Notícias da enosfera: feras do metal se rendem à beleza do vinho.

Slayer Reign in Blood RedBanda ícone do trash metal, o Slayer, acaba de lançar exclusivamente no mercado sueco seu próprio vinho, de nome bastante sugestivo: “Reign in Blood” (algo como “Reinar em sangue”). O Slayer, como outras bandas do gênero, possui um portfólio de produtos bastante vasto e vem obtendo muito sucesso nesse mercado, conseguindo superar as perdas que o mercado fonográfico enfrenta por causa da pirataria. O lançamento do “Reign in Blood” mostra que a banda está sintonizada com a expansão do mercado de vinhos.


O vinho, produzido na melhor região vinícola dos Estados Unidos, a Califórnia, é um tinto varietal (Cabernet Sauvignon). Segundo o site especializado em rock “whiplash“, o vinho não traz sangue em sua composição…e uma caixa com 06 garrafas custará cerca de U$ 107,00.
Quem degustou revelou que o vinho apresenta notas suaves de frutas vermelhas, carvalho e especiarias, com final de frutas frescas e taninos macios.
Resta saber se, com a salvagarda imposta aos vinhos importados, os fãs da banda e enófilos antenados poderão adqurir o “Reign in Blood” caso chegue ao mercado brasileiro.
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VinhoDiversidade

Chateau Musar

França,
Itália, Portugal, Chile….Não é preciso ser enólogo para reconhecer a mais pura
tradição vinícola nesses países. Ao abrirmos uma garrafa de um tinto do novo ou
do velho mundo, ao sentirmos os primeiros aromas de um cálice de vinho do
Porto, nossa formação sensorial ocidental já nos prepara para sensações
conhecidas. Mais ou menos encorpado, aromas florais nos brancos, frutas frescas
nos vinhos jovens, couro e tabaco nos tintos mais lonjevos, reflexos violáceos,
tudo isso aprendemos logo nas primeiras degustações.

Mas
o que esperarmos de um vinho branco produzido no Japão? Qual a estrutura de um tinto
produzido na Geórgia, uma ex-república soviética? Quais aromas são liberados de
um tinto do Líbano? 
Tentando
responder a essas questões, participei de uma degustação de vinhos exóticos.
Foram 09 vinhos que me guiaram por terras distantes e revelaram aromas
inesperados. Muitas sensações para serem todas descritas no espaço dessa
coluna. Sendo assim, aqui estão as impressões mais marcantes.
O
branco produzido no Japão, Magrez Aruga, de uma uva chamada Koshu, surpreende
pelo aroma marcante de manteiga, lichia e floral, corpo leve, de um frescor
ideal para a primavera que chega. A casta Koshu é a mais tradicional do país, plantada
há mais de mil anos.
O
tinto Talisman Georgian Wine produzido na ex-república soviética da Geórgia
pela Telavi Wine Cellars trouxe surpreendentes aromas florais e de licor de
jabuticaba. Produzido a partir de castas impronunciáveis (Mujuretuli,
Usakhelauri, etc…), sua fermentação é conduzida em vasos de barro.
O
Líbano evoca imagens exóticas e sabores de tâmaras e frutas secas. Que surpresa
descobrir que um de seus vinhos mais tradicionais e valorizados exibem a
estrutura e os aromas etéreos de um grande vinho de Bordeaux! O Chateau Musar
Rouge, produzido no Vale de Bekaa, tem como base as castas francesas Cabernet
Sauvignon e Cinsault que, aliadas a uma produção bem cuidada, resulta em um
vinho que muito agrada ao nosso sistema sensorial ocidental.
E,
por fim, da Provence, mundialmente conhecida pelos rosés, vem o excelente Vin
Cuit Defrutum. Vinho de sobremesa produzido pelo Chateau Beaulieu, revela
aromas de amêndoa e sândalo. A curiosidade é seu método de produção, que
envolve o cozimento do mosto para concentração dos açúcares (método chamado
“Defrutum” pelos antigos romanos), e envelhecimento em carvalho por no mínimo
um ano.
ENOCULTURA
A
tradição vinícola do Líbano remonta há 6000 anos, e o Vale do Bekaa é a região
mais tradicional da vinicultura libanesa. O Vale do Bekaa situa-se entre as
cadeias montanhosas Monte Líbano e Anti-Líbano. O vale, com mais de 120 km de
extensão, concentra quase metade das terras cultiváveis do Líbano. 

Onde está o Grand Cru?

Pichón-Longueville

As
diferenças entre os vinhos dos chamados Velho e Novo Mundo são tema de muitos
artigos e acalorados debates entre os enófilos. No entanto, percebe-se que até
mesmo o mais experiente sommelier
pode cometer o engano e perceber, ao revelar o rótulo ao término de uma
degustação às cegas, que o complexo, estruturado e elegante Cabernet Sauvignon
não é um Grand Cru Classé, e sim um tinto do Novo Mundo, que tem no Chile um
dos seus expoentes.

Muitas
são as questões que levaram ao que hoje chamamos mercado globalizado do vinho. Espanha
e Portugal começam a produzir tintos mais amadeirados para agradar o paladar
americano, e casas como Baron Philippe de Rothschild e Rothschild-Lafite se
associam a produtores chilenos (Conha Y Toro) e argentinos (Catena) para
expandir seus negócios. Do outro lado, vinícolas do Novo Mundo aprimoram suas
técnicas e começam a produzir tintos tão complexos e lonjevos quanto um
Bordeaux Gran Cru Classé.
Em
uma degustação às cegas promovida pela ABS-RJ (Associação Brasileira de
Sommeliers) comandada pelo Prof. Roberto Rodrigues, foram degustados 07 vinhos
excepcionais, de corte e estrutura similares, para que descobríssemos qual era
o Gran Cru Classé – é claro que se esperava que fosse o campeão da degustação. Realmente,
todos os vinhos eram soberbos, e, após dadas as notas, escolhido o campeão e
revelados os rótulos, surpresa! A estrela de Bordeaux – o Gran Cru Classé Pichón-Longueville
Comtesse de Lalande 2007 ficou em 3º lugar, em 2º ficou o californiano Caymus e
o campeão foi o chileno Almaviva 2007, produzido nos melhores vinhedos da
Concha Y Toro em associação com a Baron Philippe de Rothschild.
Notas
e classificação à parte, foi uma oportunidade única de degustar excelentes
vinhos, uma experiência lúdica e memorável para qualquer enófilo.
Enocultura:
O
Gran Cru Classé Pichón-Longueville Comtesse de Lalande é produzido pela
tradicional casa Pichón-Longueville em Bordeaux, na subregião Pauillac. Segue o
corte específico da região, tendo a safra de 2007 58% de Cabernet Sauvignon,
36% de Merlot, 2% de Cabernet Franc e 4% de Petit Verdot. Os vinhos do Pauillac
estão entre os mais longevos e atraentes do mundo. Seus vinhos têm suavidade
mesmo quando jovens, e, após o envelhecimento, desenvolvem camadas de sabores
frutados e etéreos que não são encontrados em nenhuma outra região.