Enocuriosos… Perambulando pelo Brasil: Casa Valduga

Idas e Vinhas
Parreiral centenário – Lembram da história do post anterior?
Este parreiral aqui foi preservado.
Os vinhos da Casa Valduga foram dos primeiros vinhos que começamos a
provar (junto com alguns chilenos), por indicação de um conhecido nosso, mas
principalmente por relatos acalorados do dono da padaria da esquina aqui de
casa – um entusiasta dos vinhos Valduga!

Vendo-nos,
certa vez, irresolutos diante das prateleiras de vinhos no seu estabelecimento,
o irrequieto e simpático dono da padaria nos perguntou se conhecíamos a Valduga
e, diante de uma resposta vaga de nossa parte, danou a defender a qualidade dos
tais vinhos com tanto entusiasmo que não tivemos dúvida em comprar algumas
garrafas para experimentar…

A Casa Valduga está localizada no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, a 120
km da capital gaúcha. Para
quem está de carro é bem fácil: chegando ao município de Bento Gonçalves (você
nem precisa entrar na cidade), é só acessar o Vale dos Vinhedos e procurar pela
Via Trento. Em alguns minutos você estará na porta da propriedade. Para
enocuriosos sem condução própria, é possível pegar um táxi em “Bento” (vai sair
quase o preço da garrafa de um “gran reserva”) ou tentar o transporte
coletivo (embora dê para contar nos dedos as vezes em que vimos passar um
ônibus na Via Trento). Dica: se possível, priorize ir de carro (próprio ou
alugado), mesmo que isso represente não beber vinho todos os dias. Se puder,
leve o cunhado para dirigir (e não beber) por você.
A
estrutura da casa envolve
visitas com degustação, hospedagem, restaurante e enoboutique. Você pode fazer
o “pacotão” completo ou pode ir lá só para algumas dessas atividades,
lembrando que para hospedagem e restaurante, é necessário reservar previamente
– através de formulários
de solicitação de informações e de reserva que são preenchidos diretamente no sítio virtual da Villa Valduga. Quando lá estivemos hospedados,
em 2013, não
era possível reservar com cartão de crédito (apenas mediante
pagamento/transferência na conta corrente deles), mas não se pode reclamar da
agilidade no atendimento por parte do setor de reservas. As visitas guiadas têm horário
fixo e grupos pequenos não precisam reservar.

Na enoboutique é só chegar! Você pode ir lá para provar dos rótulos da
casa no balcão, onde será atendido por enólogos e/ou aprendizes, no geral
atenciosos, que costumam dar explicações de cada vinho solicitado. É um serviço
gentil, já que te proporciona provar diversos vinhos gratuitamente (incluindo
alguns dos vinhos ‘top’ da casa, sempre que disponíveis), e isso te ajuda a ter
uma melhor noção de custo-benefício e decidir qual garrafa levar pra casa sem
grandes sustos ou decepções. 
Quando
fomos lá pela primeira vez estávamos muito “perdidos”, pois não
conhecíamos sequer os nomes das uvas ou cortes que mais nos agradavam num
vinho. Daí, “demos trabalho” pro mocinho que nos atendeu – o
Alexandre, um jovem enólogo muitíssimo gentil e paciente. (Já vimos clientes “enoiniciantes”
que não tiveram a mesma sorte que nós). Ele foi nos apresentando vinhos,
tentando compreender nosso gosto a partir das nossas reações a cada prova, até
que serviu um que nos impactou. Adoramos. Ele “diagnosticou” o nosso
gosto! Ficamos muito satisfeitos (pelo vinho que provamos – e compramos) e
muito orgulhosos pelo talento do jovem enólogo! 
A hospedagem
é maravilhosa. Há 4 tipos de pousada na propriedade e elas se diferenciam pelo
nível de conforto e acabamento (o que implica uma diferença também no preço,
claro). Ficamos na mais simples de todas e, ainda assim, o quarto era super
aconchegante e muito espaçoso (perto de 3 vezes o tamanho do nosso!) e tinha
uma varandinha, embora pequena, muito agradável. “Chazinho” e outros
mimos são deixados no quarto para os hóspedes, que também ganham desconto de
10% na compra de vinhos. 
O café da
manhã é ótimo, farto (no estilo café colonial, bastante comum na serra gaúcha)
e muito romântico. Acontece num amplo salão com mobiliário/decoração clássica e
um pianista tocando versões de canções italianas de todos os tempos. Pode
parecer cafona (se amigos nossos contassem uma história dessas, de café da
manhã com música italiana ao piano, provavelmente iríamos dar muita risada
deles), mas acredite: é encantador!

Idas e Vinhas
Vista aérea da pousada

A visita
com degustação 
é bacana, com o “porém” de que não são servidos bons
vinhos – pelo menos na visita que fizemos, em janeiro de 2014. (Isso não chega
a ser um problema, já que você poderá provar vinhos melhores na boutique). No
início da visita você ganha uma taça de cristal (que poderá levar de
“brinde”) e assiste a um vídeo contando a história da família e de
como eles se estabeleceram naquelas terras etc. É bem interessante esse vídeo,
e com alguns fatos passados, no mínimo, pitorescos (que não vamos contar aqui
para não tirar a graça de quem ainda vai fazer essa visita). Depois do vídeo,
todos são conduzidos por um enólogo para conhecer as instalações, cavas, salas
de engarrafamento etc. Para quem já visitou outras vinícolas, talvez esse
programa não seja a coisa mais interessante. Até porque, apesar do esforço do
enólogo/guia em se fazer muito simpático e gracejoso, a visita em si pendia mais
para o comercial (organizada,
mas muito focada no turismo – aqueles que gostam de experiências exclusivas,
sentirão que há gente demais).

Além de
oferecer hospedagem, visita com degustação, enoboutique com provas e
restaurante (que não chegamos a conhecer), a Casa Valduga também oferece cursos
rápidos de harmonização
(que não tivemos a oportunidade de fazer). Mas
mesmo que você não fique hospedado com eles e que não faça a visita com
degustação ou o curso de harmonização, acreditamos que, estando em Bento
Gonçalves e/ou no Vale dos Vinhedos, vale à pena ir até lá para conhecer a
propriedade (que é bonita pelas edificações, pelos jardins e pelos vinhedos) e
chegar na enoboutique, provar alguns vinhos e escolher o que mais lhe agrada
para levar na bagagem.
Os vinhos
O tal
vinho que nos impactou na primeira vez em que estivemos na Valduga e que nos
fez voltar lá, em algumas ocasiões, apenas para comprá-lo (pois esse rótulo não
é comercializado pelo dono da padaria da esquina de casa…) foi um blend
da linha Identidade
“Blends” ou
“cortes” (para os mais recentemente chegados nesse caminho dos
vinhos) são misturas de uvas distintas que, como num processo alquímico (ou
como na mistura de especiarias no tempero da vovó), vão conferir, cada uma, um
traço característico marcante (seja em aroma, em leveza ou em
“corpo”), emprestando ao vinho uma certa “cara” muito
particular. Basicamente é isso. 
O blend
que nos agradou naquela ocasião foi o Arinarnoa-Marselan-Merlot. Identidade Gran Corte 2009. Um vinho “difícil”, que não
agrada a qualquer paladar, mas que representou uma ótima surpresa para nós dois.
Este ano
estivemos de novo na Valduga e provamos um outro Blend que também nos
agradou: o Gran Raízes Corte 2010, um corte das uvas Cabernet
Sauvignon
, Cabernet Franc e Tannat que, no fim das contas, ainda achamos mais
interessante que o anterior…
E aí?
Alguém se anima a experimentar esses vinhos e vir contar aqui nos comentários o
que achou?
Saúde!

Idas e Vinhas
Vista a partir da torre da boutique após algumas taças de vinho…

É “mais passeio” ou é “mais vinho”?

É mais passeio. Valduga é sim sinônimo de bons vinhos nacionais mas o custo x benefício ainda pesa contra. Já a visita ao complexo da Villa, se acrescido de hospedagem, almoço ou jantar, curso de harmonização e uma bela sessão de fotos é algo inesquecível. E melhor, boas recordações que podem ser adquiridas sem precisar sair do país. É um bom lugar para passar um dia (ou algumas noites).


Enocuriosos.

* Fotografias de Dagô e Simone.

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