Provamos e aprovamos… vinhos Mario Marengo – Dolcetto D’Alba 2013

Idas e Vinhas

A Itália era chamada pelos gregos de Enotria (Terra do Vinho). E não é para menos: produz vinho em todas as 20 regiões administrativas, e em 2015 voltou a ser o maior produtor mundial de vinhos, batendo a antes campeã França. Os números impressionam! Foram produzidas em 2015 4,8 bilhões de garrafas, enquanto a França produziu 4,6 bilhões. (dados da edição eletrônica do Jornal Nacional, de 12/10/2015).

Uma das regiões vinícolas mais conhecidas sem
dúvida é o Piemonte. Com o maior número de DOC e DOCG do país, é o berço
dos famosos Barolo e Barbaresco produzidos com a casta Nebbiolo (que origina tintos
perfumados, de coloração delicada como a Pinot Noir e, também como esta casta
borgonhesa, expressa intensamente o terroir onde é cultivada).
Essa série de posts é dedicada a uma
pequena vinícola piemontesa, a Mario Marengo, localizada em La Morra
e trazida com exclusividade para o Brasil pela importadora Domínio Cassis. Embora seja uma das menores vinícolas
da região (com apenas 6 hectares onde são cultivadas Nebbiolo, Barbera e
Dolcetto), tem o privilégio de estar entre os poucos produtores que
possuem vinhedos no “cru” Brunate – uma parcela de terra considerada um
dos grand crus do Langhe.
A família Marengo estabeleceu a vinícola em
1899 que hoje é gerenciada pelo filho de Mario Marengo (falecido em 2001), Marco Marengo
e sua esposa Eugenia.
A propriedade possui cerca de 6ha de vinhedos
sendo alguns deles com mais de 75 anos de idade e a produção anual, conduzida
na forma orgânica, gira em torno de 35 mil garrafas,
São 5 rótulos elaborados pela vinícola:
Dolcetto D’Alba DOC (0,48 ha plantados em 2008 e produção média
anual de 3,5 mil garrafas).
Barbera D’Alba DOC Vigneto Pugnane (0, 38 ha plantados em 1998 e produção
média anual de 3,2 mil garrafas).
Nebbiolo D’Alba DOC (0,38 ha plantados em 1965 e produção média
anual de 4,8 mil garrafas).
Barolo Bricco Delle Viole DOCG (0,9 ha plantados em 1955 e produção média
anual de 4 mil garrafas).
Barolo Brunate DOCG (1,5 ha plantados em 1950 e produção média
anual de 6 mil garrafas).

Em 2013 o Barolo Brunate esteve presente na lista dos 50 melhores vinhos da revista inglesa Decanter.

Vamos ao primeiro vinho da série?
Dolcetto D’Alba DOC 2013
100% Dolcetto (região de Castiglione Falletto),
13% de álcool. Fermentações alcóolica e malolática conduzidas em tanques de aço
inoxidável e amadurecimento por 10 meses também em tanques de aço.
Cor vermelho púrpura, com reflexos violáceos,
brilhante e com alguma transparência. No nariz, aromas com boas intensidade e
persistência, destacando-se as frutas vermelhas e negras (cassis, framboesa, mirtilo),
rosas, hortelã e algo mineral. Mas é em boca que o vinho agrada ainda mais.
Muito equilibrado, com muito boa acidez e taninos de alta qualidade. De corpo
médio, aromas de boca muito intensos e persistentes, confirmando os sentidos no
nariz. Final intenso e persistente, com fundo frutado e refrescante.
Está em sua melhor forma, pronto para beber.
Nota IV: 87

Pedidos RJ: contato@idasevinhas.com.br

Idas e Vinhas

Veja o que achamos do Barbera D’Alba Vigneto Pugnane DOC 2013 aqui.
Veja o que achamos do Nebbiolo D’Alba 2013 aqui.
Veja o que achamos do Barolo DOCG Bricco delle Viole 2011 aqui.
Veja o que achamos do Barolo Brunate DOCG 2011 aqui.

Enocuriosos no Velho Mundo… Itália: Castello Il Palagio

Idas e Vinhas
Em nossas “perambulanças” pelo
Chianti, muitas vezes, quando já não tínhamos visitas agendadas para aquele
dia, acabávamos por ter o que chamamos de “dias de cachorro” – nada
de pejorativo nisso, gente! Ter um “dia de cachorro” é assim: você
sai andando por aí, ao léu, apreciando a paisagem e, onde houver uma porta
aberta, vai entrando!

Foi
assim que conhecemos a vinícola Castello Il Palagio. Estávamos voltando de duas visitas já realizadas naquele dia (a Vignamaggio e outra que não interessa
comentar aqui). No Chianti, basta seguir as placas e procurar por uma “porteira
aberta”, deixando o faro e a intuição (ou, ainda, nosso desejo de conhecer mais
vinhos!) nos guiar. Obedecemos aos instintos e não nos arrependemos!

Assim que chegamos à sede da vinícola (um
pequeno castelo), nos deparamos com um vazio curioso e instigante – o tempo parecia
parado. Nenhum indício de atividade humana. A porta da loja estava fechada e um
grande portão que dava acesso a uma despensa, aberto. Tocamos a campainha, em
vão. Não havia absolutamente ninguém para nos atender. E isso é relativamente
(bastante) comum na Itália. Com pouco pessoal no receptivo, quando existem turistas para fazer
visita, a pessoa responsável fecha as portas e leva o grupo para
conhecer a propriedade. Chegamos exatamente num momento desses e, como nossa
outra opção seria voltar mais cedo para Firenze
(nosso pouso nesta ocasião), “farejamos” que não seria mau negócio esperar um
pouco…

Idas e Vinhas
Enfim, a porta aberta.
Depois de
uma espera considerável, avistamos o grupo retornando do passeio pelos
vinhedos. Aguardamos uma moça terminar de acomodar todos os turistas em uma
grande mesa (que foi preparada naquele instante) para servi-los e, em seguida, ela,
a simpática e despojada guia, achando graça da grande correria em que estava
envolvida, pediu que esperássemos un attimo
para que pudéssemos (enfim) degustar. Como não tínhamos agendado o passeio
(sequer sabíamos que esta vinícola existia e se produzia bons vinhos),
aceitamos o que foi proposto: fazer apenas a degustação dos azeites (especialíssimos)
e vinhos (ótimos) produzidos pela casa (aqui, gratuitamente – há locais que
cobram por isso).

A simpatia de nossa anfitriã foi uma injeção de
ânimo (pois já estávamos meio cansados da espera). Entre dicas de como degustar
azeites e informações sobre os vinhos da casa, ela nos contou que já dividiu
“apê” com brasileiros em San Francisco, que eram mineiros “muito
gente boa” e que, por conta dessa experiência, ela podia compreender o
português, embora nada falasse.

Idas e Vinhas
O que degustamos

Os
vinhos da casa eram muito bons. Encantadores! Especialmente dois, de que
gostamos muitíssimo! O Campolese 2007
(Sangiovese, varietal) e o Curtifreda 2011
(Cabernet Sauvignon, igualmente varietal). Sobre este último, nos arrependemos
de não tê-lo comprado. Assim que você o prova, parece bom (só). Mas ele é mais
que isso. O retrogosto vai evoluindo e se abrindo e você vai percebendo que há
muitas características não óbvias ali, que se trata de um vinho incomum! Para
não dizer que nosso “vacilo” foi total, trouxemos para casa o Campolese. Provamos também: Chianti Classico 2012, Chianti Classico Riserva 2007, e Montefolchi 2007 (Merlot,
varietal).

Idas e Vinhas
Nossa aquisição
É “mais passeio” ou é
“mais vinho”?
É mais vinho.
Na verdade, não podemos avaliar o passeio porque, de fato, não o fizemos.
Desfrutamos de agradáveis momentos durante a degustação e acreditamos que a Il Palagio tem mais a oferecer. Nossa prova de vinhos e azeites foi muito, mas muuuito
além do esperado – dois varietais muito bem produzidos e azeites para lá de requintados.
O atendimento “à italiana” também marcou aquele fim de tarde especial na
Toscana.
Temos
certeza de que demorará muito tempo para esquecer tão agradável sensação de
estar à toa e à vontade mesmo tão longe de casa.
Salute!
Enocuriosos
*fotografias
de Dagô e Simone.

Gostou dessa
postagem? Nossa viagem à Itália começou
aqui.