Enocuriosos… Viñas de Chile – Emiliana

Idas e Vinhas


Falta muito?
– 10
minutos.
– Quero
saber a distância, não o tempo. Aliás, vai dar tempo?

Com certeza não. A menos que passasse alguém de carro e nos desse uma carona…

Aqui?! No meio do parreiral?! Um carro?!
– É.
Eu sei que é improvável…

– Peraí, você está ouvindo isso?
Que barulho é esse?

– Parece um furgão… Estamos salvos!
– Não deixa ele passar! Quero dizer… será que a gente tem
coragem de pará-lo?
– Vamos descobrir agora…
Quando não há opção as escolhas já estão feitas. Poderíamos
mentir e dizer que pedimos carona com a maior desfaçatez, mas a verdade é que o
motorista da caminhonete da vinícola é que teve dó de nós e gentilmente ofereceu
ajuda. Nossa expressão de cansaço, as mochilas que carregávamos e o caminho a
perder de vista devem ter causado comoção. Agradecidos, nos apinhamos na cabine e demos graças aos céus por ter o passeio
salvo com aquela ajuda providencial.
Dando sequência a nossa narrativa, o relato de hoje é sobre a
visita à viña Emiliana.
Nossa ida à Emiliana
estava cercada de bastante expectativa por se tratar de uma vinícola que produz
exclusivamente vinhos orgânicos e biodinâmicos. Além disso, seria a
primeira vinícola que visitávamos com a possibilidade de realizar degustações
acompanhadas de chocolate – o que, além de incomum, soou para nós como algo
bastante instigante.
Não vamos nos aprofundar em conceituações porque não
possuímos conhecimento estruturado sobre enologia, mas podemos dizer que vinhos
orgânicos são aqueles que não se utilizam de agroquímicos durante as diversas
etapas de produção; já o conceito de biodinâmico pode ser entendido como o
respeito aos princípios da natureza, propondo a produção de artigos agrícolas
em alinhamento aos ciclos do sol, lua, planetas e a integração entre os reinos
animal, vegetal e mineral (para informações mais detalhadas visite as páginas
da vinícola aqui e aqui).
Voltando a nossa narrativa, chegamos à recepção meio que
esbaforidos (ou como se tivéssemos caído de um caminhão de mudanças). Olhamos o
relógio do salão e finalmente relaxamos – conseguimos
chegar a tempo!
Fomos muito bem recebidos pelo staff – de forma gentil e descontraída – o que ajudou a nos
sentirmos acolhidos. Após deixar nossa bagagem no escritório e recuperarmos as
energias com um bom copo de água, fomos a campo.
Nosso guia passeou conosco pelo parreiral e explicou alguns detalhes da
agricultura biodinâmica. Aproveitou para apresentar pequenos exemplos tais como
a criação de algumas alpacas (vide a foto de capa) que são utilizadas para
limpar o terreno de plantas daninhas, porém sem o efeito colateral produzido
pelas vacas (pois o peso da alpaca é muito menor e o solo não fica compactado
como ocorreria com o caminhar dos bovídeos). Em seguida fomos apresentados
também ao conceito dos galinheiros móveis que são utilizados para fazer com que
as galinhas d’angola da vinícola possam cuidar de toda a propriedade. Funciona
assim: estas aves são predadoras de diversos tipos de insetos potencialmente
nocivos ao parreiral. Como elas dificilmente se afastam de sua “vizinhança”, a
solução encontrada foi movimentar o galinheiro que está instalado sobre rodas (tal
como um reboque) por toda a propriedade de forma que as galinhas possam
“trabalhar” em todo o terreno sem se afastar de sua “casa”.
Idas e Vinhas
Ainda no campo, nos intrigou a
presença de hélices gigantescas ao longo de todo o vinhedo – muito semelhantes
a geradores de energia eólica. Questionamos nosso guia que prontamente nos
explicou que aqueles equipamentos eram, na verdade, ventiladores e que são
utilizados para impedir a formação de geadas (comuns no Valle de Casablanca em
função da entrada de massas de ar muito geladas por conta da proximidade com o
mar, entre outras causas). O uso dos ventiladores mostrou-se uma alternativa
mais eficiente do que cobrir todo o parreiral com telas (um recurso utilizado
em alguns tipos de cultivo).
Idas e Vinhas
Outro ponto que chamou nossa atenção foi a presença de
algumas oliveiras junto aos vinhedos. O guia informou que os trabalhadores da viña têm liberdade para produzir azeite
e vendem esta produção de forma independente à Emiliana (tanto na loja da vinícola quanto na cidade de Casablanca). Outro destaque do tour foi a visita à horta (orgânica e
biodinâmica) que é administrada também de forma independente por todos os
funcionários da vinícola – fomos (inclusive) apresentados a uma pequena seção que
estava sob responsabilidade do nosso guia. Ah, para ajudar a entender um pouco
mais sobre como pode ser aplicado o conceito de biodinâmico, veja esta tabela:
Idas e Vinhas
Trata-se de um calendário de colheita de produtos hortícolas
que foi criado tendo como base as fases da lua e as estações do ano (entre
outras referências). Cabe aqui uma reflexão: muitas vezes é mais fácil seguir
os caminhos da natureza e colher aquilo o que ela nos oferece – entendendo os
ciclos da vida e se adaptando a eles – do que “brigar” contra o fluxo e forçar
artificialmente uma dominância do homem sobre o meio. Pareceu-nos que seguir
essa lógica natural é um dos pilares da agricultura biodinâmica – um princípio
de harmonia, respeito e coexistência. Permitir que os trabalhadores usufruam da
terra a seu modo é também uma manifestação de respeito e harmonia e um sinal de
que a Emiliana deseja se manter
alinhada a iniciativas relacionadas à responsabilidade social.

Antes que alguém pense que estamos esquecendo que este é um blog de
vinhos, vamos falar da degustação. Após o passeio à pé pelo campo, fomos
conduzidos novamente ao edifício principal – mais precisamente a um balcão de
degustações com uma grande vista para a área externa. Havíamos agendado o Tour
e teríamos apenas que escolher se nossos acompanhamentos seriam queijos
ou chocolates orgânicos. O guia sugeriu que cada um de nós escolhesse um
acompanhamento distinto, pois assim poderíamos aproveitar os dois tipos. E desta
forma fizemos. (Sábia sugestão). Os vinhos degustados seguiram uma “crescente” quanto
a leveza e complexidade: Adobe Reserva Sauvignon Blanc, Novas Gran Reserva Sauvignon Blanc, Signos de Origen Carmenere, Coyam e . Os queijos não se destacaram, mas os chocolates orgânicos combinados
aos vinhos tintos… sem dúvida foram o ponto alto! Quanto aos vinhos, o Sauvignon Blanc da linha Novas e o Coyam foram o destaque. Curiosamente (não sabemos se em função da
safra ou pelo estágio de amadurecimento) o
pareceu-nos menos interessante que o Coyam.

Idas e Vinhas
Acreditem ou não, neste mesmo dia ainda teríamos que almoçar
em um restaurante próximo e seguir para nossa terceira e derradeira visita.
Sendo assim, nos municiamos de uma garrafa de Coyam e outra de Signos de Origen Syrah
(temos uma preferência assumida por esta casta) e partimos novamente a pé para
nosso próximo destino ainda no Valle de
Casablanca
.
É “mais passeio” ou é
“mais vinho”?
É mais vinho.
Embora seja possível visitar boa parte dos vinhedos e conhecer o conceito de
equilíbrio ambiental da propriedade (o que foi, para nós, uma experiência
enriquecedora), o fato é que a linha de produção da Emiliana não está instalada nesta propriedade e isso limita a
possibilidade de focar um pouco mais nos aspectos da produção pós-colheita.
Fomos muito bem atendidos e a degustação foi conduzida de forma muito
profissional, mas ficou aquele gostinho de “quero mais”. Dos vinhos provados
guardamos uma boa impressão do e
do Coyam – algo que já seria
esperado. Tendo como referência o custo X benefício, recomendamos a aquisição
de ao menos uma garrafa de Coyam.
¡Salud!
Enocuriosos
*fotografias
de Dagô e Simone.
Para
entender melhor o começo desta história, veja o relato de nossa visita à
Veramonte
aqui.
Obs.: Se você pretende visitar a Emiliana, mas não tem
interesse em passar antes na Veramonte, pode pegar um ônibus para Casablanca no 
Terminal San Borja (Santiago) e, ao ingressar no veículo, pedir ao motorista para
descer na estrada, em frente à vinícola (logo após o pedágio da Ruta 68). Como não há uma
parada de ônibus “oficial” neste local, pode ser necessário ir até Casablanca e
de lá retornar em um táxi – não é tão longe assim.
Gostou
dessa postagem? Nossa segunda viagem ao Chile começou
aqui.

Se quiser conhecer um
pouco mais sobre a Emiliana, não deixe de ler o
relato sobre a degustação conduzida por Ana Cristina e Alexandre na
Bardot – Vinhos e Arte.

Provamos e aprovamos… Anhelo Rosé 2015

Idas e Vinhas

Ainda na onda do Malbec World Day
(iniciativa da Wines of Argentina), celebrado no último dia 17,
escolhemos um ótimo exemplar de Malbec, mas que não é argentino
...

E indo mais longe, um Malbec rosé. É o Anhelo Rosé da chilena Viñedos Calcu, que estamos lançando hoje, 19 de Abril, no nosso Wine Club. Quem traz para o Brasil é a Dominio Cassis, que representamos aqui no Rio de Janeiro com exclusividade.
Mas o que ele tem de tão especial? Para começar, trata-se de uma ótima escolha
para esse clima escaldante.
Um Malbec que não seja rosé é normalmente encorpado,
com intensos aromas frutados, com grande volume de boca, suculento.
Tanto que a harmonização perfeita é churrasco argentino! Mas como o nosso verão
ainda não resolveu ir embora, muitos enófilos buscam outras bebidas mais
refrescantes. E é essa alternativa que trazemos com o Anhelo Rosé. Um
rosé 100% Malbec, com toda a riqueza aromática mas com mais leveza e
refrescância. Ou seja, perfeito para o calor!
A Viñedos Calcu teve a primeira colheita
em 2005 e lançou os primeiros vinhos em 2007. O enólogo Rodrigo Romero
busca vinhos com muito frescor e intensos em aromas de frutas vermelhas. A
crítica especializada diz que os vinhos da Calcu são dos mais originais do
Chile hoje, justamente por esse caráter de acidez e frescor. Os vinhos da Calcu
foram muito bem avaliados no Descorchados desse ano, indo de 90 a 96
pontos (ícone Futa).

A Cacul tem seus vinhedos no Vale do
Colchagua
, o vale mais badalado do Chile não só pelos vinhos (VIK, Montes,
Casa Silva, La Postolle…) mas pelas pousadas e restaurantes sofisticados.
Para chegar ao Colchagua segue-se para o Sul a partir de Santiago, atravessando
o vale do Maipo e do Cachapoal, somando cerca de 150 a 180 km.

Idas e Vinhas
Vamos ao vinho?
Anhelo
Rosé 2015
100%
Malbec. Vale do Colchagua, Chile. 12% de álcool. O vinho permanece em tanques
de aço inoxidável com suas borras finas durante 8 semanas.
Cor
muito bonita, entre casca de cebola e pêssego. No nariz, a variedade de aromas
surpreende. As primeiras sensações, mais intensas, remetem a rosas e lírios.
Aos poucos o vinho se abre e revela aromas marcantes de frutas frescas como
grapefruit, maracujá, pêssego, ameixa amarela, melão e morango, finalizando com
notas de capim limão. Poucas vezes provamos um rosé com tal riqueza aromática.
Em boca também é muito agradável, com corpo leve, boa acidez e álcool em
equilíbrio. Os aromas de boca são de boa intensidade e persistência,
destacando-se morangos e rosas. Termina bem e deixa a boca fresca, com morangos
ao fundo. Pronto para beber agora!
Nota IV: 86. Muito bom, vinho com qualidades especiais.
Compras no RJ: contato@idasevinhas.com.br

Idas e Vinhas

Aproveite pois o Anhelo
Rosé 2015
está
em nosso Wine Club
dessa semana e restam poucas unidades.
Ainda
não é membro do Idas e Vinhas Wine Club? Clique aqui e se inscreva. É grátis.
Nosso
Wine Club não tem taxa de adesão, nem assinatura, nem pedido mínimo. Como vantagens
está o fato de serem informados sobre vinhos interessantes, além de descontos
em nossas degustações.

Veja
o vídeo do nosso canal no Youtube:

Idas e Vinhas celebra o World Malbec Day – Ambrosía Viña Unica Malbec 2012

Idas e Vinhas

Hoje, 17 de Abril, é
celebrado o Malbec WorldDay (iniciativa da Wines of Argentina). São realizadas uma série de ações pelo
mundo, e na edição 2016 estão programados 70 eventos, em 70 cidades de 54
países. 


Idas e Vinhas

Claro que o Idas e
Vinhas não poderia ficar de fora e por isso fizemos nossa própria homenagem à
Malbec! Trazemos no Wine Club que lançamos hoje, 17 de abril, o excelente Ambrosía ViñaÚnica Malbec 2012
A Malbec, originária do
sudoeste da França, especialmente Cahors, adaptou-se esplendidamente na
Argentina, para onde foi trazida em 1868 pelo engenheiro agrônomo Michel Pouget
(e o resto é história…). O Malbec argentino é normalmente muito intenso em aromas
de frutas negras e vermelhas, florais, é muito estruturado e os vinhos de alta
gama possuem bom potencial de guarda. Os taninos são presentes, mas a Malbec
não é das mais tânicas, ficando atrás da Cabernet Sauvignon e Tannat, por
exemplo. Normalmente são taninos redondos e adocicados.
Quem traz para o Brasil
é a importadora Dominio Cassis, que representamos aqui no Rio de Janeiro com
exclusividade.
Mas o que ele tem de
tão especial?
É um vinho de boutique,
pois a Ambrosía tem apenas 53 hectares (sendo 29 de Malbec) e produz no máximo
30 mil garrafas/ano (apenas 4 vinhos). Desse Malbec, apenas 14799! Além disso,
recebeu nada menos que 92 pontos no Guia Descorchados 2016.
A vinícola, fundada em
2002, é uma sociedade de 11 amigos. O enólogo é Julián Gómez, que também é
sócio gerente. Quem também faz parte do time é Pedro Parra, considerado o maior
especialista em solos e estudo de terroir de atualidade (inclusive temos o seu
projeto pessoal, Pencopolitano, em nosso portfólio fixo).
A Ambrosía está
instalada em Tupungato, no Coração do Valle do Uco, 80 km ao Sul de Mendoza. É
a região que está se desenvolvendo mais na Argentina por conta de investimentos
internacionais. Estão aí as vinícolas mais imponentes e modernas (Andeluna,
Salentein, O. Fournier…). O terroir (vinhedos de altitude, grande amplitude
térmica) favorece vinhos com cor e taninos acentuados, e melhor equilíbrio
entre açúcares e acidez.
Vamos ao vinho?
Ambrosía Viña Única
Malbec 2012
I.P Mendoza. Tupungato,
em Mendoza, Valle do Uco Norte. 95% Malbec e 5% de Cabernet Franc. 14,8% de
álcool.
Vinhedos a 1250 metros
de altitude. Passa 18 meses em barricas novas e usadas de carvalho francês.
Mais 12 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado.
Rubi
profundo muito brilhante. No nariz, os aromas são intensos e persistentes,
destacando-se os florais (violetas e rosas), frutados (ameixas maduras, cassis,
cerejas) e de pimenta do reino. A madeira aparece de forma sutil, bem
integrada. Em boca é um vinho potente e altamente equilibrado. Encorpado, com acidez
marcante em ótimo contraponto aos taninos redondos e agradáveis. Final muito
intenso e persistente, com fundo frutado e de canela. Pronto para beber!

Descorchados 2016: 92
Nota IV: 90. Um vinho superior em caráter e estilo.
Compras no RJ: contato@idasevinhas.com.br

Idas e Vinhas

Aproveite pois o Ambrosía Viña Unica Malbec 2012 está em nosso Wine Club dessa semana e restam poucas unidades.

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Nosso Wine Club não tem
taxa de adesão, nem assinatura, nem pedido mínimo. Como vantagens está o fato
de serem informados sobre vinhos interessantes, além de descontos em nossas
degustações.

Conheça o Ambrosía Viña Única Cabernet Sauvignon 2011 aqui.

Veja o vídeo do nosso
canal no Youtube:

   

Provamos e aprovamos… William Fèvre Espino Cabernet Sauvignon 2013

Idas e Vinhas

Espino Cabernet Sauvignon 2013 é mais um excelente vinho
produzido no Chile pelo francês William Fèvre, renomado produtor que se
destaca pelos Premier Cru Chablis, na Borgonha. O projeto no Chile
iniciou-se há 20 anos em sociedade com Victor Pino Torche, cuja família
vem do ramo de mineração e agropecuária. Seus vinhos são considerados pela
crítica especializada como de altíssima qualidade e preços muito corretos. 

Já escrevemos sobre o produtor aqui.

Leia sobre os outros rótulos que já
provamos:
Vamos ao vinho?

Espino Cabernet Sauvignon 2013
D.O Maipo Andes. 13,6% de álcool. 8 meses
em barricas de carvalho não novas e 6 meses em garrafa antes de ser
comercializado.
Cor rubi escuro muito brilhante. No
nariz, apresentou boa variedade de aromas intensos e persistentes. Inicialmente
percebem-se frutas vermelhas e negras maduras (cassis, framboesa, cereja,
amoras, mirtilo), rosas e violetas. À medida que respira na taça, libera aromas
de especiarias (pimenta do reino e canela), café, notas amadeiradas e
refrescantes (menta). Em boca é rico e muito equilibrado. Bom corpo, excelente
acidez, taninos muito elegantes e o álcool bem integrado. Os aromas de boca são
confirmados e o final é longo, intenso e persistente, com fundo de frutas
maduras, flores e especiarias.
Nota IV: 90
Importadora: Domínio Cassis
Pedidos RJ: contato@idasevinhas.com.br

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Idas e Vinhas

Assista abaixo o vídeo que fizemos sobre o Espino.

Huaso de Sauzal Chilena 2014 – vinho revelação e melhor país chileno pelo Descorchados 2016

Idas e Vinhas
O Guia Descorchados 2016 foi
lançado no Brasil no dia 21 de Março, no Restaurante Praça São Lourenço, em São
Paulo. A edição 2016 é resultado de quase 3500 vinhos degustados de cerca de
400 vinícolas, abrangendo Chile, Argentina, Brasil e Uruguai.

A maior parte das provas são presenciais, ou seja, a equipe do
Descorchados se reúne com os produtores para conversar sobre os vinhos. Os que
são selecionados são então degustados às cegas para a eleição dos
melhores em cada categoria e em cada país. Todo esse processo leva de Agosto a
final de Novembro, quando os resultados das degustações e os ganhadores de cada
categoria são divulgados no site do Descorchados. O lançamento oficial ocorre em
Março do ano seguinte.
Idas e Vinhas
Um fato interessante é que embora o Guia seja apresentado em eventos especiais
em cada país, o lançamento oficial ocorre anualmente aqui no Brasil, em São
Paulo. Podemos concluir daí a importância do mercado brasileiro, mesmo com
todas as nossas dificuldades.
Patrício Tápia, idealizador e diretor geral do Descorchados, vem
construindo ao longo de 20 anos carreira e reputação sólidas quando o assunto é
avaliar vinhos, e ficamos contentes em ver que pelo 2º ano consecutivo um ótimo
vinho que representamos foi destaque.
Trata-se do Huaso de
Sauzal Chilena 2014
, um tinto chileno que é trazido ao Brasil pela importadora
Domínio Cassis. Foram dois prêmios em 2016: um dos vinhos revelação e o melhor
vinho chileno da casta país
, alcançando 94 pontos. Em 2015 a El Viejo Almacén
de Sauzal
foi eleita vinícola revelação e a safra 2013 recebeu 92 pontos.
Além de ser um vinho de alta qualidade, destaca-se pelo seu processo de fabricação.
A vinícola – El Viejo Almacén de Sauzal – é muito pequena (são apenas 4 hectares!)
e adota técnicas orgânicas de manejo e vinificação. Não faz uso de sulfitos ou
qualquer outro insumo que não seja orgânico. Outra curiosidade é que são vinhos
de secano, isto é, as vinhas não não irrigadas.
Além do Huaso de Sauzal Chilena, provamos e apresentamos em degustações
outro ótimo vinho da El Viejo Almacén, o VIGNO (100% Carignan). Confira:

Seguindo nossa política de proporcionar Wine Experiences especiais,
lançamos o Huaso de Sauzal Chilena 2014 em nosso Wine Club. Acesse o link da
campanha para garantir o seu, pois são poucas unidades!
Veja também o vídeo para saber mais:

Aconteceu… Idas e Vinhas na Bardot – Vinhos e Artes – vinícola Emiliana

Idas e Vinhas

No último sábado, 02 de Abril de 2016, voltamos
à Bardot – Vinhos e Artes
para conduzir uma degustação muito legal! Nosso amigo Abel Mendes (Casa Flora)
sabe escolher bem não só os temas mas também a sequência dos vinhos, o que
torna seus convites sempre irrecusáveis.

Idas e Vinhas
Da esquerda para a direita: Alexandre, Ana Cristina e Abel
A degustação foi especial por dois motivos:
tratam-se de vinhos orgânicos e biodinâmicos* e que são
produzidos pela excelente vinícola Emiliana,
sediada no Valle de Casablanca, Chile.
Uma das etapas da nossa Maratona enológica pelo Chile em 2012 foi justamente a Emiliana. Ficamos muito
impressionados com toda a estrutura da vinícola e o cuidado com que nos
receberam. Foram quase 4 horas de visita, onde pudemos aprender mais ainda
sobre as práticas agrícolas biodinâmicas. Tais práticas (que conferimos também
na Matetic
e na Antiyal)
fazem parte de uma filosofia maior – a Antroposofia – cujo patriarca foi
o austríaco Rudolf Steiner (1861 – 1925).
De acordo com Steiner, o homem deve desenvolver
seu espírito, afastando-se do excesso de materialismo tornando-se uno com a
Natureza. Daí o emprego de técnicas agrícolas que fortaleçam uma “relação
espiritual–ética com o solo, com as plantas e os animais e com os coirmãos
humanos.” Saiba mais sobre a Agricultura Biodinâmica aqui.
Além do enfoque de serem vinhos naturais, a
Emiliana produz vinhos de excelente qualidade.
Em tarde de casa cheia e animada, apresentamos
6 rótulos das linhas reserva e Gran Reserva Adobe e Novas,
respectivamente.
Idas e Vinhas

Adobe Reserva Chardonnay 2014 – Valle de
Casablanca
Adobe Reserva Pinot Noir 2014 – Valle de
Colchagua
Adobe Reserva Carmenére 2014 – Valle de
Colchagua
Adobe Reserva Merlot 2014 – Valle de Rapel
Novas Gran Reserva Pinot Noir 2014 – Valle de
Casablanca
Novas Gran Reserva Cabernet/Merlot 2013 – Valle
do Maipo
Idas e Vinhas
Foi um empolgante passeio rico em castas e
também regiões chilenas. A Emiliana tem mais de 700 hectares de vinhedos
espalhados pelo Chile, com o cuidado de plantar as uvas que produzem melhores
resultados em cada Vale.
Escolher o melhor vinho foi tarefa difícil!
Toda a seleção foi muito apreciada. Quanto aos destaques, todos concordaram que
o Chardonnay (com 5% do lote passando em madeira) é de altíssima
qualidade. Passando-se aos tintos, o Adobe Reserva Merlot e o Novas
Gran Reserva Cabernet/Merlot
foram aclamados.
Agradecemos a todos os presentes que entraram
no clima da tarde leve e descontraída, e novamente ao Abel e à sempre gentil
equipe da Bardot
pela oportunidade. Que venham as próximas!
Idas e Vinhas

*Leia aqui
sobre uma degustação sobre vinhos orgânicos e biodinâmicos que conduzimos, e
onde apresentamos um dos vinhos ícones da Emiliana, o Coyam.

Os vinhos apresentados você encontra na Bardot Vinhos e Artes.

Enocuriosos… Viñas de Chile – Veramonte

Idas e Vinhas

Sempre que começamos a planejar um roteiro de visitas a vinícolas surge,
quase que de imediato, uma questão: “– É possível visitar estas bodegas
utilizando transporte público?” Pode parecer pouco relevante à primeira vista,
mas para os Enocuriosos é importante
empenhar o orçamento com visitas privativas e aquisição de bons vinhos e para
isso abrimos mão de gastar dinheiro com transporte exclusivo (remis e transfer)
– mesmo que isso acabe por trazer alguns pequenos contratempos.
As próximas postagens sobre as
vinícolas do Chile estão impregnadas deste espírito “enomochileiro”.

Desde nossa primeira viagem ao Chile (realizada apenas
6 meses antes) sentimos que seria imprescindível visitar o Valle de Casablanca e
aproveitar um pouco da fama que a região tem de produzir excelentes vinhos
brancos. Não queríamos alugar um carro porque isso acabaria por inibir nosso
desejo de degustar livremente. Contratar uma agência de “enoturismo de massa”
também não seria uma opção válida. Olhando no mapa é fácil perceber que há
várias vinícolas enfileiradas ao longo da ruta
68
e nosso raciocínio bastante simplório foi: “– se o ônibus percorre a ruta até Casablanca, ele há de passar em
frente ao nosso primeiro destino do dia”. Acertamos na mosca! A postagem de
hoje é sobre nossa visita à Casona Veramonte.
Nosso plano era sair de Santiago bem cedo e pernoitar por 3
noites no Vale de Casablanca – por isso trazíamos conosco alguma bagagem e
também o espaço necessário para acomodar algumas garrafas que certamente
compraríamos nas 6 visitas planejadas para o Vale (maior parte da bagagem,
deixamos no hotel, em Santiago, conforme já explicamos em outra ocasião – veja aqui).
Havíamos decidido não fazer qualquer tipo de tour na Veramonte por
dois motivos: (1) faríamos três visitas naquele dia e (2) não queríamos chegar
tarde ao nosso segundo passeio agendado para aquela manhã (pois poderia gerar
um atraso em cascata). Como nossa proposta era apenas degustar vinhos, nos
certificamos de que não seria necessário fazer reserva e tratamos de acertar os
detalhes relacionados ao deslocamento. O ponto de partida é o Terminal San Borja (já
citado em nossa postagem sobre a Viña Undurraga).
Ao ingressar no ônibus, explique ao motorista que você deseja descer na
estrada, em frente à Veramonte (a
localização precisa é o quilômetro 66 da ruta
68
). Não há uma parada de ônibus “oficial” neste local, mas é sabido que
algumas pessoas (na imensa maioria os trabalhadores da viña) descem em frente à vinícola. A parada é logo após o segundo túnel da rodovia e antes da
praça de pedágio. (Se algo der errado, você logo perceberá). Após desembarcar
na estrada, bastou andar 500 metros e logo estávamos dentro da enoboutique e
recepção.

Procuramos por uma das melhores degustações disponíveis à
época e pedimos para incrementá-la com os queijos que eram servidos em outro tour, pois não seria muito auspicioso
degustar vinhos às 10 horas da manhã sem algo para acompanhar (hoje o sítio
virtual da Veramonte oferece mais opções de degustações, algumas tão interessantes
que nos deu vontade de voltar a visitá-la em breve). O profissional que nos
atendia pediu um minuto para consultar outra pessoa do staff e logo em seguida informou que seria possível sim atender ao
nosso apelo com um valor adicional que consideramos mais do que justo.

Como havíamos chegado sem avisar, nossa degustação não estava preparada
e por isso mais um breve instante nos foi solicitado para arrumar a mesa em um
canto da loja – com uma bela vista para a sala de barricas.

Idas e Vinhas

Assim que
fomos acomodados à mesa, recebemos as notas de degustação de todos os vinhos
que nos seriam servidos bem como algumas orientações a respeito dos queijos que
complementariam a experiência. Embora de nível intermediário, as informações
foram suficientes para satisfazer nossa fome de conhecimento. Em seguida,
ficamos “a sós” neste pequeno refúgio da loja.

Degustamos 4 vinhos – Veramonte Reserva Sauvignon Blanc 2014, Ritual Pinot Noir 2013, Primus The Blend 2013 e Neyen 2010 – poucas vezes uma sequência de vinhos
mostrou-se para nós tão adequada e bem sucedida no intento de demonstrar o que
de melhor e mais variado a casa tem para oferecer a seus visitantes. Os queijos
“maridaram” muito bem com os vinhos e não há nada a ressalvar quanto ao
conforto e beleza do ambiente. Estávamos muitíssimo à vontade.

Idas e Vinhas

A
loja (já à época – março de 2015) era bastante bonita e, ao ver fotos atuais do
mesmo local, foi possível identificar que fizeram uma bela reforma. A Veramonte possui um portfólio extenso
e isso facilita bastante a tarefa de projetar uma boutique porque a variedade de
formas, cores e rótulos multiplica as possibilidades de arranjo – uma pena não
termos boas fotos para ilustrar melhor.

Idas e Vinhas
Antes de
encerrar este relato gostaríamos de partilhar com quem nos lê uma situação
curiosa. Assim que chegamos à Veramonte
informamos ao staff que tínhamos
visita agendada para outra vinícola com localização muito próxima e perguntamos
se seria possível ir à pé de uma bodega a outra, por dentro do vinhedo (elas
são vizinhas na estrada). Foi visível o espanto com nossa pergunta (porque
havíamos acabado de chegar) e após alguns segundos de indefinição a resposta
foi unânime – teríamos que solicitar um táxi (algo que os funcionários se
prontificaram a fazer quando chegada a hora). Faltando apenas 40 minutos para
nosso próximo compromisso, achamos estranho que o táxi não havia sequer sido
chamado (pois percebemos que todos os atendentes da loja estavam ocupados com
outras atividades) e perguntamos se havia algum problema. Um dos atendentes nos
chamou para um canto da loja e contou em um “quase sussurro” que não valeria a
pena chamar um táxi, pois o caminho que ele faria vindo de Casablanca até a Veramonte é bem maior e mais demorado
do que o trajeto que faríamos até a vinícola vizinha. Em seguida, nos orientou
a utilizar a saída de serviço da bodega (pela lateral) avançando pelos vinhedos
da Viña Emiliana. Agradecemos aliviados
e felizes (afinal era isso o que queríamos deste o início) e saímos com pressa,
duas mochilas nas costas, um Ritual
Pinot Noir 2013
e um Primus The
Blend 2013
. Tínhamos apenas 20 minutos e um longo quartel de Cabernet Sauvignon a percorrer embaixo de
sol antes de nossa próxima enoexperiência.
Em breve
contaremos aqui o resultado desta gincana.
É “mais passeio” ou é
“mais vinho”?
É mais
vinho. Na verdade, não fizemos qualquer passeio e, portanto, não poderíamos
avaliar algo que não conhecemos de fato. A degustação atendeu perfeitamente a nossa
expectativa e necessidade. Agradou-nos bastante a flexibilidade dos
profissionais que nos atenderam, pois acolheram com gentileza nossas “particularidades”
e ajudaram a fazer daquele momento algo realmente especial. É importante deixar
registrado que lamentamos profundamente não ter adquirido uma garrafa do Neyen, mas, naquele momento, pensamos
estar sendo prudentes – considerando o tanto de vinícolas que ainda tínhamos
por visitar… Ao fim daquela viagem mesmo, diríamos que fomos prudentemente
bobos.
¡Salud!
Enocuriosos
*fotografias
de Dagô e Simone.

Gostou dessa
postagem? Nossa segunda viagem ao Chile começou
aqui.


Ana Cristina e Alexandre Follador também visitaram a Veramonte! Veja aqui.