
novos foram criados.

O encontro da última
quarta-feira, 15 de fevereiro/2017, aconteceu no Restaurante Ícaro do Shopping Rio Sul. 
Idas e Vinhas

Iniciamos a noite recepcionando os convidados com dois
espumantes que em nossa opinião estão entre os destaques da produção nacional,
e com preços bastante corretos. Foram o Abreu Garcia Brut Festividad e o Hermann Lírica Brut, ambos feitos pelo
método tradicional – com a segunda fermentação em garrafa.
Idas e Vinhas
A reação inicial, de alegria e satisfação, já nos
deixou confiantes no sucesso da noite!
Iniciamos a sequência de tintos com dois rótulos da
linha Crazy Rows, da tradicional
vinícola chilena Bisquertt.
Depois vieram quatro rótulos da Viña Odfjell, também
do Chile, propriedade que leva o nome da família de armadores noruegueses. Os vinhos são feitos a
partir de uvas orgânicas, de vinhedos centenários em regiões que vêm sendo
redescobertas no Chile.
Ao longo da degustação, foram servidos antepastos e,
para acompanhar os dois últimos tintos, penne
ao molho de gorgonzola.
Idas e Vinhas

Os Vinhos:
Espumantes de boas vindas: Abreu Garcia Festividad e Hermann Lírica
Brut
Viña Bisquertt – Crazy Rows
Cinsault 2013
Viña Bisquertt – Crazy Rows Tempranillo 2013
Viña Odfjell – Orzada Cabernet Franc 2012
Viña Odfjell – Orzada Carignan 2013 (90 pontos Descorchados
e Wine Spectator)
Viña Odfjell – Capítulo 2014 (91 pontos Descorchados)
Viña Odfjell – Aliara 2011 (91 pontos Descorchados)
Top 3
A disputa foi acirrada, mas conseguimos chegar a um
resultado:
1° lugar: Odfjell Orzada Carignan 2013
2° lugar: Odfjell Aliara 2011 e Orzada Cabernet Franc 2012
3° lugar: Odfjell Capítulo 2014
Idas e Vinhas

Não deixe de participar das nossas Happy Wine Hour! É
sempre uma ótima oportunidade para degustar excelentes vinhos, apreciar boa
comida e fazer novos amigos.
Venha fazer parte do Idas e Vinhas Wine Club aqui (não requer
investimento).
Aguardamos vocês na nossa próxima Happy Wine Hour

Enocuriosos… Viñas de Chile – Emiliana

Idas e Vinhas


Falta muito?
– 10
minutos.
– Quero
saber a distância, não o tempo. Aliás, vai dar tempo?

Com certeza não. A menos que passasse alguém de carro e nos desse uma carona…

Aqui?! No meio do parreiral?! Um carro?!
– É.
Eu sei que é improvável…

– Peraí, você está ouvindo isso?
Que barulho é esse?

– Parece um furgão… Estamos salvos!
– Não deixa ele passar! Quero dizer… será que a gente tem
coragem de pará-lo?
– Vamos descobrir agora…
Quando não há opção as escolhas já estão feitas. Poderíamos
mentir e dizer que pedimos carona com a maior desfaçatez, mas a verdade é que o
motorista da caminhonete da vinícola é que teve dó de nós e gentilmente ofereceu
ajuda. Nossa expressão de cansaço, as mochilas que carregávamos e o caminho a
perder de vista devem ter causado comoção. Agradecidos, nos apinhamos na cabine e demos graças aos céus por ter o passeio
salvo com aquela ajuda providencial.
Dando sequência a nossa narrativa, o relato de hoje é sobre a
visita à viña Emiliana.
Nossa ida à Emiliana
estava cercada de bastante expectativa por se tratar de uma vinícola que produz
exclusivamente vinhos orgânicos e biodinâmicos. Além disso, seria a
primeira vinícola que visitávamos com a possibilidade de realizar degustações
acompanhadas de chocolate – o que, além de incomum, soou para nós como algo
bastante instigante.
Não vamos nos aprofundar em conceituações porque não
possuímos conhecimento estruturado sobre enologia, mas podemos dizer que vinhos
orgânicos são aqueles que não se utilizam de agroquímicos durante as diversas
etapas de produção; já o conceito de biodinâmico pode ser entendido como o
respeito aos princípios da natureza, propondo a produção de artigos agrícolas
em alinhamento aos ciclos do sol, lua, planetas e a integração entre os reinos
animal, vegetal e mineral (para informações mais detalhadas visite as páginas
da vinícola aqui e aqui).
Voltando a nossa narrativa, chegamos à recepção meio que
esbaforidos (ou como se tivéssemos caído de um caminhão de mudanças). Olhamos o
relógio do salão e finalmente relaxamos – conseguimos
chegar a tempo!
Fomos muito bem recebidos pelo staff – de forma gentil e descontraída – o que ajudou a nos
sentirmos acolhidos. Após deixar nossa bagagem no escritório e recuperarmos as
energias com um bom copo de água, fomos a campo.
Nosso guia passeou conosco pelo parreiral e explicou alguns detalhes da
agricultura biodinâmica. Aproveitou para apresentar pequenos exemplos tais como
a criação de algumas alpacas (vide a foto de capa) que são utilizadas para
limpar o terreno de plantas daninhas, porém sem o efeito colateral produzido
pelas vacas (pois o peso da alpaca é muito menor e o solo não fica compactado
como ocorreria com o caminhar dos bovídeos). Em seguida fomos apresentados
também ao conceito dos galinheiros móveis que são utilizados para fazer com que
as galinhas d’angola da vinícola possam cuidar de toda a propriedade. Funciona
assim: estas aves são predadoras de diversos tipos de insetos potencialmente
nocivos ao parreiral. Como elas dificilmente se afastam de sua “vizinhança”, a
solução encontrada foi movimentar o galinheiro que está instalado sobre rodas (tal
como um reboque) por toda a propriedade de forma que as galinhas possam
“trabalhar” em todo o terreno sem se afastar de sua “casa”.
Idas e Vinhas
Ainda no campo, nos intrigou a
presença de hélices gigantescas ao longo de todo o vinhedo – muito semelhantes
a geradores de energia eólica. Questionamos nosso guia que prontamente nos
explicou que aqueles equipamentos eram, na verdade, ventiladores e que são
utilizados para impedir a formação de geadas (comuns no Valle de Casablanca em
função da entrada de massas de ar muito geladas por conta da proximidade com o
mar, entre outras causas). O uso dos ventiladores mostrou-se uma alternativa
mais eficiente do que cobrir todo o parreiral com telas (um recurso utilizado
em alguns tipos de cultivo).
Idas e Vinhas
Outro ponto que chamou nossa atenção foi a presença de
algumas oliveiras junto aos vinhedos. O guia informou que os trabalhadores da viña têm liberdade para produzir azeite
e vendem esta produção de forma independente à Emiliana (tanto na loja da vinícola quanto na cidade de Casablanca). Outro destaque do tour foi a visita à horta (orgânica e
biodinâmica) que é administrada também de forma independente por todos os
funcionários da vinícola – fomos (inclusive) apresentados a uma pequena seção que
estava sob responsabilidade do nosso guia. Ah, para ajudar a entender um pouco
mais sobre como pode ser aplicado o conceito de biodinâmico, veja esta tabela:
Idas e Vinhas
Trata-se de um calendário de colheita de produtos hortícolas
que foi criado tendo como base as fases da lua e as estações do ano (entre
outras referências). Cabe aqui uma reflexão: muitas vezes é mais fácil seguir
os caminhos da natureza e colher aquilo o que ela nos oferece – entendendo os
ciclos da vida e se adaptando a eles – do que “brigar” contra o fluxo e forçar
artificialmente uma dominância do homem sobre o meio. Pareceu-nos que seguir
essa lógica natural é um dos pilares da agricultura biodinâmica – um princípio
de harmonia, respeito e coexistência. Permitir que os trabalhadores usufruam da
terra a seu modo é também uma manifestação de respeito e harmonia e um sinal de
que a Emiliana deseja se manter
alinhada a iniciativas relacionadas à responsabilidade social.

Antes que alguém pense que estamos esquecendo que este é um blog de
vinhos, vamos falar da degustação. Após o passeio à pé pelo campo, fomos
conduzidos novamente ao edifício principal – mais precisamente a um balcão de
degustações com uma grande vista para a área externa. Havíamos agendado o Tour
e teríamos apenas que escolher se nossos acompanhamentos seriam queijos
ou chocolates orgânicos. O guia sugeriu que cada um de nós escolhesse um
acompanhamento distinto, pois assim poderíamos aproveitar os dois tipos. E desta
forma fizemos. (Sábia sugestão). Os vinhos degustados seguiram uma “crescente” quanto
a leveza e complexidade: Adobe Reserva Sauvignon Blanc, Novas Gran Reserva Sauvignon Blanc, Signos de Origen Carmenere, Coyam e . Os queijos não se destacaram, mas os chocolates orgânicos combinados
aos vinhos tintos… sem dúvida foram o ponto alto! Quanto aos vinhos, o Sauvignon Blanc da linha Novas e o Coyam foram o destaque. Curiosamente (não sabemos se em função da
safra ou pelo estágio de amadurecimento) o
pareceu-nos menos interessante que o Coyam.

Idas e Vinhas
Acreditem ou não, neste mesmo dia ainda teríamos que almoçar
em um restaurante próximo e seguir para nossa terceira e derradeira visita.
Sendo assim, nos municiamos de uma garrafa de Coyam e outra de Signos de Origen Syrah
(temos uma preferência assumida por esta casta) e partimos novamente a pé para
nosso próximo destino ainda no Valle de
Casablanca
.
É “mais passeio” ou é
“mais vinho”?
É mais vinho.
Embora seja possível visitar boa parte dos vinhedos e conhecer o conceito de
equilíbrio ambiental da propriedade (o que foi, para nós, uma experiência
enriquecedora), o fato é que a linha de produção da Emiliana não está instalada nesta propriedade e isso limita a
possibilidade de focar um pouco mais nos aspectos da produção pós-colheita.
Fomos muito bem atendidos e a degustação foi conduzida de forma muito
profissional, mas ficou aquele gostinho de “quero mais”. Dos vinhos provados
guardamos uma boa impressão do e
do Coyam – algo que já seria
esperado. Tendo como referência o custo X benefício, recomendamos a aquisição
de ao menos uma garrafa de Coyam.
¡Salud!
Enocuriosos
*fotografias
de Dagô e Simone.
Para
entender melhor o começo desta história, veja o relato de nossa visita à
Veramonte
aqui.
Obs.: Se você pretende visitar a Emiliana, mas não tem
interesse em passar antes na Veramonte, pode pegar um ônibus para Casablanca no 
Terminal San Borja (Santiago) e, ao ingressar no veículo, pedir ao motorista para
descer na estrada, em frente à vinícola (logo após o pedágio da Ruta 68). Como não há uma
parada de ônibus “oficial” neste local, pode ser necessário ir até Casablanca e
de lá retornar em um táxi – não é tão longe assim.
Gostou
dessa postagem? Nossa segunda viagem ao Chile começou
aqui.

Se quiser conhecer um
pouco mais sobre a Emiliana, não deixe de ler o
relato sobre a degustação conduzida por Ana Cristina e Alexandre na
Bardot – Vinhos e Arte.

Aconteceu… Idas e Vinhas na Bardot – Vinhos e Artes – vinícola Emiliana

Idas e Vinhas

No último sábado, 02 de Abril de 2016, voltamos
à Bardot – Vinhos e Artes
para conduzir uma degustação muito legal! Nosso amigo Abel Mendes (Casa Flora)
sabe escolher bem não só os temas mas também a sequência dos vinhos, o que
torna seus convites sempre irrecusáveis.

Idas e Vinhas
Da esquerda para a direita: Alexandre, Ana Cristina e Abel
A degustação foi especial por dois motivos:
tratam-se de vinhos orgânicos e biodinâmicos* e que são
produzidos pela excelente vinícola Emiliana,
sediada no Valle de Casablanca, Chile.
Uma das etapas da nossa Maratona enológica pelo Chile em 2012 foi justamente a Emiliana. Ficamos muito
impressionados com toda a estrutura da vinícola e o cuidado com que nos
receberam. Foram quase 4 horas de visita, onde pudemos aprender mais ainda
sobre as práticas agrícolas biodinâmicas. Tais práticas (que conferimos também
na Matetic
e na Antiyal)
fazem parte de uma filosofia maior – a Antroposofia – cujo patriarca foi
o austríaco Rudolf Steiner (1861 – 1925).
De acordo com Steiner, o homem deve desenvolver
seu espírito, afastando-se do excesso de materialismo tornando-se uno com a
Natureza. Daí o emprego de técnicas agrícolas que fortaleçam uma “relação
espiritual–ética com o solo, com as plantas e os animais e com os coirmãos
humanos.” Saiba mais sobre a Agricultura Biodinâmica aqui.
Além do enfoque de serem vinhos naturais, a
Emiliana produz vinhos de excelente qualidade.
Em tarde de casa cheia e animada, apresentamos
6 rótulos das linhas reserva e Gran Reserva Adobe e Novas,
respectivamente.
Idas e Vinhas

Adobe Reserva Chardonnay 2014 – Valle de
Casablanca
Adobe Reserva Pinot Noir 2014 – Valle de
Colchagua
Adobe Reserva Carmenére 2014 – Valle de
Colchagua
Adobe Reserva Merlot 2014 – Valle de Rapel
Novas Gran Reserva Pinot Noir 2014 – Valle de
Casablanca
Novas Gran Reserva Cabernet/Merlot 2013 – Valle
do Maipo
Idas e Vinhas
Foi um empolgante passeio rico em castas e
também regiões chilenas. A Emiliana tem mais de 700 hectares de vinhedos
espalhados pelo Chile, com o cuidado de plantar as uvas que produzem melhores
resultados em cada Vale.
Escolher o melhor vinho foi tarefa difícil!
Toda a seleção foi muito apreciada. Quanto aos destaques, todos concordaram que
o Chardonnay (com 5% do lote passando em madeira) é de altíssima
qualidade. Passando-se aos tintos, o Adobe Reserva Merlot e o Novas
Gran Reserva Cabernet/Merlot
foram aclamados.
Agradecemos a todos os presentes que entraram
no clima da tarde leve e descontraída, e novamente ao Abel e à sempre gentil
equipe da Bardot
pela oportunidade. Que venham as próximas!
Idas e Vinhas

*Leia aqui
sobre uma degustação sobre vinhos orgânicos e biodinâmicos que conduzimos, e
onde apresentamos um dos vinhos ícones da Emiliana, o Coyam.

Os vinhos apresentados você encontra na Bardot Vinhos e Artes.

Idas e Vinhas na Estrada… Itália 2015: Vinícola Biodinâmica Cosimo Maria Masini – 28/08

A vinícola Cosimo Maria Masini fica nas colinas de
San Miniato, uma antiga vila medieval no coração da Toscana, na
província de Pisa, ao longo do percurso da Via Francigena, terra do vinho e da trufa
branca (il pregiato tuber magnatum).

Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Entrada da vinícola

Nessa temporada na Toscana, fui em companhia dos
Enocuriosos (casal amigo, que colaboram com suas experiências no Idas e
Vinhas). A Cosimo Maria Masini foi a primeira vinícola visitada. Assim
que chegamos fomos atendidos por Nicoletta Lombardi, responsável pelos clientes
e pela loja da vinícola. Nos apresentamos e em seguida o enólogo Francesco
de Filippis
juntou-se ao grupo. Francesco nos contou a história da vinícola
e esclareceu sobre a produção de vinhos orgânicos e biodinâmicos. Salientou que
embora estejam “na moda”, são formas já tradicionais de cultivo, que
infelizmente vêm sendo utilizadas por alguns apenas como forma de autopromoção.
Idas e Vinhas
Antiga mansão
A propriedade é muito bonita, possui uma antiga
mansão que pertenceu à família Bonaparte e foi adquirida em meados do
século XIX pelo Marquês Cosimo Ridolfi, fundador da Faculdade de
Agricultura e responsável por implantar técnicas inovadoras de manejo orgânico
dos vinhedos.
No ano de 2000 a família Masini adquiriu
a vinícola de 40 hectares e logo em seguida começaram os estudos para implementar
o cultivo das videiras utilizando as técnicas e preceitos da biodinâmica.
Em 2007 recebeu a certificação pela Demeter.
Idas e Vinhas
Vinhedos

Dos 40ha, 14,5ha são cultivados com vinhedos
sendo: 6ha de Sangiovese, 3ha de Cabernet Sauvignon, 1ha de Cabernet
Franc
, 2ha de Chardonnay e Sauvignon Blanc, 2ha de castas
locais (Bonamico é uma delas) e 0,5ha de Trebbiano e Malvasia
para a elaboração do Orange Wine. Os vinhedos mais antigos possuem 50
anos e a média dos demais fica entre 15 e 20 anos.
Francesco de Filippis é o enólogo responsável pela condução dos
vinhedos aplicando as técnicas biodinâmicas e pela elaboração dos 7 rótulos da vinícola. Que produz apenas 40 mil garrafas anualmente.
Para Francesco a biodinâmica aplicada aos
vinhedos propicia a maturação uniforme das uvas e a preservação das
características particulares de cada casta, uma vez que são livres de produtos
químicos e/ou sintéticos.
A forma como os vinhos são elaborados é
bastante rústica. As uvas são colhidas manualmente, desengaçadas e
colocadas nos tanques para fermentar sem adição de leveduras, enzimas e/ou
outro produto químico. Também não há correções enológicas (acidez, taninos,
álcool…) e os vinhos não são clarificados nem filtrados. Apenas adiciona-se
uma pequena quantidade de SO2 ao vinho antes do envase, para evitar
a degradação precoce. Os vinhos mais simples são fermentados em tanques de
concreto e os demais em tanques de carvalho com capacidade de 10 hectolitros. Segundo
Francesco, ele não segue um protocolo de produção para criar um padrão em seus
vinhos: “Obedecemos o ciclo da natureza, pois as condições climáticas nunca são
as mesmas durante os anos.”
 

Idas e Vinhas
Cofermentação
Outro ponto interessante na elaboração dos
vinhos da Cosimo que a difere das demais é que Francesco aplica a cofermentação,
técnica que consiste na fermentação de duas ou mais castas ao mesmo tempo, em
um mesmo recipiente. Segundo Francesco, essa técnica ressalta os aromas
frutados e florais da uva, e intensifica a sua cor. Para aplicá-la o enólogo
tem que conhecer muito bem os seus vinhedos e as necessidades específicas de
cada casta pois, só para exemplificar, cada uma tem período de maturação
diferente.
Elaboração do Vinsanto
Nunca havia presenciado a elaboração do
Vinsanto e foi uma experiência muito interessante.
Francesco mostrou a sala onde as uvas Trebbiano
e Malvasia ficam em “Vinsantaia” – termo criado por ele e que
consiste no processo desidratação das uvas após os cachos passarem durante 4
meses pendurados por ganchos em uma sala bem ventilada. Depois os frutos são suavemente
prensados, originando um mosto altamente concentrado em açúcares, acidez,
aromas e sabores. Este mosto é transferido para barricas de carvalho com
capacidade para 100 litros onde fermentam naturalmente por um período de 5
anos.
 

Idas e Vinhas
A “Vinsantaia”
Após a visita à adega chegou a hora de provar
os vinhos, os quais foram perfeitamente harmonizados com os maravilhosos
embutidos italianos e queijos, finalizando com um belo prato de massa elaborado
pela Nicoletta, tudo isso ao ar livre, muito próximo dos vinhedos. Cenário
perfeito!

A conversa, os vinhos e os pratos estavam tão
bons que eu me esqueci completamente de tirar fotos… desculpem! Mas o vinho é
isso mesmo, nos proporciona momentos únicos e inesquecíveis, às vezes de
completo enlevo.

 

Idas e Vinhas
Daphné, Sincero, Cosimo e Fedardo
Os vinhos degustados foram:
Daphné (100% Trebbiano Toscano), o vinho fica em contato com as lias (sur
lies
) em barris de carvalho novo com capacidade para 500 litros.
Orange wine diferente dos que conheço. Com a proposta de ser mais leve pois
fica menos tempo em contato com as cascas e consequentemente sentem-se menos os
taninos que elas transmitem ao vinho.
Com aromas cítricos de toranja, melão e notas
de mel. Em boca mostrou excelente acidez, bom corpo, com sabor de pêssego, mel
e especiarias. Final longo e levemente tostado. Vale a pena provar!!!
Sincero (85% Sangiovese e 15% de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc), 6
meses em carvalho
Vinho de entrada da vinícola, fermentado em
tanques de cimento. Muito frutado no nariz (morangos, amoras, cerejas). Em boca
é de médio corpo, taninos macios e boa acidez. Também frutado em boca com final
levemente adocicado. Muito bom para o dia a dia.
Cosimo 2013 (90% Sangiovese e 10% Bonamico), 24 meses em carvalho
A casta Bonamico é autóctone da Itália e foi
muito cultivada na Toscana até 1960. Hoje existe não mais de 100 hectares
plantados. Casta de maturação tardia que produz altos rendimentos, vinhos com
médio corpo, pouco álcool e alta acidez e muitas vezes com taninos rústicos.
Destaque para os aromas de frutas vermelhas
maduras, taninos aveludados, médio corpo, boa acidez, leve toque de tostado,
com final longo e adocicado.
Fedardo 2007 (90% Trebbiano e 10% Malvasia Bianca), vinhedos com mais de
50 anos. 5 anos fermentando e macerando em barris de carvalho de 100 litros
Com belos aromas de passas, ameixa seca,
avelãs, amêndoas, canela, flor e casca de laranja. Em boca é untuoso, com
acidez viva, complexo, final muito longo e tostado.
Belíssimo vinho!
Foi um belo início para a série de visitas. O
próximo destino… Vignamaggio!
Francesco, Nicolleta e Alexandre