Confraria Idas e Vinhas… Champagne e Espumantes Rosé

Idas e Vinhas

Se por um lado o
calor não dá trégua no Rio de Janeiro, de outro os espumantes ajudam a
refrescar… No encontro de 09 de Janeiro de 2014 da ‘Confraria Idas e Vinhas’ degustamos 2 espumantes nacionais e um
Champagne (veja aqui
). Desta vez, em 21 de Fevereiro, escolhemos degustar um
espumante nacional, um italiano e um Champagne.

Os
rótulos escolhidos foram os seguintes: Cave Geisse Terroir Rosé Brut 2008
(Brasil), Ferrari Maximum Rosé (Itália) e Montaudon Champagne Grande Rose
(França).
Decidimos
fazer a degustação às cegas para descobrirmos qual dos três seria o melhor, sem
que pudéssemos ser influenciados pelo prestígio do Ferrari ou pela expectativa
que sempre gera um Champagne.
Os
vinhos foram degustados na ordem abaixo. Vamos aos resultados?
Cave Geisse Terroir Rosé Brut 2008 – Pinto Bandeira – RS
100%
Pinot Noir, elaborado pelo método Champenoise. Tempo de amadurecimento em
garrafa de no mínimo 36 meses. Produção de 6.500 garrafas. 12,5% de álcool.
Cor
pele de cebola. O perlage é de boa persistência,
o tamanho e a quantidade das bolhas é bom. Houve boa formação do colar na
superfície da taça, mas com pouca persistência. No nariz, notas de frutas
vermelhas se destacando os morangos maduros, e algum traço de fermento de pão.
Em boca tem boa cremosidade, boa qualidade das agulhas (CO2), os
morangos são confirmados e há bom equilíbrio entre maciez e acidez. De final
não muito persistente e com traço amargo.
Média
do grupo: 76
R$100 
Idas e Vinhas

70%
Pinot Noir e 30% Chardonnay, elaborado pelo método Champenoise. Tempo de
amadurecimento em garrafa de no mínimo 36 meses. 12,5% de álcool.
Cor
salmão. O perlage é de boa
persistência, o tamanho e a quantidade das bolhas é muito bom. A formação do
colar na superfície da taça foi de boa qualidade, mas de baixa duração. No
nariz apresentou notas de frutas vermelhas e casca de pão. Em boca, boa
cremosidade, com agulhas “nervosas”. Perfeito equilíbrio entre maciez e acidez
e o seu final é de média duração com notas de caramelo. 
Média
do grupo: 85
WS:
89
R$200
Importadora:
Decanter
Idas e Vinhas

50%
Pinot Noir e 50% Chardonnay. 12% de álcool.
Cor
pêssego. O perlage é de boa
persistência, o tamanho e a quantidade das bolhas é bom. Houve boa formação do
colar na superfície da taça, mas de baixa duração. No nariz há notas claras de
framboesas, morangos, pêssegos e leveduras. Em boca apresenta boa cremosidade e
boa qualidade de CO2, muito bom equilíbrio entre acidez e maciez. O
retrogosto é caramelado e de média persistência.
Média
do grupo: 86,5
WS:
90
R$125
Importadora:
wine.com.br

Idas e Vinhas

Conclusões
Mesmo
sendo às cegas, o grupo acabou se rendendo à elegância do Champagne Montaudon. Quase empatado veio o
excelente Ferrari, com equilíbrio
notável. O Cave Geisse é um espumante
bem feito, mas perdeu pontos pela pouca persistência dos aromas e pelo
equilíbrio inferior aos demais.

Analisando
o custo benefício, outra medalha para o Montaudon! Foi o que mais entregou, a
um preço razoável.
Comparativo entre cores e formação do colar – Da esquerda para a direita: Cave Geisse, Ferrari e Montaudon

Marques de Gelida – Negre Selecció

Idas e Vinhas

A
importadora Asa Gourmet traz para o verão carioca o vinho Negre
Selecció
.

Créditos: ASA Gourmet
Para a estação serão oferecidas cerca de 1.500 garrafas do jovem
tinto da tradicional vinícola Marques de Gélida.
Elaborado com as castas Tempranillo e Syrah. 
Graças ao processo de
elaboração, o Negre Selecció possui uma variedade peculiar de aromas de frutas.
Delicados aromas florais e com notas de frutas
vermelhas. No paladar, taninos muito suaves e doces, bem equilibrado.
ASA Gourmet 
*Texto e informações fornecidas pela ASA Gourmet.

Provamos e aprovamos… Caldora Sangiovese Terre di Chieti IGT 2012

Idas e Vinhas

Após algum tempo
degustando vinhos e espumantes brancos, sentimos falta dos taninos. Procurando
não radicalizar na transição, resolvemos abrir um tinto descompromissado e que
tinha grandes chances de dar certo pois já conhecemos o produtor.

 Leia
aqui
sobre a vinícola e o outro vinho que degustamos.
Cor
vermelho-púrpura e brilhante. No nariz, predominaram as frutas vermelhas
maduras com destaque para a ameixa e o morango, e leves nuances de madeira.
Em
boca é equilibrado, de médio corpo, os taninos são macios e a acidez e o álcool
estão perfeitos. As frutas também predominam e a madeira aparece com sutileza. Final
médio e de razoável persistência.
Um
vinho agradável, fácil de beber e com ótima relação custo/benefício.
Nossa
nota IV: 83
R$32
Idas e Vinhas
O rótulo
Vinho: Caldora Sangiovese Terre di Chieti IGT
Produtor: Caldora
Casta: Sangiovese
Safra: 2012
País: Itália
Região: Ortona
Graduação: 12,5%
Importadora: Casa Flora

Central Otago Pinot Noir – Nova Zelândia

Idas e Vinhas
Pisa Range Estate Winery
Nos
últimos 25 anos, esta região tornou-se o padrão do Novo Mundo para a Pinot
Noir. Esse salto na qualidade foi fruto da substituição de variedades híbridas
por castas europeias, movimento iniciado na década de 60 do século passado.

Idas e Vinhas

Central Otago diferencia-se das demais
regiões vinícolas da Nova Zelândia pelo seu clima continental (situa-se no
interior da ilha Sul). Verões quentes, invernos bem frios e a ausência da
influência marítima favorecem a Pinot Noir (cepa mais plantada na região), conferindo
a seus vinhos estilo parecido com o dos produzidos na Borgonha.
Os enólogos de Central Otago são uma raça em
constante mudança. Um dos pioneiros foi o francês Jean Désiré Feraud, que
bravamente plantou videiras em 1864. Feraud foi seguido nos anos de 1970 e 1980
por alguns moradores aventureiros que experimentaram uma gama de variedades e
locais, provando que a área era propícia para a viticultura. Viticultores e
enólogos profissionais foram atraídos para a região e acabaram por provar que Central
Otago poderia fazer vinhos muito bons, especialmente Pinot Noir. Os mais
recentes interessados são produtores de outras regiões, como a Cloud Bay,
Pernod Ricard (Brancott Estate) e Craggy Range, buscando incluir um Otago Pinot
Noir em seus portfolios.
Para entender completamente a sedução desta
região, é necessário visitá-la. É a única região vinícola com influência continental
da Nova Zelândia e a paisagem alpina é espetacular. Mesmo para o olho destreinado
parece um país do vinho. O terreno rochoso oferece vales férteis, encostas
ensolaradas e socalcos (encostas com terraços) perfeitos para a produção de
vinhos de alta qualidade.
Estilo
Distinto
Levou pouco mais de 25 anos para o Central
Otago Pinot Noir se tornar um estilo reconhecido internacionalmente. Para
alcançar essa distinção um estilo de vinho deve ser muito bom, consistente e,
mais importante, completamente diferente. As características mais fortes do
Central Otago Pinot Noir são os marcantes aromas frutados, com destaque para ameixa
e cereja. Com frequência os vinhos apresentam textura rica e adquirem notas de
tomilho, erva nativa da região.
As sub-regiões que tendem a produzir vinhos semelhantes
são Bannockburn e Cromwell Basin. Os terraços de média e alta elevação de
Bendigo oferece um perfil similar, com textura mais fina e elegante. Gibbston e
Wanaka são sub-regiões mais frias com vinhos mais nítidos e brilhantes, que
podem ter notas de ervas frescas, enquanto os verões quentes e curtos da região
de Alexandra Basin tende a criar vinhos mais perfumados e encorpados, que muitas
vezes impressionam pela longevidade.
Comparáveis por especialistas aos vinhos da
Borgonha/Côte d’Or, os Pinot Noir de Central Otago são considerados mais macios,
frutados, frescos e mais acessíveis.
Central Otago Pinot Noir é normalmente tão acessível
quando lançado que é fácil inferir que não que não tenham potencial de guarda. No
entanto, é difícil falar com autoridade sobre o potencial de envelhecimento do Pinot
Noir neozelandês, em virtude de sua história curta já que a maioria dos
produtores preferiu adotar o sistema de screwcap para o fechamento das garrafas
(cerca de 8 anos atrás). Screwcaps prolongam e não comprometem a vida do Pinot
Noir. Pode-se especular que a maioria ainda estará boa para beber depois de 20
anos em garrafa, desde que mantidos em condições razoáveis de armazenamento.
Vinhos mais estruturados, especialmente
aqueles feitos usando uma porcentagem de cachos inteiros para reforçar os
taninos durante a fermentação, parecem ganhar em complexidade e textura com o envelhecimento
em garrafa.
Saiba
mais sobre as safras
2012 – Safra abundante e consistentemente
boa. Pronta para beber e com potencial de guarda.
2011 – Acima da média. Choveu um pouco. Vinhos
estruturados que evoluirão bem na adega.
2010 – Safra muito boa. Produziu vinhos
excelentes que já estão bons para serem bebidos agora, mas não tenha pressa.
2009 – Vinhos excelentes, muitas vezes com
sabor pronunciado de frutas. Tão boa quanto a grande safra de 2007.
2008 – A safra de maior produção já
registrada. A maioria dos vinhos são bons embora alguns possam apresentar corpo
magro se foram afetados pela chuva tardia.
2007 – Safra bem conceituada, talvez a melhor
até o momento. A colheita foi pequena. Os vinhos são frutados, elegantes e
poderosos. Envelhecerão bem.
2006 – A estação foi seca e quente e produziu
vinhos charmosos e acessíveis.
2005 – Safra muito pequena e fresca. Os
vinhos são firmes, estruturados e precisam em tempo em adega.
2004 – A safra mais fria (até 2005). Os
vinhos são concentrados e estruturados, e com frequência apresentam aromas herbais.
2003 – Boa safra, embora tenha sido atingida
por geadas. A maioria dos vinhos tem potencial para envelhecer.
Dados
de Central Otago
Vinhedos de Pinot Noir em produção em Central
Otago: 1.357ha (76% dos vinhedos da região)
Vinhedos de Pinot Noir em produção na Nova
Zelândia: 5.125ha
Quantidade de uvas colhidas anualmente (todas
as variedades): 8.407 toneladas
Produção: 124 vinícolas e 33 produtores de
uvas
A revista Decanter realizou uma degustação de 90 rótulos das safras 2009,
2010, 2011 e 2012 de vinhos da casta Pinot Noir. Foram
selecionados vinhos de produtores renomados e desconhecidos, grandes e pequenos
e de diversas faixas de preços. 
Pisa Range Estate Winery
Os resultados foram 5
excelentes, 32 altamente recomendados, 49 recomendados e 4 razoáveis.
Listamos aqui os 5
excelentes e os 32 altamente recomendados. Se você se deparar com qualquer um
destes rótulos, considere seriamente comprá-lo!!!
Excelentes
Altamente recomendados
Este post é uma adaptação e tradução
livre da matéria escrita por Bob Campbell na edição de Janeiro de 2014 da Decanter.
Literatura pesquisada para este post
Os Segredos do Vinho,
de José Osvaldo Albano do Amarante
The Landscape of New Zealand Wine, Kevin Judd e Bob Campbell