Enocuriosos… Bebericando por aí – Esencia Uruguay – Montevidéu

Idas e Vinhas



Nos
dois últimos anos os Enocuriosos
estiveram em Montevidéu durante o
verão para apreciar o carnaval local e, se possível, curtir alguma vinícola das
tantas naquele país – famoso pela tannat.
Infelizmente, visitar bodegas no Uruguai sem contratar uma agência de turismo
não é das tarefas mais fáceis (o que dará origem a uma nova série sobre esse
país aqui no blog) e, por isso, por
uma questão de praticidade, propostas como a da Esencia Uruguay nos chamam a atenção.
Já havíamos observado a loja em 2015, mas não tivemos tempo de disfrutar das
suas ofertas àquele momento. Este ano, ao retornar ao encantador ‘paisito’, nos aventuramos a conhecê-la.

A Esencia
Uruguay
tem como proposta ser uma boutique de vinhos produzidos
exclusivamente no Uruguai. Há também venda de uma marca de azeite (igualmente
local) e chocolates artesanais. Além disso, um grande atrativo da casa (ao
menos para nós) é poder degustar boa parte da produção de vinhos finos do país
sem precisar se aventurar por Carmelo,
Canelones ou Punta Ballena. Cabe ressaltar, entretanto, que a Esencia Uruguay é, primeiramente, uma
loja e, como tal, tem por principal atividade a venda de vinhos aos turistas
(que, em alguns momentos, chegam em “bando”) e cremos que sua localização é
estratégica para atingir seu objetivo (está localizada no Peatonal Sarandí, 359).
A
proposta da casa é oferecer três tipos de degustação diferentes: Degustación Premium (3 taças de vinho
com aperitivos), Degustación Aceite de
Oliva
(3 tipos de azeite com pão) ou Degustación
de Chocolates
(chocolates acompanhados de café e licor). Como enocuriosos que somos, fomos de Degustación Premium. O diferencial
positivo (e, por vezes, também negativo) da casa está justamente neste tipo de
degustação: todos os dias são escolhidos (e disponibilizados) 3 rótulos
diferentes do dia anterior. Assim sendo, deve-se considerar de imediato duas
coisas: 1. Não é possível eleger os vinhos de sua degustação (a menos que
compre uma garrafa inteira) e 2. Por outro lado, visitar mais de uma vez a Esencia
Uruguay
fará com que você, certamente, conheça mais sobre a produção
local. Como o preço da degustação é bastante convidativo, não seria descabido
visitar até mais de 2 vezes e fazer um “tour enológico” mesmo sem conhecer as
bodegas.
É preciso dizer que o espaço destinado à
degustação não é grande e o conforto não é o principal atributo – na verdade,
são apenas 3 mesas com banquetas no canto da loja (que por sinal é muito bonita
e organizada).
Idas e Vinhas
Não
é necessário marcar um horário para degustar porque não há uma apresentação
estruturada dos vinhos (com todas as informações que gostaríamos de receber se
estivéssemos em uma vinícola). A proposta é conhecer um pouco mais sobre os
vinhos e tirar algumas dúvidas. A senhora responsável pela loja (e que nos
atendeu) fez uma explicação resumida sobre os vinhos com as características
básicas de cada um, os acompanhamentos sugeridos e alguns dados sobre o
produtor. Em nossa degustação provamos Tannat Rosé – 2015 (Bodega Artesana), Pinot Noir Reserva 2015 (Pizzorno Family Estates)
e Tannat Gran Reserva – Ysern – 2012 (Bodegas Carrau).
Idas e Vinhas
Os petiscos
são adequados, mas a quantidade é módica por demais (o que fez com tivéssemos
que dosar cada mordida para não faltar acompanhamento frente à boa quantidade
de vinho servida). O destaque é o azeite O’33 José Ignacio – Coupage Blancblend das espécies Frantoio e Leccino –
muito bom e que não pudemos deixar de comprar (não devendo nada a um bom
azeite italiano).
Idas e Vinhas
Quanto aos vinhos… foi interessante provar um rosé feito a partir da Tannat
e que foi fermentado em madeira – sem dúvida a percepção é muito diferente do
que comumente esperamos de um “rosado”. O Pinot Noir, a nosso ver, “pecou” um
pouco pelo excesso de madeira (tanto em nariz como em boca), anulando a “delicadeza”
que se espera de um pinot. Já o Tannat
Gran Reserva
não atendeu à expectativa para um vinho com 18 meses de
envelhecimento em barrica.
De toda forma, consideramos a escolha dos vinhos
para a degustação daquele dia bem interessante, pois propiciou conhecer um
espectro bem variado da produção local e, principalmente, explorar alguns
pontos extremos de nossa sensibilidade. É divertido também “investigar” a
diferença de cores e “peso” de cada vinho.
Idas e Vinhas
Quando
encerramos a prova, a senhora responsável pelo serviço se aproximou para
conversar sobre nossas impressões e explicar um pouco mais sobre o estilo de
cada vinícola – foi curioso ver que algumas de nossas percepções estavam
perfeitamente alinhadas com o que o produtor pretendia para o vinho. Não dá
para dizer que “acertamos tudo” ou mesmo que concordamos exatamente com o que
nos foi explicado mas, sem dúvida alguma, foi um exercício interessante e construtivo.
Por fim, conversamos um pouco sobre enoturismo e visita a
bodegas. Aproveitamos para adquirir duas garrafas de bodegas que não poderíamos
visitar durante nossa viagem. O destaque, digo, a grande aposta, fica por conta
do único torrontés uruguaio que
encontramos nas prateleiras (da Bodega
Pisano
) e que ainda iremos provar… (Mais adiante a gente volta para comentar
sobre ele aqui…).
Idas e Vinhas
É “mais passeio” ou é
“mais vinho”?
É mais
passeio. Pelo preço da degustação, já esperávamos provar vinhos de categoria
intermediária e, por isso, não podemos dizer que fomos surpreendidos com o que
foi oferecido. O Tannat Rosé foi o destaque – o que, de certa forma, indica que
os tintos não agradaram ao nosso paladar. Considerando a degustação como um
passeio, é possível encontrar alguns bons argumentos que valorizam a
experiência: a localização é ótima (você não precisa contratar um serviço de transfer para visitar a loja); os preços
são muito bons; os horários, flexíveis; o atendimento, ainda que não seja dedicado
e exclusivo, é atencioso e, o mais importante: a proposta de vender (e ofertar
em degustações) somente vinhos uruguaios é realmente o grande diferencial e
ponto positivo. Recomendamos a visita a todos aqueles que pretendam passear pela Ciudad Vieja e conhecer
um pouco mais sobre os sabores locais. É provável que, em breve, nós mesmos estejamos
de volta por lá, para conhecer e comprar outros vinhos.
¡Salud!
Enocuriosos
*fotos de Dagô e Simone.

Enocuriosos… Bebericando por aí – Anuva Wines – Buenos Aires – Argentina

Idas e Vinhas
Se você
está em Buenos Aires e não pretende (ou não pode) dar uma “esticadinha”
até Mendoza ou Salta para conhecer, na fonte, os vinhos produzidos pelos “hermanos”,
mas ainda assim quer viver uma experiência “eno-platino-gastronômica”,
há uma boa opção no bairro mais boêmio da capital argentina.

A Anuva Wines é uma espécie de
representante e boutique de vinhos argentinos que oferece degustações e harmonização
com agendamento prévio (não se trata de uma loja com acesso livre). Gostamos da
proposta e achamos que valia à pena tentar esta experiência fora de uma
vinícola (vocês sabem que o nosso “barato” é degustar “in loco”).
Todo o
contato para reserva é feito pela internet, pelo sítio virtual. Há cobrança de
metade do valor (feito pelo número do cartão de crédito – que você deverá
fornecer nessa ocasião). Feito isso, eles te mandam um e-mail confirmando a
reserva e informando o endereço (que é meio “secreto”). Apesar do
“segredo”, é bem fácil chegar à Anuva, que fica a poucas quadras da Plaza Serrano, no emblemático e “descolado”
bairro do Palermo Soho.
Ao
chegarmos lá, fomos recepcionados pelo simpático Diego e apresentados aos
demais brasileiros que participariam daquela experiência à mesa conosco: uma
família de São Paulo e um casal de Pernambuco, todos muito simpáticos (para a data
e o horário pretendidos, só havia a possibilidade do tour em português).
No
programa são oferecidos 5 vinhos nacionais com harmonização de pratos/quitutes
(a maioria típicos) preparados ali mesmo e, na ocasião da nossa visita, criados
pelo próprio Diego, que se inspirou na culinária regional para fazer as
harmonizações com os vinhos que nos seriam apresentados. À propósito (e muito
interessante): há opções para celíacos – basta avisar essa condição no momento
da sua reserva. Na ocasião em que lá estivemos, Diego havia preparado pães e
massas especiais para uma das participantes que, como ele, tinha restrições à
ingestão de derivados de trigo.
Os vinhos
são apresentados: o guia explica a origem de cada um, mostra no mapa onde foi
produzido, informa algumas características climáticas, geológicas e culturais
da região, fala do produtor etc… E cada vinho é acompanhado de um
“comes” específico. Queijos, pães, embutidos e patês, depois uns
canapés, uma empanada de carne (que não poderia faltar, claro), um prato
picante à base de milho (muito saboroso) e, por fim, trufas de chocolate meio
amargo – tudo adequado a cada vinho. E tudo muito bom!
O melhor
(ou não…) dessa história toda é que você acaba “trocando figurinha” também
com os demais participantes sentados à mesa e, como éramos todos brasileiros (e
o brasileiro tem um jeitinho todo especial de ficar à vontade), houve momentos
em que o pobre do Diego “sobrou” na conversa (especialmente a partir
do 3º ou 4º vinho, quando já estávamos mais “soltinhos”)… Mas o
rapaz levou tudo na maior fineza e, com muito jogo de cintura, conduziu a
apresentação até o final.
É “mais passeio” ou é
“mais vinho”?
É mais
passeio.
Dos
vinhos degustados, nenhum chegou a nos surpreender ou nos agradar “em cheio”. Os
vinhos eram corretos mas não apresentavam bom custo x benefício – para os
nossos padrões. Trouxemos apenas o espumante Las Perdices Extra Brut, porque o
achamos “especial” (bem diferente de outros que já havíamos provado)
e, como não encontramos outro espumante com o qual compará-lo (dentro do nosso
parco rol de conhecimento a respeito de espumantes), consideramos que valia o
investimento pelo quesito “diferencial”.
Agora…
A oportunidade de provar vinhos com “comidinhas” típicas, de ouvir
dicas de harmonização e informações sobre os vinhos, os pratos e suas regiões,
poder conversar sobre o que estávamos degustando e comparar com a produção no
Brasil (já que éramos todos enocuriosos brasileiros à mesa), poder “jogar
conversa fora” sobre dicas de atrações na cidade portenha (o que, aliás, o
pessoal da Anuva também adora fazer)… Enfim, tudo isso “junto e
misturado” tornou a nossa tarde muito agradável e especial! É sem dúvida,
um bom passeio!
 ¡Salud!
 Enocuriosos

*foto do Dagô.