Em busca do Torrontés perfeito… O. Fournier Leonardo Torrontés 2011

Nessa minha cruzada pelo Torrontés perfeito, chegou
a vez de provar o rótulo do conceituado produtor
O.Fournier, que possui vinhedos na Argentina,
Espanha e no Chile.

Já escrevemos sobre a casta e
a região aqui.
O grupo O. Fournier surgiu no ano 2000 e hoje
possui um total de 386 hectares de terras, sendo 236 hectares de videiras
espalhados pelos 3 países acima descritos.
 

Idas e Vinhas
Foto: Gustavo Sosa Pinilla
Na Argentina os vinhedos estão
localizados no Valle de Uco, na região de La Consulta, em Mendoza,
com altitude próxima de 1.200 metros acima do nível do mar.
Para a produção do Leonardo Torrontés 2011,
a vinícola adquire as uvas de outros produtores localizados em Salta,
região Norte da Argentina.
 

Idas e Vinhas
Foto: Garcia & Betancourt
A linha Leonardo não tem grandes
pretensões. São vinhos para o consumo normal do dia a dia, sem grande potencial
de guarda e com preços bastante atrativos. Além do Torrontés, compõem a
linha outros três rótulos varietais sendo dois tintos (Malbec e Tempranillo)
e mais um branco (Sauvignon Blanc).
É uma pena que o produtor não faça nenhuma
menção a essa linha de vinhos no seu site.
Vamos ao vinho?
O. Fournier Leonardo Torrontés 2011
100% Torrontés, 13,5% de álcool.
Cor amarelo palha para dourado, com reflexos
dourados. Apresentou aromas finos e razoavelmente intensos e persistentes de jasmim,
tangerina, capim limão e mel. De corpo leve em boca, macio e álcool
equilibrado, mas pecou na falta de acidez. Final de boca persistente e
levemente amargo.
Este vinho já está no início da curva descendente
de qualidade. Ainda não foi dessa vez, que venha o próximo Torrontés!
Nota IV: 79
R$47,15
Importadora: Vinci 
Idas e Vinhas
Acompanhe a saga “Em
Busca do Torrontés Perfeito” aqui:

Enocuriosos… Perambulando pelo Brasil: Casa Valduga

Idas e Vinhas
Parreiral centenário – Lembram da história do post anterior?
Este parreiral aqui foi preservado.
Os vinhos da Casa Valduga foram dos primeiros vinhos que começamos a
provar (junto com alguns chilenos), por indicação de um conhecido nosso, mas
principalmente por relatos acalorados do dono da padaria da esquina aqui de
casa – um entusiasta dos vinhos Valduga!

Vendo-nos,
certa vez, irresolutos diante das prateleiras de vinhos no seu estabelecimento,
o irrequieto e simpático dono da padaria nos perguntou se conhecíamos a Valduga
e, diante de uma resposta vaga de nossa parte, danou a defender a qualidade dos
tais vinhos com tanto entusiasmo que não tivemos dúvida em comprar algumas
garrafas para experimentar…

A Casa Valduga está localizada no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, a 120
km da capital gaúcha. Para
quem está de carro é bem fácil: chegando ao município de Bento Gonçalves (você
nem precisa entrar na cidade), é só acessar o Vale dos Vinhedos e procurar pela
Via Trento. Em alguns minutos você estará na porta da propriedade. Para
enocuriosos sem condução própria, é possível pegar um táxi em “Bento” (vai sair
quase o preço da garrafa de um “gran reserva”) ou tentar o transporte
coletivo (embora dê para contar nos dedos as vezes em que vimos passar um
ônibus na Via Trento). Dica: se possível, priorize ir de carro (próprio ou
alugado), mesmo que isso represente não beber vinho todos os dias. Se puder,
leve o cunhado para dirigir (e não beber) por você.
A
estrutura da casa envolve
visitas com degustação, hospedagem, restaurante e enoboutique. Você pode fazer
o “pacotão” completo ou pode ir lá só para algumas dessas atividades,
lembrando que para hospedagem e restaurante, é necessário reservar previamente
– através de formulários
de solicitação de informações e de reserva que são preenchidos diretamente no sítio virtual da Villa Valduga. Quando lá estivemos hospedados,
em 2013, não
era possível reservar com cartão de crédito (apenas mediante
pagamento/transferência na conta corrente deles), mas não se pode reclamar da
agilidade no atendimento por parte do setor de reservas. As visitas guiadas têm horário
fixo e grupos pequenos não precisam reservar.

Na enoboutique é só chegar! Você pode ir lá para provar dos rótulos da
casa no balcão, onde será atendido por enólogos e/ou aprendizes, no geral
atenciosos, que costumam dar explicações de cada vinho solicitado. É um serviço
gentil, já que te proporciona provar diversos vinhos gratuitamente (incluindo
alguns dos vinhos ‘top’ da casa, sempre que disponíveis), e isso te ajuda a ter
uma melhor noção de custo-benefício e decidir qual garrafa levar pra casa sem
grandes sustos ou decepções. 
Quando
fomos lá pela primeira vez estávamos muito “perdidos”, pois não
conhecíamos sequer os nomes das uvas ou cortes que mais nos agradavam num
vinho. Daí, “demos trabalho” pro mocinho que nos atendeu – o
Alexandre, um jovem enólogo muitíssimo gentil e paciente. (Já vimos clientes “enoiniciantes”
que não tiveram a mesma sorte que nós). Ele foi nos apresentando vinhos,
tentando compreender nosso gosto a partir das nossas reações a cada prova, até
que serviu um que nos impactou. Adoramos. Ele “diagnosticou” o nosso
gosto! Ficamos muito satisfeitos (pelo vinho que provamos – e compramos) e
muito orgulhosos pelo talento do jovem enólogo! 
A hospedagem
é maravilhosa. Há 4 tipos de pousada na propriedade e elas se diferenciam pelo
nível de conforto e acabamento (o que implica uma diferença também no preço,
claro). Ficamos na mais simples de todas e, ainda assim, o quarto era super
aconchegante e muito espaçoso (perto de 3 vezes o tamanho do nosso!) e tinha
uma varandinha, embora pequena, muito agradável. “Chazinho” e outros
mimos são deixados no quarto para os hóspedes, que também ganham desconto de
10% na compra de vinhos. 
O café da
manhã é ótimo, farto (no estilo café colonial, bastante comum na serra gaúcha)
e muito romântico. Acontece num amplo salão com mobiliário/decoração clássica e
um pianista tocando versões de canções italianas de todos os tempos. Pode
parecer cafona (se amigos nossos contassem uma história dessas, de café da
manhã com música italiana ao piano, provavelmente iríamos dar muita risada
deles), mas acredite: é encantador!

Idas e Vinhas
Vista aérea da pousada

A visita
com degustação 
é bacana, com o “porém” de que não são servidos bons
vinhos – pelo menos na visita que fizemos, em janeiro de 2014. (Isso não chega
a ser um problema, já que você poderá provar vinhos melhores na boutique). No
início da visita você ganha uma taça de cristal (que poderá levar de
“brinde”) e assiste a um vídeo contando a história da família e de
como eles se estabeleceram naquelas terras etc. É bem interessante esse vídeo,
e com alguns fatos passados, no mínimo, pitorescos (que não vamos contar aqui
para não tirar a graça de quem ainda vai fazer essa visita). Depois do vídeo,
todos são conduzidos por um enólogo para conhecer as instalações, cavas, salas
de engarrafamento etc. Para quem já visitou outras vinícolas, talvez esse
programa não seja a coisa mais interessante. Até porque, apesar do esforço do
enólogo/guia em se fazer muito simpático e gracejoso, a visita em si pendia mais
para o comercial (organizada,
mas muito focada no turismo – aqueles que gostam de experiências exclusivas,
sentirão que há gente demais).

Além de
oferecer hospedagem, visita com degustação, enoboutique com provas e
restaurante (que não chegamos a conhecer), a Casa Valduga também oferece cursos
rápidos de harmonização
(que não tivemos a oportunidade de fazer). Mas
mesmo que você não fique hospedado com eles e que não faça a visita com
degustação ou o curso de harmonização, acreditamos que, estando em Bento
Gonçalves e/ou no Vale dos Vinhedos, vale à pena ir até lá para conhecer a
propriedade (que é bonita pelas edificações, pelos jardins e pelos vinhedos) e
chegar na enoboutique, provar alguns vinhos e escolher o que mais lhe agrada
para levar na bagagem.
Os vinhos
O tal
vinho que nos impactou na primeira vez em que estivemos na Valduga e que nos
fez voltar lá, em algumas ocasiões, apenas para comprá-lo (pois esse rótulo não
é comercializado pelo dono da padaria da esquina de casa…) foi um blend
da linha Identidade
“Blends” ou
“cortes” (para os mais recentemente chegados nesse caminho dos
vinhos) são misturas de uvas distintas que, como num processo alquímico (ou
como na mistura de especiarias no tempero da vovó), vão conferir, cada uma, um
traço característico marcante (seja em aroma, em leveza ou em
“corpo”), emprestando ao vinho uma certa “cara” muito
particular. Basicamente é isso. 
O blend
que nos agradou naquela ocasião foi o Arinarnoa-Marselan-Merlot. Identidade Gran Corte 2009. Um vinho “difícil”, que não
agrada a qualquer paladar, mas que representou uma ótima surpresa para nós dois.
Este ano
estivemos de novo na Valduga e provamos um outro Blend que também nos
agradou: o Gran Raízes Corte 2010, um corte das uvas Cabernet
Sauvignon
, Cabernet Franc e Tannat que, no fim das contas, ainda achamos mais
interessante que o anterior…
E aí?
Alguém se anima a experimentar esses vinhos e vir contar aqui nos comentários o
que achou?
Saúde!

Idas e Vinhas
Vista a partir da torre da boutique após algumas taças de vinho…

É “mais passeio” ou é “mais vinho”?

É mais passeio. Valduga é sim sinônimo de bons vinhos nacionais mas o custo x benefício ainda pesa contra. Já a visita ao complexo da Villa, se acrescido de hospedagem, almoço ou jantar, curso de harmonização e uma bela sessão de fotos é algo inesquecível. E melhor, boas recordações que podem ser adquiridas sem precisar sair do país. É um bom lugar para passar um dia (ou algumas noites).


Enocuriosos.

* Fotografias de Dagô e Simone.

Aquecendo… Expovinis 2015



Daqui a pouco seguimos para o pavilhão azul do  Expo Center Norte, para o primeiro dia da Expovinis 2015.

Hoje o dia promete!
Wine Blog Hunter
Fomos selecionados para “caçar” dois vinhos brancos cujo preço ao consumidor final seja abaixo de R$50,00, como parte do desafio Wine Blog Hunter.
Amanhã, dia 23, ocorrem as degustações dos vinhos selecionados pelos blogs convidados e os melhores de cada categoria (espumante, branco e tinto) serão definidos. O blogueiro que tiver “caçado”o vencedor do desafio será convidado para entregar o prêmio.
Lançamento Abreu Garcia
Hoje, 22 de Abril, às 18h a Abreu Garcia lança um novo espumante feito a partir da casta Vermentino. Esta casta branca, que se desenvolve extraordinariamente bem na Sardenha, Itália, é bastante aromática e produz vinhos muito frescos. 
Importadora Everest e vinhos Mallevieille
Estaremos também no stand da Everest, no Espaço França. A importadora apresentará nada menos que 24 rótulos de seu portfólio, em um passeio pelas principais regiões francesas.

Agenda… Idas e Vinhas na Expovinis 2015

Idas e Vinhas

Semana que vem, de 22 a 24 de Abril, acontece em São Paulo a Expovinis 2015, conhecida por ser a maior feira de
vinhos da América Latina. Estamos bastante empolgados com a nossa participação
na feira este ano!

Para nós este ano será diferente, pois estaremos
nos stands da vinícola Abreu Garcia e da importadora Everest, ambas localizadas em Santa Catarina e que
representamos no Rio de Janeiro. Foi inclusive durante a feira do ano passado
que conhecemos e nos surpreendemos com o Pinot Noir da Abreu Garcia (veja aqui o post
que fizemos).
Também fomos convidados a participar do
concurso Wine Blog Hunter, atividade realizada desde a edição de 2013 da
feira.
O concurso é realizado em conjunto com o
especialista Cesar Adames e consiste em reunir um grupo com os principais
blogueiros de vinhos do Brasil
para eleger o Melhor Tinto e o Melhor
Branco
da feira. Neste ano foi incluída a categoria Espumantes.
Os blogueiros “caçam” os rótulos que
acreditam ser o melhor espumante, branco e tinto de até R$ 50,00 (preço
para consumidor final), independente da nacionalidade. Após a seleção,
os vinhos são degustados às cegas no segundo dia da Expovinis e o resultado é
divulgado em seguida.
Para saber mais sobre a Expovinis, acesse o site oficial da
feira aqui.

Enocuriosos e Idas e Vinhas… Como entramos nessa história

Idas e Vinhas

Vinho é bom. E faz
bem. Não digo que faça bem à saúde, por ser tema controverso e assunto para
médicos, mas certamente faz bem ao “estado de espírito”.

A bebida, descoberta
por Baco (o equivalente romano a Dionísio na Mitologia) era o combustível que
movia animadas festas bacanais. Bacanais, diga-se em tempo, vem de Baco e eram
as festas celebradas em honra dele, o deus do vinho. Nada mais que isso.
(Ninguém aí pensou algo diferente, certo?).
Mas imagine só que
espécie de vinho deveria ser servido àquela época nas bacanais! Sem os
conhecimentos ou as técnicas que se aplicam hoje… (Daí talvez – palpite meu –
culmine o fato de algumas bacantes cometerem certos excessos impudicos e o nome
da festa ter adquirido outro teor, pejorativo, na modernidade. Admito não ter
conhecimento de estudo sério sobre a qualidade do vinho servido e seu efeito
colateral no comportamento dos devotos de Baco em tais festejos. É puro palpite
mesmo…).
Por sorte nossa, que
vivemos na modernidade e bebemos os vinhos da atualidade, os processos de
cultivo e manejo das uvas e as técnicas de produção dos vinhos têm se renovado
e se modernizado, desde os tempos de Baco até os nossos dias. Por bem ou por
mal… Ouvimos histórias pitorescas como a de produtores familiares em que as
gerações mais novas, sabendo da necessidade de trocar antigas parreiras por
cepas mais convenientes ao clima da região e diante da resistência dos pais
(mais apegados à história dos antepassados que trouxeram aquelas espécies para
aquelas terras), promoveram uma viagem de férias para os patriarcas e, na
ausência destes, trocaram parreiras centenárias de toda uma propriedade por
mudas novas e mais promissoras. (Agora imagine só a cara dos patriarcas quando
voltaram dessas férias!). Essa história nós ouvimos em visita a uma conhecida
vinícola no sul do Brasil, mas não duvido que tenham ocorrido tantas outras
parecidas mundo afora ao longo de séculos de busca pelo aperfeiçoamento…
Idas e Vinhas
E, assim como os
produtores (grandes ou pequenos) entram numa busca sem limites por técnicas e
conhecimentos que viabilizem a produção de vinhos cada vez melhores, também
aqueles que começam a beber vinho (com grande ou nenhuma pretensão) vão ficando
cada vez mais intrigados, instigados e desejosos de expandir suas sensações de
aromas, de paladar e de prazer diante de um novo vinho, e entram numa certa
busca também…
E foi assim que nós
dois, amadoramente, começamos a incluir nas nossas viagens roteiros que
envolvessem algumas vinhas. E foi assim que passamos a trocar algumas
figurinhas com o casal Follador e que acabamos por ser convidados a contribuir
com algumas histórias “enocuriosas” para o Idas e Vinhas.
Enocuriosas porque
nos move, nesse sentido, a curiosidade pelo vinho. E porque nada (ou quase
nada) sabemos de vinho. Não somos conhecedores nem estudiosos, nem sequer
amantes. Somos amadores. E principiantes eternos.
E, claro, como
amadores e principiantes que somos, vamos falar um pouco aqui dos nossos passeios
a vinhas, bodegas e afins, mas atendo-nos muito mais a aspectos turísticos das
nossas “enovisitas“, focando mais no passeio em si, na beleza e
estrutura do lugar, nas histórias que nos foram apresentadas, na
condução/explicação da degustação pelos guias/enólogos, etc… Dos vinhos em si
vamos dar a nossa opinião meramente pessoal e com base no “gostei” ou
“não me agradou”, eventualmente nos atrevendo a descrever algumas
sensações, nunca técnicas, apenas intuitivas.
Caberá, a quem nos
lê, decidir se compra a aposta no vinho comentado ou só no passeio sugerido…
E, se nos permitem
um brinde por essas prosas que teremos por aqui a partir de agora, com sua
licença… Tim-tim! 
Como começamos a
beber vinho
No princípio eram as
prateleiras do supermercado… E as da padaria da esquina de casa…
Instigados por um
velho amigo, bom apreciador de vinhos e que sempre nos “chacoteava” porque
precisávamos aprender a beber para um dia podermos partilhar desse prazer com
ele, nós passamos a comprar alguns vinhos junto com as compras básicas da
semana.
Obviamente, àquela
época, fazíamos escolhas e nos agradávamos de alguns vinhos que hoje não nos
causariam encanto algum. E é natural que seja assim. Conforme a pessoa vai
provando novos vinhos, ela vai expandindo sua percepção de aromas e sensações e
vai descobrindo aspectos que gosta ou desgosta num vinho e que ela nem poderia
supor, anos atrás, irresoluta diante de tantas opções incógnitas naquela
prateleira do supermercado.
E aí um mundo novo
se abre, você conhece outras pessoas que apreciam vinho e que te dão dicas, se
depara com outras opiniões, vai se familiarizando com expressões e nomes que
nunca tinha ouvido e, quando vê, você se tornou digno de abrir uma garrafa com
aquele velho amigo e, mais que isso, descobriu-se também um apreciador – ainda
que amador.
Que fique claro aqui:
ainda compramos vinho da prateleira do supermercado e da padaria. E, não raras
vezes, ainda nos detemos irresolutos sem saber o que levar. Como já dissemos anteriormente,
somos principiantes eternos! Mas hoje, alguns anos depois das primeiras
experiências, já sabemos quais vinhos nos agradam, elegemos os nossos próprios
“ícones”, alguns preferidos (e também os preteridos) e fazemos
escolhas apostando nesse ou naquele aspecto que passamos a perceber
positivamente…
E, da mesma forma
que muitos dos vinhos que nos agradavam 2 ou 3 anos atrás já não nos agradam
hoje, não temos ilusões de que os vinhos que “iconizamos” hoje
poderão não mais figurar entre os nossos preferidos daqui a mais 1 ou 2 anos.
Porque, nesse tempo, teremos provado muitos outros vinhos e isso terá
amadurecido e alterado a nossa percepção. É um aprendizado que não tem fim. Ainda
bem!
Idas e Vinhas
Enocuriosos
(Os enocuriosos são Dagô e Simone).
* Fotografias de Dagô e Simone.

Em busca do Torrontés perfeito… Finca Sophenia – Altosur Torrontés 2013

Idas e Vinhas

A busca pelo Torrontés perfeito não para! Hoje
foi dia de provar um vinho da região de Tupungato, sub-região de Mendoza.




escrevemos sobre a casta aqui.
Tupungato está localizada na fronteira entre o Chile e a província de
Mendoza na Argentina, a aproximadamente 168 km ao Leste de
Santiago. Tupungato também é o nome do vulcão, ainda ativo, que fica na mesma
região.
Idas e Vinhas
A Vinícola
Fundada em 1997 por Roberto Luka, a
Finca Sophenia teve a sua primeira safra comercializada em 2004, seus vinhos
estão presentes em 25 países e a equipe de enólogos é composta por Germán
Masera
e Matías Michelini.
Idas e Vinhas
A propriedade possui 130 hectares e os vinhedos
estão plantados a 1.200 metros acima do nível do mar. O clima é continental
temperado e árido. No verão apresenta grande variação na temperatura diurna e
noturna, a diferença pode chegar a 15ºC. Os solos são pedregosos, cobertos por
camadas de areia e argila calcária.
Vamos ao vinho?
Este é o único vinho que a Sophenia não produz
com uvas próprias. Elas são adquiridas de uma vinícola localizada em Gualtallary
(também em Tupungato) e a idade das parreiras é de 40 anos.
100% Torrontés, 13% de álcool.
Cor amarelo palha claro com reflexos
esverdeados. Com aromas bastante finos, intensos e persistentes de flores
brancas (jasmim), frutas cítricas (maçã verde), vegetal (grama cortada) e
mineral. No paladar é seco, sápido, de corpo leve e álcool equilibrado.
A mineralidade e as frutas cítricas também estão presentes. Aroma de boca de
muito boa intensidade e boa persistência, com retrogosto cítrico.
Um vinho correto e com bom custo benefício mas
não empolgante. Por enquanto confirmamos que da região de Salta vêm mesmo os
melhores Torrontés argentinos.
O que nos impulsiona para o próximo!! Até lá!
Nota IV: 84
R$49,50
Importadora: World Wine 
Idas e Vinhas
Acompanhe
a saga “Em Busca do Torrontés Perfeito” aqui:

Volta à França em 40 Vinhos… AOC Savennières, Domaine Martin – L’Aiglerie 2012

Idas e Vinhas
O segundo vinho da nossa volta à França vem do Vale
do Loire
, AOC Savennières, entre Anjou e Saumur.

Para entender um pouco mais sobre o Vale do
Loire
acesse o post que fizemos aqui.
Idas e Vinhas

AOC Savennières
Estabelecida em 1952, esta AOC tem cerca de 145ha
de vinhedos aptos a ostentar o nome Muscadet Sèvre et Maine, dos quais
33ha pertencem a Savennières-Roche-aux-Moines e 7ha a Savennières-Coulée-de-Serrant.
Savennières é a menor appelation de Anjou,
com apenas 740 hectares de terras elegíveis. E apenas cerca de metade da área
cultivável é realmente plantada. Embora semelhante a Saumur, faz vinhos
de muito menos diversidade e mais exclusividade, alcançando boa reputação
internacional.
A razão pela qual apenas metade da área
cultivada de Savennières é realmente cultivada é porque os melhores vinhedos,
destinados à produção de vinhos sob a AOC, ficam nas colinas cujos solos são
compostos de xisto.
O solo
Os solos rasos são compostos por xisto arenoso
e vulcânicos (riolitos).
O clima
O clima é quente e temperado. A pluviosidade é significativa
ao longo do ano. Mesmo o mês mais seco ainda assim tem muita pluviosidade. A
temperatura média é 11,7°C e a média anual de pluviosidade é de 655mm. A alta umidade contribui para a alta acidez dos vinhos.
A casta
Somente
a Chenin Blanc é permitida. Produz vinhos com alta acidez (devido aos solos
vulcânicos), muito aromáticos (mel, maçã verde e mineral), com corpo leve a
médio. Os vinhos costumam ser muito longevos. 
Idas e Vinhas
O produtor
O Domaine Martin – L’Aiglerie é
produzido por Gaec Martin, cujos 27 hectares de vinhedos se espalham
pela região de Anjou e são cultivados segundo a agricultura orgânica. 
Idas e Vinhas
Vamos ao vinho?
100% Chenin Blanc, 13% de álcool. Fermentado e
amadurecido em barris de carvalho.
Amarelo ouro de média intensidade, com reflexos
dourados. No nariz apresentou aromas bastante finos, intensos e persistentes de
maçã verde, geleia de laranja, pêssego em calda, mel e notas minerais. Em boca
é seco, fresco, macio, álcool equilibrado e de médio corpo. A mineralidade
também está presente no paladar, bem como as notas de laranja e mel. Final
muito persistente, com retrogosto de mel e levemente tostado.
Para fugir do tradicional Sauvignon Blanc e Chardonnay, vale a pena provar o Chenin Blanc, especialmente desta região.
Nota IV: 88
Importadora: Everest 
Acompanhe a Volta à
França em 40 Vinhos

Volta à França em 40 Vinhos… AOC Muscadet Sèvre et Maine, Domaine de la Vinçonnière – Laurent Perraud: Sur Lie 2013

Idas e Vinhas

O Vale do Loire abriu nossa volta à França.
Escolhemos dois rótulos e o primeiro a ser degustado foi o Domaine de la
Vinçonnière
, da AOC Muscadet Sèvre et Maine.

Para entender um pouco mais sobre o Vale do
Loire
acesse o post que fizemos aqui.
AOC Muscadet Sèvre et Maine
Os vinhedos dessa appelation ficam a
sudeste da cidade de Nantes abrangem 23 cidades cortadas por dois rios, o Sèvre
Nantaise
e o Petite Maine. A junção dos nomes destes dois rios deu
origem ao nome da AOC.
Atualmente a área de produção possui 8.350
hectares de vinhedos, com rendimento de 55hl por hectare. A produção anual do
vinho Muscadet Sèvre et Maine é de cerca de 470.000 hl. 
Idas e Vinhas

O solo

Os solos são compostos de rochas metamórficas e
ígneas da Maciço Armorican, gnaisse, micaxistos, rochas verdes (nefrite)
e, em menor quantidade, o granito. Essa combinação confere aos vinhos a sua
típica mineralidade.
O clima
O Clima é oceânico, as chuvas são
abundantes e bem distribuídas ao longo de todo o ano, sendo o verão bastante
fresco e úmido. Como os verões longos e quentes são exceção, os vinhos do Loire
são notadamente bastante frescos.
A casta
A Melon de Bourgogne é a única casta do Muscadet
AOC.
Nativa da Borgonha, foi introduzida na região por monges em
torno de 1635. É bastante resistente a geadas, que são comuns nesta região.
Resulta
em vinhos de caráter mineral com toques cítricos, além de leve efervescência (Jancis
Robinson
). A tradição de envelhecimento com as próprias borras acrescenta
sabor ao vinho, já que a Melon é considerada neutra.

Idas e Vinhas

A
vinificação
A
marca registrada do Muscadet é o seu processo de envelhecimento. Após a
fermentação, os vinhos são tradicionalmente deixados em contato com as suas borras
(sedimentos de leveduras mortas ou residuais da fermentação alcoólica) em
tanques revestidos de vidro ou em tanques de aço inoxidável. Este processo
permite que os vinhos desenvolvam um paladar mais complexo, sabores mais
profundos e também adiciona frescor. Os vinhos são então engarrafados
diretamente, sem filtragem.
Para
os vinhos serem rotulados como “sur lie“, obrigatoriamente devem ter passado
um inverno em contato com a levedura e terem sido engarrafados entre 1 de Março
e 30 de Novembro. Exceções devem seguir às regras da AOC.
O produtor
A Produção de vinhos pela família Perraud
já está na sétima geração e os seus vinhedos ficam nas privilegiadas encostas
de Nantais, no Vale do Loire.
Laurent Perraud cultiva os seus vinhedos respeitando o
terroir e o meio ambiente, monitorando o seu desempenho e otimizando a
qualidade das suas uvas. Todas estas práticas são auditadas por um organismo
independente, “Terra Vitis”, para assegurar que o vinho seja elaborado
com uvas cultivadas de acordo com regras específicas e com rastreabilidade das
práticas culturais verificadas.
Vamos ao vinho?
100% Melon de Bourgogne, vinhedos com 38 anos, 11,8%
de álcool.
Cor amarelo palha claro. No
olfato apresentou aromas bastante finos, intensos e persistentes com notas
minerais, florais (jasmim e rosas) e cítricas (limão), chá e mel. No paladar é
de corpo leve, fresco, macio e com álcool equilibrado. Final de boca muito
persistente com fundo cítrico, mel e floral.
Esse
vinho ganhou a medalha de ouro no Concours des Grands Vins de France a Macon,
em 2014.
Nota IV: 87
Importadora: Everest 
Idas e Vinhas
Veja aqui outro Muscadet de Sèvre et Maine que provamos.
Acompanhe a Volta à
França em 40 Vinhos

Volta à França em 40 vinhos… Vale do Loire

Idas e Vinhas

A bela
região do Vale do Loire inaugurou
nossa série de provas de vinhos franceses. Ao todo serão 40 rótulos que
escolhemos do portfólio da importadora Everest
e sobre os
quais escreveremos aqui no blog. Os melhores farão parte do nosso clube de
vinhos.

 Idas e Vinhas
Do Vale do
Loire
, região famosa por seus brancos refrescantes e minerais, escolhemos
dois vinhos: um da AOC Muscadet
Sèvre-et-Maine
e outro da AOC
Savenniéres
.
A região
O Vale do
Loire vai muito além dos castelos e paisagens que lhe dão o nome de “Jardim
da França
”. A região é líder nacional na produção de vinhos brancos (52% da
produção local é de brancos) e ocupa o 3º lugar na produção total, com cerca de
4 milhões de hectolitros/ano. 
Idas e Vinhas
Seus
vinhedos se espalham ao longo do rio Loire, na mais longa rota do vinho
da França. São mais de 800 km e uma grande diversidade de solos e climas que se
refletem na vasta gama de brancos, espumantes, rosés e tintos com características
singulares em cada terroir.
A área de
cultivo abrange a região de produção do Muscadet
(próxima à cidade de Nantes, na
costa do Atlântico) e alcança até a região de Sancerre, no centro-norte francês. Muitos autores (entre eles Jancis
Robinson
) dividem o Vale do Loire em quatro macro-regiões, da costa em direção
ao centro:
1. Pays Nantais (que inclui Muscadet);
2. Anjou-Saumur (ou Loire Central, que inclui
Savenniéres);
3. Touraine e
4. Alto Loire 
Idas e Vinhas
No
intrincado sistema francês, uma região extensa como o Loire é subdividida em
grande número de AOC (Appelations d’Origine
Contrôlées
). O site oficial dos vinhos do Loire citam 69 AOC, sendo 49 delas na
área que abrange Anjou-Saumur e Touraine.
A
importância de se entender o sistema de Appelations
deve-se ao fato de que raramente o nome das castas utilizadas são informadas
nos rótulos dos vinhos franceses. É útil saber que uma AOC particular determina
certos tipos de uvas que podem ser utilizadas na produção local.
Por exemplo,
ao se deparar com um vinho branco do Vale
do Loire
, ele será feito da casta Chenin Blanc se for proveniente da
região mais próxima do Atlântico. Mas, à medida que se sobe o rio Loire em
direção à Sancerre, aumenta-se o
emprego da Sauvignon Blanc. A AOC
Muscadet
, por outro lado, significa que o vinho é feito com a Melon de
Bourgogne
, e por aí vai…
Tratando-se
de tintos, os vinhos do Loire são usualmente feitos a partir da Cabernet
Franc
, mas à medida que se avança na direção da Borgonha, Pinot Noir
e Gamay aparecem mais significativamente.
O caráter dos vinhos
Os vinhos que
dão reconhecimento internacional ao Vale do Loire são os brancos de Sancerre e Pouilly-Fumé, e relativamente poucos mercados conhecem mais
profundamente as demais regiões.
Se produzir
vinhos de alta qualidade com regularidade é tarefa árdua, no Loire torna-se
ainda mais desafiadora. A região fica no limite do que é considerada uma
vitivinicultura comercialmente viável, uma vez que o clima da região (onde
verões longos e quentes são raros) nem sempre permite a maturação ideal das
uvas. Essa característica confere aos vinhos relativa alta acidez, o que
favorece a produção de vinhos brancos e espumantes.
Os tintos,
por outro lado, não correspondem à expectativa usual (cultuada nos mercados
ocidentais) por vinhos encorpados, alcoólicos, tânicos e envelhecidos em
carvalho. O grau de maturação das uvas não permite o desenvolvimento da
estrutura necessária ao mosto fermentado para que ele se beneficie de longos
períodos em carvalho. Em geral são vinhos delicados que são engarrafados o mais
cedo possível, preservando o frescor e o caráter frutado.
As macro-regiões
1.    Pays Nantais
A região de Pays Nantais é a casa do Muscadet, um dos vinhos que promoveram
a fama do Loire quanto a seus brancos vivos e minerais.
Muscadet não
é o nome de uma região ou de uma casta, mas sim o nome do vinho produzido nessa
região que é a mais próxima da costa do Atlântico. Das quatro appelations que o produzem a mais renomada é a AOC Muscadet Sèvre-et-Maine (de onde escolhemos um dos vinhos da
volta à França), onde os vinhedos da casta Melon de Bourgogne são mais
maduros e, por isso, com melhor potencial para vinhos mais aromáticos. Mas
mesmo assim, são vinhos para serem bebidos jovens. Ainda nessa região ficam as appelations de Coteaux d’Ancenis e Fiefs
Viendéens
.
Idas e Vinhas

2.    Anjou-Saumur
A appelation de Anjour (ao
redor da cidade de Angers) vai bem mais além que a produção do rosé
barato que responde por quase metade do vinho produzido na região. A produção
de brancos secos a partir da Chenin Blanc evoluiu muito e tornou-se
consistentemente de boa qualidade, a partir do bom manejo e uso moderado do
carvalho.
Os tintos são leves e frescos, e em
sua melhor forma originam o Anjou-Villages e Anjou –Villages-Brissac.
Caberbet Franc, Gamay e Cabernet Sauvignon são as castas
mais comuns.
Savenniéres (appelation de onde vem outro rótulo da nossa volta à França) é uma
minúscula, porém mundialmente famosa região produtora de Chenin Blanc secos. Os
vinhos são bastante minerais, e embora possam ser apreciados jovens,
amadurecem extremamente bem, ganhando estrutura e complexidade.
Em seguida vem a região de Saumur, na cidade de mesmo nome, mais
conhecida por seus bem feitos espumantes de Chenin Blanc, de bolhas muito
pequenas e persistentes. Os tintos vão desde os leves e frutados até os mais
encorpados e fragrantes Saumur-Champigny
feitos com predominância da Cabernet Franc.
Idas e Vinhas

3.    Touraine
Touraine abrange as appelations de onde vêm os mais famosos tintos do Loire: Chinon, Bourgueil e St-Nicolas de
Bourgueil
. Empregando como base a Cabernet Franc, seus vinhos são vivos e
bastante frutados. Prontos para consumo quando jovens, em anos de verões mais
quentes ganham em estrutura, complexidade e longevidade.
A variedade de vinhos produzidos é
bastante grande, já que Touraine é uma appelation
vasta e que produz cerca de 40 milhões de garrafas/ano. Os vinhos mais comuns
são rotulados AOC Touraine ou com
sufixos de subregiões como AOC Touraine-Amboise, AOC Touraine Azay-le-Rideau,
etc. Gamay, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Malbec, Chenin
Blanc
, Sauvignon Blanc, entre outras, são as castas permitidas.

4.    Alto Loire
Sancerre e Pouilly-Fumé são os expoentes mundialmente famosos da região. As
duas appelations são separadas apenas
pelo rio Loire. Ambos são feitos exclusivamente a partir da cepa branca Sauvignon Blanc e são secos, muito
vivos e com aromas herbáceos e minerais. A cepa Chasselas é empregada para os vinhos da AOC Pouilly-sur-Loire, também nome da cidade que abriga o
Pouilly-Fumé
.
A região
também inclui os chamados vinhedos do
Centro
, mais no interior da curva do Loire: Quincy, Reully e Menetou-Salon. Enquanto Quincy produz
exclusivamente brancos (que podem ser bastante verdes e ácidos), Reully e
Menetou-Salon produzem tintos leves a base de Pinot Noir.
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