Investidores asiáticos continuam sedentos pelas ofertas de chateaux em Bordeaux

Idas e Vinhas

Durante
esta semana, potenciais compradores asiáticos de chateaux na região de Bordeaux
estão reunidos em uma sala de seminários da Vinexpo Asia – Pacific 2014
para aprender sobre o processo de compra de imóveis na região – sinal de que mais
negócios estão para acontecer.

O número de propriedades produtoras de vinho em
Bordeaux vendidas a compradores chineses tem aumentado constantemente nos
últimos três anos, passando de 21 em 2011 para 26 em 2012 e 36 em 2013.
Informações fornecidas durante o seminário.
Há várias oportunidades e os preços podem
variar muito. Por exemplo, uma propriedade AOC Bordeaux de 25ha com 14ha de
vinhedos custa pouco menos de €1 milhão. Já um castelo do século XIX com
produção anual de 1 milhão de garrafas de vinho está a venda por €12 milhões.
Os preços da terra variam significativamente
entre as denominações em Bordeaux. Pauillac
é a mais cara, com preço médio de €2 milhões por hectare. Já em Staint-Julien e Margaux o hectare pode custar cerca de €1 milhão e €300.000 em Saint-Estephe.
Terrenos AOC
Bordeaux
 podem ser encontrados com valores que vão de €12.000 a €40.000
por hectare.
O perfil dos investidores
também mudou nos últimos anos. Hoje são profissionais interessados na produção
e no comércio de vinhos. No início o interesse era mais no visual dos belos
castelos e paisagens.
Fonte: revista
Decanter.
Foto: Vinexpo

Tokaji aposenta a produção dos vinhos de 3 e 4 puttonyos

Idas e Vinhas

O
Conselho de Comércio de Tokaji, na Hungria aboliu os vinhos com as indicações
de 3 e 4 puttonyos.

A escala está relacionada com doçura e atua
como um guia de qualidade dos vinhos.
A classificação numérica dos puttonyos está
relacionada com a quantidade de açúcar residual no vinho:
3 puttonyos – 60 a 90g/l
4 puttonyos – 90 a 120g/l
5 puttonyos – 120 a 150g/l
6 puttonyos – 150 a 180g/l
Aszú Eszencia – 180 a 450g/l
Tokaji Eszencia – 450 a 850g/l
“Essa decisão faz parte de um renascimento
para a região de Tokaj”, disse László
Mészáros
, da domaine Tokaj Disznókő. O novo mínimo será de 130 g
de açúcar residual por litro, acrescentou.
“Haverá alguma confusão inicial para os
consumidores”, disse o enólogo Miklos
Pracsers
, da vinícola Erzsébet Pince. “Mas nós procuramos aumentar a
qualidade dos vinhos produzindo apenas Tokaji com 5 e 6 puttonyos”. 

Nem todos acreditam que os consumidores farão
a troca. “O preço será um problema”, disse William Bentley, da Bentley’s Wine Merchants of Ludlow (Inglaterra). “Nem
todos comprarão os Tokaji ricos e complexos de 5 ou 6 puttonyos”.
Fonte: Revista Decanter, Junho, 2014

Aconteceu…Importadora World Wine promove almoço com vinhos da Altos Las Hormigas – Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2014

Idas eVinhas

Recebemos
o convite da importadora
World Wine para participar de um almoço onde Pedro Parra, especialista em terroir, nos apresentou dois novos rótulos da vinícola: Valle de Uco Appellation Altamira 2012,
Appellation Gualtallary 2012 e a
safra 2012 do Appellation Vista Flores.

A Altos Las Hormigas está localizada em
Luján de Cuyo, Argentina, e foi fundada em 1995 pelo enólogo Alberto Antonini e pelo empresário Antonio Morescalchi, ambos da Toscana.
Depois uniram-se ao time Pedro Parra,
um dos maiores especialistas em terroir da América do Sul, o renomado enólogo
italiano Attilio Pagli e o enólogo e
viticultor Leonardo Erazo.

Idas e Vinhas
Pedro Parra
O nome Altos Las Hormigas deve-se a
existência de enumeras colônias de formigas cortadeiras no solo da vinícola.
Elas devastaram grande parte dos parreirais plantados no início do projeto. Tal
acontecimento fez com que os proprietários procurassem alternativas para que as
formigas continuassem fazendo parte do ecossistema local sem atrapalhar o
desenvolvimento das videiras. Encontraram uma saída na viticultura biodinâmica.
Os estudos começaram em 2005 com o auxílio de um dos pioneiros da biodinâmica
mundial Alan York (falecido recentemente aos 62 anos). Em 2007 a teoria foi
colocada em prática e, segundo Pedro Parra, as formigas e as parreiras vivem
agora em harmonia.
A produção anual da vinícola gira em torno de
1,1 milhões de garrafas, das quais apenas 6 mil unidades exportadas anualmente
para o Brasil.
Tivemos a oportunidade de conversar muito com
Pedro Parra que se mostrou incansável em responder nossas perguntas e
esclarecer as dúvidas. É empolgante ouví-lo falar sobre os grandes
investimentos em estudo do solo que a vinícola faz (parte do Projeto Terroir) e
como cada tipo de solo influencia o resultado final do vinho.
A proposta da vinícola é a de mínima
intervenção na cantina, as leveduras são indígenas, a extração é mínima e a
utilização da madeira é cuidadosa. O resultado são vinhos mais delicados que
fogem do Malbec argentino tradicional, normalmente acentuadamente amadeirado e bastante
concentrado em aromas e sabores.
Idas e Vinhas


Idas e Vinhas

Vamos
aos vinhos?
Malbec
Terroir 2011
Vermelho púrpura com reflexos violáceos. Com aromas
de frutas vermelhas maduras (ameixas e cerejas), violeta, e um leve tabaco. Em
boca é de médio corpo, com boa acidez, taninos suaves e frutas presentes. De final
muito persistente e elegantemente frutado.
Malbec
Reserve 2011
Vermelho púrpura com reflexos violáceos. No
nariz apresentou aromas de frutas vermelhas maduras predominando a ameixa e a
framboesa, um leve toque de baunilha e violetas. Em boca é de médio corpo,
acidez equilibrada e os taninos macios. O seu final é persistente e adocicado.
Malbec
Appellation Altamira 2012
Vermelho púrpura com reflexos violáceos. No
nariz apresentou aromas de frutas negras maduras (cerejas, cassis e ameixas),
tabaco, baunilha e menta. Em boca é encorpado, com boa acidez, mostrou certa
mineralidade, taninos firmes e agradáveis. As frutas são confirmadas e o seu
final de boca é muito persistente e adocicado. Para nós, foi o melhor!
Malbec
Appellation Gualtallary 2012
Vermelho púrpura com reflexos violáceos. Com
aromas de frutas vermelhas maduras, leve nota mentolada, tabaco e baunilha. De
médio corpo em boca, acidez equilibrada e taninos macios. Final de boca muito
persistente.
Malbec
Appellation Vista Flores 2012
Vermelho púrpura com reflexos violáceos. No
nariz apresentou notas florais, aromas de frutas vermelhas maduras e chocolate.
Em boca é de médio corpo, com boa acidez e taninos macios. Seu final é longo e
frutado.
A apresentação dos vinhos foi realizada durante
um almoço no elegante Ristorante Alloro,
que tem como estrela o renomado chef italiano Luciano Boseggia

Os vinhos da Altos Las Hormigas realmente são
muito bons. Ótima opção para aqueles que procuram por uma outra abordagem de Malbec
argentino.
Idas e Vinhas
Equipe World Wine, da esquerda para a direita: Juliana La Pastina, Sandor Szarukan, Sérgio Esteves e Pedro Parra (Halto Las Hormigas)

LVMH compra maioria dos vinhedos da Clos des Lambrays na Borgonha

Idas e Vinhas

Grupo
francês de artigos de luxo Moët Hennessy-Louis Vuiton (LVMH) adquiriu
a grande maioria dos vinhedos de uma das mais antigas vinhas grand cru da
Borgonha, a Clos des Lambrays, por uma quantia não
revelada.

O proprietário da LVMH Arnault Bernard adicionou 8,66 hectares da Clos des Lambrays (localizada
no vilarejo de Morey-Saint-Denis), ao seu império de vinhos finos, que inclui os champagnes
Krug e Dom Perignon, além do Château d’Yquen e o Cheval Blanc em Bordeaux.
A compra acontece em meio a forte demanda dos
consumidores pelo vinhos top da Borgonha.

LVMH não divulgou o valor pago ao
proprietário da vinha, Société du Domaine des Lambrays. Mas a agência francesa Safer (empresa que
acompanha os negócios de terras agrícolas) estimou que no ano passado o preço dos
vinhedos grand cru da Borgonha custavam cerca de €3.8 milhões por hectare.
Fonte: Revista Decanter, junho de 2014.

Bordeaux 2013: Châteaux são forçados a utilizar a chaptalização

Idas e Vinhas

Vários produtores
top de Bordeaux tomaram a rara medida de adicionar açúcar ao mosto durante a
vinificação das uvas da safra de 2013, a fim de elevar os níveis de álcool em
seus vinhos – processo conhecido como chaptalização.

“Inicialmente a graduação alcoólica do
mosto nos tanques era de 12,25%, e nós chaptalisamos até atingir 13%”,
disse Thomas Duroux do Château Palmer.
A última vez que isso aconteceu em Bordeaux foi
em 1994. Em 2013, fatores climáticos desfavoráveis provocaram uma corrida entre
a maturação e o apodrecimento das uvas. Está sendo considerada uma das mais
desafiadoras safras das últimas décadas.
A chaptalização da uva pré-fermentada esteve perto
de ser proibida pela União Europeia em 2008 como parte da reforma do setor
vitivinícola. No final, manteve-se legal, com limites estabelecidos para as
diferentes zonas geográficas de vinificação.
Regras oficiais para a safra 2013 de Bordeaux
é que o château não pode adicionar mais do que 1,5% (álcool por volume) para os
seus vinhos através da chaptalização. Resta aguardar para saber o quanto isso
afetará a qualidade do produto final.

Fonte: Revista Decanter, junho de 2014.

Vega-Sicilia faz recall de vinho devido ao excesso de sedimentos

Idas e Vinhas

O produtor
espanhol Vega-Sicilia anunciou um recall de 100.000
garrafas de seu vinho Pintia 2009, devido a níveis excessivos de sedimentos que também arruinaram milhares
de garrafas em suas adegas.

Idas e Vinhas

No total, os problemas de sedimentos afetaram
mais de 500.000 garrafas de vinho produzidos por Vega Sicilia, de acordo com o
diretor gerente da empresa, Pablo
Alvarez
.
Ele escreveu um pedido de desculpas aos
clientes em Abril e se ofereceu para substituir o Pinta 2009. As safras que o
cliente poderá optar pela troca são a de 2008, ou o próximo 2010.
“No ano passado, notamos que os níveis
de sedimentos estavam acima do normal nas garrafas de Pintia 2009. Análises
posteriores mostraram excesso de antocianas”, disse Alvarez “É
simplesmente um erro de clarificação no processo de vinificação, nada mais”.
“É uma grande pena, porque 2009 foi uma
safra excelente para o Pintia, mas entendemos que um vinho como este não pode
permanecer no mercado”, acrescentou.
Cerca de 250.000 garrafas de Pintia 2009,
foram produzidas.
Alvarez disse que a safra 2010 do Alión não será lançado como planejado,
devido a um problema similar.
“É claro que esta foi uma decisão cara e
difícil. Mas nós temos grande respeito pelos nossos clientes “, disse ele.
*Este artigo foi atualizado em 06/05/2014,
trocando o termo “recall” para “se oferece para substituir“ e
para deixar claro que Vega Sicilia também tem incentivado os consumidores a
experimentar decantar suas garrafas de Pintia 2009.

Decanter Junho 2014.

Puglia – Caráter, cor e originalidade nos Tintos

Idas e Vinhas

A
Puglia excede qualquer expectativa, especialmente em se tratando de seus
vinhos.

Idas e Vinhas

Uma
estreita faixa de terra aproximadamente 400km de comprimento, a Puglia estende-se
desde um pouco acima do esporão no tornozelo até a ponta do calcanhar da bota.
É uma terra de praias sem fim, vastos bosques de antigas oliveiras retorcidas, pitorescas
aldeias de pedra, praticamente nenhuma água na superfície (embora haja muitos rios
subterrâneos, grutas e cavernas que eles criam), e, claro, vinhedos em
abundância – estes se espalham desde Castel del Monte, no centro, até Salento,
no extremo sul, onde são prensados entre o Mar Adriático a leste e pelo Mar
Jônico a oeste, uma situação que dá verdadeiro sentido à frase “Entre Deux
Mers” (Entre Dois Mares).
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
A
maioria do mundo do vinho tomou conhecimento da importância da Puglia quando
grandes produtores de outras regiões (Antinori
e a Zonin) começaram a investir na região,
comprando grandes extensões de vinhedos e cultivando castas internacionais. Antes
disso, a Puglia teve alguns vinhos de classe mundial, como o Cosimo Taurino Patriglione, o Vallone Graticciaia, e alguns dos
vinhos de Leone de Castris, mas a maioria era conhecido pela produção a granel
para envio ao norte da Itália e França para dar cor e corpo a vinhos de baixa
qualidade.
Hora de Repensar
Os
vinhos a granel estão perdendo a importância na Puglia e as castas
internacionais são agora apenas uma camada fina do total produzido. A maioria
dos vinhos da região vêm de castas nativas, cultivadas em pequenas propriedades
familiares ou de médio porte – adegas como Apollonio, Fatalone, L’Astore,
Pietraventosa
e Tarantini – embora até mesmo os produtores
de outras regiões ali instalados, inlcuindo os acima mencionados, estão agora
se concentrando mais e mais em variedades da própria região.
A
maioria dessas variedades são desconhecidas para os amantes do vinho para além
das fronteiras italianas, e muitas são pouco conhecidas até mesmo para os
italianos que vivem além da própria Puglia. A maioria dos consumidores já ouviu
falar de algumas, embora possam associar os nomes com outras regiões –
Aglianico, Aleatico, Montepulciano, Negroamaro, e, claro, Primitivo. Mas e
sobre a Uva di Troia, Susumaniello, Bombino Nero, Malvasia Nera, Pampanuto e
Ottavianello? Todas essas são cultivadas em grandes quantidades em inúmeras zonas
vitícolas da Puglia, originando cada vez mais vinhos de primeira classe, quer
sejam varietais ou cortes. No caso dos cortes, também são feitos a partir das
castas nativas, apenas raramente empregando variedades internacionais.
Grande Potencial
Trata-se
de todo um universo alternativo de vinho que vale a pena explorar. A Puglia é a
terceira maior região produtora de vinho da Itália, depois do Veneto e
Emilia-Romagna. Incluindo a Sicília, estas são as quatro regiões responsáveis
por 60% da produção de vinho italiano.
Luigi
Rubino, enólogo e presidente do consórcio que patrocina a Puglia Wine Identity, afirma: “52% da produção de vinho da Puglia é agora vinho DOC. Em primeiro lugar, a Puglia é uma terra de grandes tintos –
pode-se mesmo dizer que é a região com o maior potencial para os vinhos tintos
da Itália”.
A
principal fonte desse potencial encontra-se em três grandes variedades tintas –
Primitivo, Uva di Troia e Negroamaro. Esta última é uma variedade antiga, supostamente
introduzida há cerca de 2.500 anos pelos colonos gregos no que era então um
sertão selvagem da Magna Grécia. A Negroamaro se adaptou bem ao calor e aridez
desta terra queimada pelo sol. Embora sistemas mais modernos de condução de
videira tenham sido introduzidos, a grande maioria dos produtores sérios mantêm
o antigo sistema conhecido como Alborello,
a ‘pequena árvore’ de vinhas de pé livre, plantada no centro de um círculo com
um raio de cerca de um metro entre cada videira (ver foto). Podadas
relativamente curtas, o manejo é manual em cada etapa, desde a poda no inverno até
a colheita no outono. Menosprezado na maior parte do mundo do vinho, o Alborello se adapta perfeitamente ao
clima da Puglia: as vinhas fazem sombra para as uvas durante os dias quentes,
e, pelo fato das podas serem baixas, as uvas também se beneficiam do calor
armazenado na terra à noite, quando as temperaturas podem cair muito
drasticamente.
Idas e Vinhas
Sistema de condução Alborello
As Três Grandes
Cultivada
desta forma, a Negroamaro produz um
vinho de caráter paradoxal: frutas negras, quase doces na parte da frente da
boca, seco no meio e terminando com um agradável e intrigante amargor. Os
vinhos dos melhores produtores envelhecem muito bem, suavizando um pouco e
adquirindo profundidade e complexidade – muito minerais e com notas terrosas, à
medida que o terroir começa a se mostrar. São vinhos substanciais, feitos para
acompanhar carnes assadas e queijos fortes. 
Idas e Vinhas
Negroamaro – WinesOfPuglia.com
A
Uva di Troia conta uma história
diferente. Enquanto a Negroamaro é a uva do sul da Puglia, a Uva di Troia se
destaca ao norte, em torno do Castel del Monte, embora produtores de toda a
Puglia estejam fazendo testes em campos que consideram adequados. Por causa de
seu nome, há muita especulação sobre a antiguidade da variedade. A especulação
é alimentada pela existência na região da Puglia de uma pequena cidade chamada
Troia, uma vez que o lugar reivindica sua origem a partir de Diomedes, um dos
heróis da guerra de Tróia. Em muitos aspectos, a história grega e a pré-história
figuram na Puglia de forma mais importante do que a romana. 
Idas e Vinhas
Uva di Troia – WinesOfPuglia.com
Seja
qual for a sua origem, a Uva di Troia difere completamente da Negroamaro. Dá origem a  vinhos de corpo médio, com teor de álcool mais baixo (13 a
13,5% é usual). Com seu caráter frutado distinto que remete a cerejas, além de
elegância, estes vinhos parecem voltados para envolver paladares moldados por
vinhos do norte da Europa. Produtores e jornalistas concordam que os vinhos elaborados com a Uva di
Troia devem ter um caminho fácil para a aceitação do consumidor.
E
depois há a Primitivo. Outra uva do
sul, onde muitas vezes amadurece antes das demais castas e pode ser colhida
primeiro (daí o seu nome: ‘a primeira’), a Primitivo parece ter chegado na
Puglia mais recentemente que a Uva di Troia ou a Negroamaro, vindo da Croácia. Como
a maioria dos amantes do vinho já sabe, a Croácia também é supostamente a
origem de Zinfandel da Califórnia, e as duas variedades estão relacionadas. Mas
a Primitivo da Puglia definitivamente não é a californiana Zinfandel. Pode ser exuberantemente
frutada de forma que, inicialmente, se pareça com a Zinfandel, mas a melhor
Primitivo oferece mais do que frutas no palato, e termina seca e com agradável
final de framboesa, de maneira que faz você querer mais. 
Idas e Vinhas
Primitivo – WinesOfPuglia.com
O
maior problema da Primitivo reside no altíssimo teor de açúcar, e nem todo ele
é transformado em álcool. 15% de álcool é comum em vinhos Primitivo, e já se
tornou frequente encontrá-los com níveis de 16% e até 17%, muitas vezes com
quantidades substanciais de açúcar residual (em torno de 2%).
As duas faces da
Primitivo
Naturalmente,
diferentes produtores apresentaram distintas versões de Primitivo, com a nítida
distinção entre o que parece ousado e o que prima pela contenção e elegância. É
uma simplificação, mas não uma completa distorção, dizer que essas duas
tendências foram incorporadas em duas zonas: Primitivo di Manduria geralmente
favorece a tendência exuberante-esmagadora, enquanto a Primitivo de Gioia del
Colle prefere secura completa, elegância e contenção. A Primitivo de Salento, uma
zona mais ampla do que qualquer uma das duas que acabamos de mencionar,
apresenta um quadro misto, mas mais frequentemente favorece o estilo Manduria
exuberante.
Finalmente,
a Puglia reserva um novo concorrente entre a suas uvas tintas, a Susumaniello. Na época em que a Puglia foi
especializada em vinhos a granel, as vinhas de Susumaniello acabaram perdendo
espaço pela simples razão de não produzirem em grandes quantidades. Agora que o
foco da Puglia mudou de quantidade para a qualidade, a Susumaniello torna-se atraente.
Ela tem boa acidez e taninos relativamente macios, fruta muito agradável e
distinta – destacando a cereja, como Uva di Troia, mas diferente no sabor. É moderada
no açúcar, resultando em vinhos com cerca de 13 a 13,5% de álcool. No geral, é
uma uva de grande potencial, e cada vez mais produtores estão investindo.
Mas
isso poderia ser dito de todas as quatro uvas tintas e, provavelmente, de várias
outras também. Por exemplo, Bombino Nero
é usada quase exclusivamente para fazer rosato,
mas parece ter possibilidades para além disso. Malvasia Nera é quase sempre utilizada em cortes, como casta minoritária
do blend, mas também promete ir além
deste papel limitado.
Para
complementar e enriquecer este post, o qual é uma adaptação e tradução livre de
uma matéria da edição especial da revista Decanter (2013) dedicada à Itália, nós
do Idas e Vinhas escolhemos 7 vinhos de diferentes produtores para degustar. Todos
estão disponíveis no mercado brasileiro. 
Idas e Vinhas

Vamos a eles?
Femar Vini –
Primitivo di Puglia Epicuro Rosato 2012
Cor
cereja. No nariz os aromas são razoavelmente intensos e persistentes. Com notas
doces de morangos, cerejas e rosas. Frutado e de médio corpo em boca, faltando
um pouco de acidez. De boa persistência aromática e fim de boca adocicado.
Nota
IV: 83 
Idas e Vinhas

O rótulo
Vinho: Primitivo
di Puglia Epicuro Rosato
Produtor: Femar Vini
Casta: 100% Primitivo
Safra: 2012
País: Itália
Região: Puglia
Graduação: 11%
Importadora: Vinci
R$68,47
Afinamento por 3 meses em grandes barris de carvalho
esloveno.
Cor
vermelho rubi com reflexos violáceos. No nariz os aromas são intensos e
persistentes. Com notas de frutas negras maduras (ameixas e cerejas) e um leve
defumado. Em boca é encorpado, com acidez equilibrada e taninos marcantes. Fim
de boca de muito boa persistência.
Nota
IV: 87 
Idas e Vinhas

O rótulo
Vinho: Forte Canto Primitivo Salento IGT
Produtor: Apollonio
Casta: 100% Primitivo
Safra: 2010
País: Itália
Região: Salento, Puglia
Graduação: 14%
Importadora: Grand Cru
R$50
Afinamento durante 12 meses em carvalho americano e mais 12 meses em
garrafa na adega.
Cor vermelho rubi com reflexos violáceos. No nariz os aromas são
muito intensos e persistentes. Com notas de frutas vermelhas em compota
(framboesas, cassis e cerejas), de especiarias (baunilha e canela), café,
chocolate, coco queimado e madeira. Em boca é encorpado e macio, com taninos
equilibrados e o doce das frutas e a madeira estão presentes. Fim de boca muito
persistente e agradável, que convida a uma nova taça.
Nota
IV: 89 
Idas e Vinhas

O rótulo
Vinho: Rocca dei Mori Briacò Primitivo Salento IGT
Produtor: Apollonio
Casta: 100% Primitivo
Safra: 2007
País: Itália
Região: Salento, Puglia
Graduação: 14%
Importadora: Grand Cru
R$67,50
Afinamento por 3 meses em grandes barris de carvalho
esloveno.
Cor
vermelho rubi. No nariz apresentou boa intensidade e persistência de aromas.
Com notas de ameixas maduras, chocolate, terra e cogumelos. Em boca é de médio
corpo, com boa acidez e taninos equilibrados. Fim de boca frutado e de muito
boa persistência.
Nota
IV: 86 
Idas e Vinhas

O rótulo
Vinho: Forte Canto Salice Salento DOP Puglia
Produtor: Apollonio
Casta: 80% Negroamaro e 20% Malvasia Nera
Safra: 2011
País: Itália
Região: Salento, Puglia
Graduação: 13%
Importadora: Grand Cru
R$50
Afinamento por 6 meses em barris de carvalho de 225l.
Cor
vermelho granada. No nariz apresentou boa intensidade e persistência de aromas.
Destaque para as frutas vermelhas maduras (cerejas e framboesas), pimenta do
reino e tabaco. Em boca apresentou médio corpo, com boa acidez e taninos
equilibrados. Fim de boca frutado e de muito boa persistência.
Nota
IV: 87 
Idas e Vinhas

O rótulo
Vinho: Passamante Salento, Salice Salentino DOC
Produtor: Masseria Li Veli
Casta: 100% Negroamaro
Safra: 2008
País: Itália
Região: Salento, Puglia
Graduação: 13,5%
Importadora: Vinci
R$86,79
Afinamento em carvalho francês durante 6 meses e 6 meses em
garrafa na adega.
Cor
vermelho rubi. No nariz os aromas são intensos e muito persistentes. Em
evidência estão as frutas vermelhas maduras (ameixas, cassis e framboesas),
hortelã, café e chocolate. Em boca apresentou médio corpo, boa acidez e taninos
equilibrados. Fim de boca frutado e de muito boa persistência.
Nota
IV: 89 
Idas e Vinhas

O rótulo
Vinho: Rocca de Mori Salice Salentino DOP
Produtor: Apollonio
Casta: 80% Negroamaro e 10% Malvasia Nera di Lecce e 10%
Malvasia Nera di Brindist
Safra: 2008
País: Itália
Região: Salento, Puglia
Graduação: 14%
Importadora: Grand Cru
R$70
Afinamento em carvalho francês durante 18 meses e mais
12 meses em garrafa na adega.
Cor
vermelho granada com reflexos alaranjados. No nariz os aromas são bastante
fino, intensos e persistentes. Se destacam figos secos e uva passa, cassis,
tabaco e café. Em boca é encorpado, com boa acidez e taninos ainda vivos. O
sabor dos figos secos e da uva passa também estão presentes. Fim de boca
frutado e muito persistente.
Nota
IV: 86 
Idas e Vinhas

O rótulo
Vinho: Castel del Monte Riserva Le More DOC
Produtor: Azienda Agricola Santa Lucia
Casta: Uva di Troia
Safra: 2003
País: Itália
Região: Salento, Puglia
Graduação: 14%
Importadora: Vinci
R$109

*
Matéria em tradução livre da edição especial da revista Decanter “Italy 2013
Your essential guide to what’s new and exciting in Italian wine”.

Provamos e aprovamos… D.V. Catena Vineyard Designated Malbec Nicasia Vineyard 2003

Idas e Vinhas

Em Outubro de 2010
fizemos uma viagem turística à Argentina e, claro, trouxemos alguns vinhos na bagagem. No final de semana passado (03/05) achamos que já era hora de abrirmos
um dos
Catena Zapata presentes em nossa adega. O escolhido
foi o D.V. Catena Vineyard Designated
Malbec Nicasia Vineyard 2003
.

Nicolás
Catena
é o nome à frente da quarta geração de uma das mais tradicionais vinícolas
da Argentina, a Catena Zapata.
São mais de 100 anos de história, e a primeira vinha de Malbec foi plantada em
1902. Foi preciso muito trabalho e dedicação para alcançar a excelência. Após
obter grandes resultados com o vinhedo Angélica, de mais de 60 anos, o desafio
foi selecionar os clones para os novos vinhedos. Nicolás desenvolveu sua própria
seleção de clones Malbec (após decepcionante tentativa com clones importados da
França) e os cinco melhores foram plantados em diferentes microclimas, a
diferentes altitudes, com excelentes resultados.
Os
vinhedos Nicasia foram plantados em 1996 e estão a 1.180m de altitude, no
distrito de Altamira da região de San Carlos a 115 Km ao sul de Mendoza.
Idas e Vinhas
A safra 2003
O
clima durante os meses de maturação (Março e Abril) foi seco e com redução das
temperaturas máximas, o que forneceu as condições ideais para que o ciclo de
maturação se concluísse de forma lenta e gradual. A ausência de riscos
climáticos permitiu colher uvas com um ótimo nível de maturação. Isto fez com
que a safra de 2003 fosse considerada excelente pelos especialistas, talvez
melhor que a de 2002.
Vamos ao vinho?
100%
Malbec com afinamento de 24 meses em carvalho francês novo. Produção de 79
barris de 250 litros.
Surpreendentemente
jovem! Apesar dos seus 11 anos de idade, a cor do vinho ainda é vermelho
púrpura com reflexos violáceos. No nariz apresentou aromas de ameixas maduras,
cassis, baunilha, café e alguma nota floral. Em boca mostra elegância. As
frutas maduras são confirmadas e a madeira presente confere um leve sabor de
chocolate. É encorpado, os taninos são macios e a acidez está equilibrada. O
seu final é longo e agradável.
Em
excelentes condições para ser degustado agora, mas pela estrutura e vivacidade,
acreditamos que ainda evolua bastante bem pelos próximos anos.

Nossa
nota IV: 89
Idas e Vinhas
O rótulo
Vinho: D.V. Catena Vineyard Designated Malbec Nicasia Vineyard
Produtor: Catena Zapata
Casta: 100% Malbec
Safra: 2003
País: Argentina
Região: Mendoza
Graduação: 13,5%
Importadora: Mistral
R$116 (na Argentina)

Jantar harmonizado com vinhos portugueses no restaurante Zuka da Barra

Idas e Vinhas
O restaurante Zuka da Barra promoverá no dia 15 de
maio, quinta-feira, às 20h, jantar harmonizado com vinhos portugueses.

Foto: Rodrigo Azevedo
A criação do menu e a carta de vinhos
ficam por conta do chef Marcelo Ribeiro
e de Paulo Nicolay (SBAV – RJ), respectivamente.
Para o Amuse Bouche, será
servida a Trilogia de Salgadinhos Portugueses – Bolinho de Frango, Risole de Camarão
e Croquete de Chouriço – e o Espumante
Filipa Pato 3B Brut Rosé
, da região Bairrada.
A entrada terá como opção o Terrine de
Bacalhau com Legumes Brunoise e o vinho de Filipa
Pato, Nossa Calcario 2012
, também da região da Bairrada.
O prato principal será o Porquinho
Recheado com Arroz de Braga escoltado pelo rótulo Duorum Colheita 2011, do Douro.
Para finalizar, a sobremesa Mil folhas de Ovos Moles, harmonizado com o vinho Madeira 3 Anos Doce, da região de
Madeira.
Valor (R$ 198,00) inclui água, café e
serviço.
Serviço
Nome: Zuka
– Barra
Endereço:
Avenida das Américas, 4666 – Boulevard Gourmet,
loja 147 (Barra Shopping)
Telefone: 2512-8545
Metrô
a menos de 500 metros? Não
Número
de lugares: 88 Lugares
Horário
de funcionamento: de segunda a domingo, das 12h às 23h.
Cartões
de crédito (American Express, Diners, Mastercard e Visa): American Express,
Mastercard e Visa
Cartões
de débito (Cheque Eletrônico, Maestro, Redeshop e Visa Electron): Todos
Cartões
de refeição (Smart Vale Refeição, Greencard, Sodexho Pass, Ticket Restaurante,
Visa Vale): Visa Vale e Ticket Restaurante

Tíquetes
(Cheque Cardápio, Ticket Restaurante, Vale Refeição): Não
*  Informações fornecidas pela organização do evento