Aconteceu… Degustação Vins d’Alsace na ABS-RJ – 09 de Dezembro de 2013

Idas e Vinhas

A última segunda-feira foi dia de degustação de vinhos da Alsácia na ABS-RJ. O clima tinha tudo a ver
com a ocasião (já que a Alsácia é famosa por seus vinhos brancos e crémants): estava calor, muito calor!
Mais uma vez, termômetros ultrapassando os 30ºC…

Idas e Vinhas

A
apresentação ficou por conta do embaixador dos vinhos alsacianos no Brasil: o
francês Olivier Bourse.
Olivier
é sommelier formado pela Universidade do Vinho de Suze-la-Rousse (Provence), trabalhou na adega Caves Taillevent em Paris e estabeleceu residência em São Paulo em 2005.
Hoje é consultor de grandes importadoras de vinhos no Brasil.
 

Idas e Vinhas
Olivier Bourse e Caroline Putnoki
A
Alsácia tem grande influência germânica, já que pertenceu à Alemanha em
diferentes momentos da História. Localiza-se às margens do rio Reno, faceando a
região vinícola alemã de Baden. Os nomes das cidades, das pessoas e dos
vinhedos são quase que totalmente de origem alemã, bem como as variedades de
castas cultivadas.
Idas e Vinhas

A
região conta com uma grande variedade de solos, subsolos e micro climas,
levando os produtores alsacianos a cultivar várias cepas: Sylvaner, Pinot
Blanc, Riesling, Muscat d’Alsace, Pinot Gris, Pinot Noir e Gewurztraminer.
Idas e Vinhas

A
altitude dos vinhedos varia entre 170 a 550m. Devido a altitude o clima deveria
ser fresco, mas as cadeias de montanhas (Maciço de Vosges) que atravessam de
Norte a Sul, acabam por proteger os vinhedos dos ventos e das chuvas. Isso faz
com que a região possua um dos menores indíces pluviométricos anuais do país, 500
a 650mm. A exposição solar é de 1.800 horas anuais e durante o período de
maturação das uvas há alternância entre dias quentes e noites frescas. Estes
fatores contribuem para qua os vinhos sejam estruturados, possuam aromas
complexos, grande frescor e acidez equilibrada.
Idas e Vinhas

A
região conta com cerca de 15.500ha de videiras divididas entre 4.500 produtores
e a produção anual é de 1,15 milhões de hectolitros (150 milhoes de garrafas),
sendo 90% de brancos. Desta produção, 75% é comercializada dentro do país e o excedente
exportado.
Idas e Vinhas
AOC Alsace (criada em
1962, representa 72% da produção):
o nome AOC pode ser complementado por uma
denominação geográfica comunal. Essa denominação precisa atender padrões
rigorosos de produção tais como variedade de casta, densidade de plantação,
poda, amadurecimento e rendimento.
São
permitidos 11 nomes de denominações comunais:

Blienschwiller

Saint-Hippolyte
Côtes de Barr
Scherwiller
Côte de Rouffach
Vallée Noble
Klevener
de Heiligenstein
Val
Saint-Grégoire
Ottrott
Wolxheim
Rodern

*
AOC Alsace “lieu-dit” (pequena
localidade): “lieu-dit é o nome dado localmente a um lote de terra ou vinhedo
dentro de uma denominação maior. Também devem seguir regras específicas de
produção que são mais rigorosas quando comparadas às da comunal.
Idas e Vinhas

AOC Alsace Grand Cru (criada em 1975, representa 8% da superfície e 4% da produção): criada para
diferenciar 51 “lieux-dits”. Em 2011 estas localidades foram reconhecidas como
denominações distintas.
Apenas
4 castas são autorizadas: Riesling, Muscat, Pinot Gris e Gewurztraminer.
A
AOC Grands Crus mostram a influência dos diferentes terroirs sobre os vinhos. A
designação é atribuída a vinhos que satisfazem um conjunto de critérios
relacionados à qualidade: limitações estritas sobre terroir, baixo rendimento,
regras específicas de condução das videiras, níveis mínimos de maturação
natural e de sabor.
O
tamanho dos vinhedos Grand Crus pode variar entre 3 e 80ha.
O
rótulo do vinho deve apresentar a safra, o nome de um dos 51 terroirs dentro da
denominação Grand Cru. Não é obrigatório mencionar a casta.
Estes
vinhos estão entre os melhores brancos do mundo. São finos e complexos e
apresentam grande potencial de guarda (10 a 30 anos). São considerados
verdadeiras jóias.
Diferentemente
de outras regiões francesas, a denominação Alsace traz no rótulo o nome da
casta, que deve entrar 100% na composição do vinho. É possível encontrar cortes
de castas brancas recebendo a menção Edelzwicker
ou Gentil no rótulo, porém não é
obrigatório informar as castas utilizadas, a quantidade utilizada nem a safra.
4.    
Brand (Turckheim)

Idas e Vinhas
AOC Crémant d’Alsace
(criada em 1976, representa 22% da produção):
para a elaboração do
Crémant d’Alsace é necessário a utilização do método tradicional. As castas
autorizadas são a Pinot Blanc, a Pinot Gris, Pinot Noir, Riesling e a
Chardonnay.
Vinhos doces
Late Harvest ou
“Vendages Tardives”:

são elaborados com as uvas colhidas quando estão muito maduras e começaram a
ser atacadas pelo Botrytis Cinerea, geralmente várias semanas após o início da
colheita. As castas mais utilizadas são a Gewürztraminer, Pinot Gris, Riesling ou
a Muscat.

Sélecion de Grains
Nobles:

para a elaboração deste vinho, as uvas são colhidas uma a uma e durante
sucessivas passagens pelos vinhedos. Apenas os grãos que apresentam a “Podridão
Nobre” são colhidos. Os vinhos são intensos, com grande complexidade de aromas
e sabores.
Ao
final da apresentação degustamos sete vinhos de renomados produtores
Alsacianos. Vamos a eles? 

No
nariz as notas são de framboesas e morangos. Em boca é cremoso, com bom corpo e
boa acidez. De final levemente amargo.
Importado por: Chez France – R$83
Leves
aromas de mel, pêra, abacaxi e hortelã. Em boca apresentou corpo leve, acidez
viva e refrescância. De final médio e retrogosto de toffee e avelãs tostadas.
Importado
por: Taste Vin – R$64
Aromas
de maçã verde, capim limão, flor e mel. Com boa mineralidade em boca, excelente
acidez e frescor.
Importado
por: Decanter – R$103
AOC Alsace Riesling
2010 “Terroir Alsace”, Zind-Humbrecht
Mostrou
notas minerais e cítricas (limão), maracujá e um leve aroma de
querosene. Em boca a mineralidade e as notas cítricas são confirmadas, elevada
acidez e de final persistente.
Importado
por: Delacroix – R$139
No
nariz os aromas são de rosas, maçã e lichia. Em boca é fresco, com alta acidez
e mineralidade.
Importado
por: Delacroix – R$79
Aromas
florais, capim limão e mel. Em boca apresentou bom corpo, boa acidez e de final
muito longo e doce.
Importado
por: Cellar – R$140
Aromas
intensos de damasco, casca de laranja e caramelo. Em boca apesentou elevada
acidez, bom corpo e final longo.
Importado
por: Cellar – R$140
Idas e Vinhas

Pudemos confirmar o que Olivier declarou logo no início da apresentação: vinhos de alta qualidade, aromáticos e cheios de luz.
Material
pesquisado para este post:
Os
Segredos do Vinho – José Osvaldo Albano do Amarante
Larousse
do Vinho
Vinhos
Franceses – Robert Joseph

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