Idas e Vinhas na Estrada – 15/12/2012 parte I – Viña Veramonte – Valle de Casablanca

Idas e Vinhas

O
dia amanheceu muito claro e ensolarado, e nosso guia Manoel, eficiente como
sempre, já nos aguardava para o que seria o encerramento perfeito dessa viagem.
E tomando a direção Oeste pela Rota 68, rumo ao litoral de Valparaíso, seguimos
para o vale de maior tradição em uvas brancas do Chile, o Valle de Casablanca.
Veramonte,
Loma Larga, Emiliana e Kingston foram as vinícolas que visitamos.

A região
O
Valle de Casablanca é a referência chilena quando se trata de uvas brancas. As
uvas plantadas aqui são reconhecidas internacionalmente pela qualidade.
Foi
a primeira região vinícola de clima frio criada no Chile, cerca de 25 anos atrás.
O que antes era uma região relativamente pouco trabalhada (dedicada à pecuária)
hoje está tomada por vinhedos, transformada em um belo tapete verde!
  
Idas e Vinhas

As
rainhas são a Chardonnay e a Sauvignon Blanc, mas muito produtores vêm se
dedicando, com sucesso, ao cultivo de Pinot Noir.
É
uma zona de clima mediterrâneo e mais frio que o Valle Central, recebendo
influência da brisa marítima da tarde. Apresenta poucos níveis de chuva e está
sujeita a geadas. Em virtude das temperaturas mais baixas, as uvas de
Casablanca amadurecem mais tarde, e a colheita ocorre cerca de um mês mais
tarde do que as outras regiões.
A vinícola

Idas e Vinhas

A
Veramonte é um dos grandes grupos vinícolas do Chile, embora familiar (de
propriedade de Agustín Huneeus). Seus
vinhos são de muito boa qualidade, corretos e de preços bastante acessíveis (a
linha Reserva chega no mercado brasileiro em torno de R$ 35,00 e o Premium
Primus em torno de R$45,00).
Idas e Vinhas

Fundada em 1996, geograficamente a
Veramonte é a primeira vinícola do Valle de Casablanca. Fica a cerca de 70 km
de Santiago. A bela bodega, inaugurada em 1998 e projetada pelo arquiteto Jorge
Swinburn, possui impressionantes 7896m2.
Fica bem visível para quem segue pela estrada, e por isso mesmo conta com uma
loja muito bem equipada, com uma vasta seleção de vinhos, acessórios e até roupas.

Idas e Vinhas

O
foco da Veramonte é o mercado externo, principalmente o norteamericano. Para
tanto, a empresa também investiu no segmento de boutique – vinhos ultrapremium
de produção limitada – com o projeto Neyen (veja aqui o post da visita).
Idas e Vinhas
A degustação
Nossa
visita à Veramonte foi breve. Apenas paramos para a degustação clássica de três
rótulos, entre eles um da linha premium
– o Primus.
Idas e Vinhas
Ao
chegarmos, a mesa já estava preparada. Considerando que ainda era de manhã, a
harmonização com excelentes queijos foi providencial!
Idas e Vinhas
100%
Sauvignon Blanc.
Bastante
fresco e frutado, com destaque para aromas cítricos (lima, laranja) e de
maracujá. Aparecem também notas de flores brancas. O queijo de cabra de ótima
qualidade foi o acompanhamento ideal.
95%
Carmenere, 5% Cabernet Franc.
Vinho
estruturado, de bom corpo e taninos agradáveis, aromas de frutas vermelhas,
pimenta do reino e um leve tostado. Para harmonizar, o queijo parmesão ao
estilo Grana Padano realçou a estrutura e os aromas do vinho.

Para encerrar, o Primus The Blend 2010, faz juz ao
título de premium da vinícola. Sua produção segue o mesmo método empregado nos
tintos top produzidos no Napa Valley: produção limitada a 6-7 toneladas/ha, seleção
das melhores uvas e passagem de 12 a 14 meses em barricas francesas. Para o
projeto Primus a Veramonte conta com a consultoria de ninguém menos que Álvaro
Espinoza (que produz o Antiyal, veja aqui o post da visita).

 Primus The Blend 2010

39% Cabernet
Sauvignon, 28% Carmenere, 23% Syrah, 10% Merlot.

Bom corpo, aromas de ameixas
maduras, violetas e tostado. Na boa é equilibrado, com taninos de muito boa
qualidade e final bastante agradável e de media intensidade. Para acompanhar, o
queijo de ovelha curado harmonizou muito bem.

 Idas e Vinhas

Em seguida nos dirigimos ao próximo destino: Viña
Loma Larga

Acompanhe a nossa maratona abaixo:

Idas e Vinhas na Estrada – 14/12/2012 parte III – Antiyal – Valle del Maipo


Após
o almoço na Villa Virginia (veja aqui ao final do texto), pegamos a estrada a caminho da Antiyal.
A
Antiyal é o que podemos chamar de vinícola de garagem. Ela surgiu em 1996
quando o enólogo Álvaro Espinoza e a sua esposa Marina Ashton adquiriram o seu
primeiro hectare de vinhedos. Foi o ponto de partida para sua história de
sucesso.

Podemos
afirmar que o Álvaro Espinoza é a referência da arte da vitivinicultura
orgânica e biodinâmica do Chile. Segundo Álvaro, “O vinho é o reflexo do seu terroir, tem que ser fiel ao solo, ao clima
e altitude. A natureza sabe o que faz!
”.
Álvaro
possui um currículo invejável. A “Wine & Spirits” o considera um dos 50
vinhateiros mais influentes do mundo. Em 1986 trabalhou com o enólogo Felipe de
Solminihac (hoje proprietário da Aquitania. Confira o post aqui) na Viña
Undurraga. Depois passou 2 anos estudando enologia em Bordeaux onde trabalhava
no Château Margaux e também na Moët Chandon. Voltou ao Chile, onde trabalhou na
Oriental Domaine (1989 e 1992) e depois na Viña Carmen onde ficou até 2000. Atualmente
é consultor na área da biodinâmica em grandes vinícolas como a Matetic e a
Emiliana, e ainda assim consegue tempo para dar atenção à sua vinícola e
produzir grandes vinhos. A sua primeira safra foi 1998, lançada em 2000.
Os
seus vinhos são bem conceituados e recebem altas notas dos críticos
especializados. Isso faz com que eles desapareçam facilmente do mercado, pois sua
produção é limitada. A produção anual gira em torno de 27000 garrafas dos seus
3 vinhos: os blends Kuyen e Antiyal (do
qual são produzidas apenas 4 a 5 mil garrafas) e o Antiyal Carmenère. Não há
primeiros e segundos vinhos, cada um é um projeto independente.
A
ligação da família com as raízes chilenas é evidente. O nome Antiyal significa “filhos
do sol”, e Kuyen significa “Lua” na língua Mapuche.
A vinícola
Alguns
anos mais tarde Álvaro e Marina adquiriram mais 7 hectares em uma área próxima.
4 hectares são de vinhedos e também é nessa nova parcela onde foi construída a
nova bodega. Como não poderia deixar de ser, a Antiyal adota as técnicas de
cultivo orgânico e biodinâmico em 100% dos seus vinhedos. Segundo Álvaro, as videiras
cultivadas dessa forma produzem menos que o método considerado “tradicional”, o
que pode elevar o custo de produção em cerca de 20 a 25%. O desafio, segundo
ele, é produzir vinhos de alta qualidade e que sejam competitivos.
A visita
Ao
chegarmos à Antiyal, Marina já estava à nossa espera. Iniciamos com uma
caminhada pela propriedade, aprendendo sobre a história da vinícola e a maneira
como são manejados os vinhedos.
Idas e Vinhas

Como
a área é relativamente pequena, foi possível ver de perto a separação entre as
parcelas, os chamados corredores biológicos.
Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
A
água para irrigação é obtida com o auxílio de um poço que alcança 60m de
profundidade. A busca pela sustentabilidade é levada a sério, e o projeto de
instalação de painéis solares para geração de energia estava quase terminado.
Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
Logo
em seguida chegou Álvaro, que nos mostrou o local aonde são preparados e
guardados os compostos biodinâmicos, explicando a utilização de cada um.
Idas e Vinhas

Em
seguida fomos conhecer a bodega e ouvimos um pouco sobre as etapas de
fabricação de cada um de seus vinhos. O Carmenère, por exemplo, é envelhecido
nas “cubas ovo” de 650 litros cada, onde descansam por um ano. Antiyal e Kuyen
ficam por 12 meses em barricas. O Antiyal permanece ainda 6 meses em garrafa
antes de ser lançado no mercado.
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
A degustação
Em
seguida, nos dirigimos à outra propriedade (onde a Antiyal começou) para a
degustação. A antiga moradia da família foi transformada em um “Bed & Breakfast”
muito charmoso.
Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
É
nesse local onde ficam a adega com os vinhos já engarrafados e a horta onde são
cultivados os ingredientes dos preparados biodinâmicos, além de uma parcela de videiras.
Essa
degustação foi talvez a experiência mais pessoal dessa viagem. A simpatia e a
simplicidade de Alvaro e Marina fizeram com que nos sentíssemos acolhidos.
Responderam a todas as nossas perguntas, sem nenhuma pressa. O amor que sentem
pela terra e pelo projeto Antiyal fica evidente no entusiasmo com que discutem
o tema. É um projeto familiar, onde os dois filhos do casal também ajudam.
Idas e Vinhas

Vamos
aos vinhos?
Idas e Vinhas
Kuyen 2010
Blend
com 57% Syrah, 28% Cabernet Sauvignon, 13% Carmenère e 2% Petit Verdot.
De
bela cor rubi escuro, possui aromas intensos de frutas vermelhas escuras
(frescas e também em calda), além de especiarias (pimenta do reino, tomilho) e
um toque de chocolate. No palato é potente, as frutas são confirmadas, é
estruturado e equilibrado, com boa acidez e taninos presentes. De final médio.
Antiyal 2010
Blend com 47% Carmenère, 24%
Syrah, e 29% Cabernet Sauvignon.
Cor
rubi muito escuro, o Antiyal é encorpado e apresentou uma grande variedade de
aromas. Ameixas, cassis, violetas, um certo tostado, café e chocolate. Em boca
é frutado, profundo, denso e os taninos são macios, boa acidez e final longo e
agradável.
E
depois dessa tarde incrível, tomamos o caminho de volta a Santiago.
Muito
obrigado, Álvaro e Marina, pela atenção que nos deram. Sucesso, sempre!
Idas e Vinhas

Provamos e aprovamos: Don Abel Rota 324 – 2005 – O vinho do 1º aniversário do Idas e Vinhas


O
Don Abel Rota 324:2005 foi o vinho que escolhemos para celebrar nosso 1º aniversário.
Sortearemos
1 garrafa entre os seguidores do blog e curtidores da nossa página no Facebook que
enviarem um email para idasevinhas@gmail.com
nos dizendo qual seu post preferido (veja os detalhes aqui).

A
vinícola Don Abel está localizada na Serra Gaúcha no município de Casca a uma
altitude de aproximadamente 800 metros acima do nível do mar.
Idas e Vinhas

É de propriedade de Sergio de Bastiani que, em 1999, decidiu deixar o
emprego de executivo de multinacional, adquiriu terras em Casca e começou a
plantar as suas primeiras mudas de vitis
vinífera
.
Idas e Vinhas
Hoje
a vinícola produz pouco mais de 35000 garrafas por ano e aos poucos começa a
ganhar espaço no concorrido mercado de vinhos brasileiros. Na Expovinis 2012
ficou em 3º lugar na eleição dos Top 10 e em 2013 recebeu o título de melhor
Cabernet Sauvignon do Brasil segundo o Anuário Vinhos do Brasil 2013.
Idas e Vinhas
Nós
já tinhamos ouvido falar da Don Abel em meados de Outubro de 2012,
especificamente a respeito do seu vinho Ícone Rota 324 safra 2005. Quando fomos
a Curitiba passar o Natal com a família, encomendamos pelo site da vinícola o
tão falado vinho e ainda quisemos aproveitar e provar o espumante brut.
A
oportunidade para abrirmos foi durante a Ceia de Natal e estávamos com boa
expectativa a respeito da nossa escolha. E os vinhos não decepcionaram!
A
segunda oportunidade em que degustamos o Rota 324 é mais recente, 12 de março
de 2013, em 12 de março de 2013 em nosso grupo de degustação da ABS-RJ. As
degustações são feitas às cegas, para que ninguém seja influenciado com relação
a rótulos. Nesta noite o Rota 324 estava concorrendo com 3 vinhos espanhóis de
grande qualidade e ele foi a segunda garrafa a ser aberta.
100%
Cabernet Sauvignon da excelente safra de 2005 passa por 6 meses em barricas carvalho
francesas novas.
Cor
vermelho granada, no nariz apresentou muito boa variedade de aromas: chocolate,
café, groselha, pimenta do reino, funcho, licor de cassis, coco queimado,
tabaco e couro (evolução). No palato é equilibrado, macio e encorpado, os
taninos ainda presentes são elegantes e a acidez está em sintonia com os seus
14% de álcool.
O
Rota 324 surpreendeu a todos e obteve média 89,6 o que comprova
que é um vinho de excelente qualidade e está em condições de igualdade junto a
grandes nomes do velho mundo.
Idas e Vinhas
Veja aqui um vídeo sobre a vinícola:

Idas e Vinhas na Estrada – 14/12/2012 parte II – Viña Almaviva – Valle del Maipo


Deixamos
a Aquitânia e logo chegamos à Almaviva, distante apenas alguns quilômetros, do
outro lado da rodovia na região do Alto Maipo.
 

Idas e Vinhas
O
Almaviva é um dos ícones chilenos mais reverenciados no Brasil. Tornou-se
objeto de desejo de milhares de enófilos (sim, nós também temos um Almaviva
2008 descansando em nossa adega…), o que fez com que o preço se elevasse a
patamares alcançados por excelentes bordeaux.
A vinícola
A
Almaviva foi fundada em 1997, e é uma associação entre dois poderosos grupos
vinícolas: Baron Philppe de Rothschild S.A.
e a Viña Concha y Toro. A intensão
foi de criar um vinho premium franco-chileno de caráter excepcional, de nome
Almaviva.
15
anos após o lançamento do primeiro Almaviva, a vinícola vem realizando eventos
comemorativos pelo mundo. No Brasil, o 15º aniversário foi celebrado em um
evento black-tie realizado no hotel Unique, dia 14 de Março de 2013 em São Paulo. O
evento, para seletos 100 convidados, contou com a presença de membros da
família Rothschild e do vice-presidente da Concha y Toro. A celebração no Rio de Janeiro aconteceu no dia 08 de Outubro no Copacabana Palace. Veja como foi.
A visita
Fomos
recebidos pela guia Patricia Garabito,
e iniciamos a visita com um passeio pelo vinhedo e pelo belíssimo entorno da
bodega.
Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
Patricia
explicou o respeito da vinícola para com as raízes chilenas, que estão
profundamente ligadas ao povo Mapuche. Grandes totens estrategicamente
posicionados, simbolizando os espíritos ancestrais, vigiam e protegem a bodega.
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Para
produzir esse grande vinho, as videiras destinadas ao Almaviva formam um único
vinhedo de cerca de 63 ha, seguindo o conceito dos vinhedos Gran Cru franceses. A Cabernete
Sauvignon predomina, com cerca de 70% das videiras. A Carmenère vem em segundo,
com cerca de 25%, enquanto os 5% restantes são divididos entre Cabernet Franc,
Merlot e apenas 20 fileiras de Petit Verdot. A Petit Verdot, quando empregada no
blend, tem a função de aumentar a acidez, reforçar cor e estrutura do vinho.
Idas e Vinhas

Esse
vinhedo é dividido em duas parcelas, Almaviva I e Almaviva II. A parcela
Almaviva I é formada por videiras com mais de 30 anos, plantadas em sistema
extensivo (apenas 2000 plantas/ha) enquanto a parcela II é formada por videiras
com aproximadamente 11 anos (8000 plantas/ha). Para entrar na composição do
precioso blend, as uvas candidatas devem vir de plantas de pelo menos 6 anos de
idade.
A
irrigação (com dutos enterrados) é necessária apenas para as plantas mais
jovens. Acima de 5 anos, as raízes já possuem profundidade suficiente para
alcançar o lençol freático. O controle dos cachos em cada planta é rigoroso.
São deixados 4 cachos (cerca de 1kg) que são suficientes para a produção de
apenas 1 garrafa.
Em
seguida seguimos para a bodega. A belíssima construção é projeto de Martin Hurtado, renomado arquiteto
chileno discípulo de Oscar Niemeyer.
Isso fica evidente logo ao primeiro olhar, as linhas onduladas em perfeita harmonia
com o ambiente.
 

Idas e Vinhas
As curvas simbolizam os Alpes
A
bodega também foi projetada para que o manejo das uvas e do vinho sejam feitos
por gravidade. Passamos pelas área de recepção das uvas, fermentação e caves,
finalizando com a sala onde o vinho estava sendo rotulado. O Almaviva passa 18
meses em barricas novas de carvalho francês, e mais 6 meses em garrafa antes de
ser lançado ao mercado.

Idas e Vinhas

Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
A degustação
Antes
de degustarmos o vinho, Patricia nos explicou o significado do rótulo e do nome
Almaviva.
O
nome Almaviva é uma referência à literatura clássica francesa. O Conde de
Almaviva é o herói da comédia “As bodas de Fígaro”, de autoria de Beaumarchais
(1732-1799). Mais tarde essa obra foi transformada em uma ópera por Mozart. A
escrita no rótulo do vinho é o manuscrito original de Beaumarchais.
O
símbolo que adorna o rótulo é uma homenagem à ancestral civilização Mapuche. O
desenho evoca a visão da Terra e do Cosmos, e a harmonia entre a nova e a velha
geração. Esse desenho aparece no “kultrun”, um tambor utilizado em rituais
pelos Mapuches.
El
nombre de Almaviva, pese a su resonancia hispánica, pertenece a la literatura
clásica francesa: El Conde de Almaviva es el héroe de Las bodas de Fígaro, la
famosa comedia de Beaumarchais (1732-1799), mas tarde sería transformada en una
ópera por el genio de Mozart.

Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
Almaviva 2008
66%
Cabernet Sauvignon; 26% Carmenère; 8% Cabernet Franc.
De
cor rubi muito escura e brilhante e muito encorpado, o vinho é excelente. No
nariz destacamos as notas de frutas vermelhas maduras, pimentões maduros,
pimenta e cravo, além de toques de café e baunilha. Os taninos já estavam muito
agradáveis, em equilíbrio com o álcool e a acidez. Já está pronto para beber,
mas temos a percepção de que vai ficar ainda melhor com mais alguns anos de
guarda.
Agradecemos
à Patricia pela bela recepção!
Idas e Vinhas
E
com o espírito enlevado por essa experiência, seguimos para o almoço na Fundacion Origen.
O almoço
Idas e Vinhas
Não
muito distante da Almaviva fica a Fundacion Origen. Além de hotel, restaurante
e local para eventos, é também uma escola rural para adolescentes em risco
social.
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Fomos
recebidos para um almoço muito agradável. O local é muito bonito e a comida
muito bem elaborada. O serviço, extremamente atencioso. O vinho que escolhemos
foi o Equs Chardonnay 2008, um belo exemplar da Viña Haras de Pirque (veja aqui
um post sobre a Haras).
Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
Após
o delicioso almoço fizemos um breve passeio pela escola, que possui horta
orgânica e criação de animais.
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Mas
o dia ainda não havia terminado! Seguimos diretamente para o próximo destino:
Antiyal

Acompanhe a nossa maratona abaixo:

Idas e Vinhas na Estrada – 14/12/2012 parte I – Viña Aquitania – Valle del Maipo

Idas e Vinhas

O
quinto e penúltimo dia da nossa maratona foi dedicado ao Valle del Maipo, uma
extensa região vinícola que engloba a região metropolitana de Santiago e se
espalha nas direções Sul, Norte e Oeste. Seria um dia “triplo A”, nosso roteiro
incluía as Viñas Aquitania, Almaviva e Antiyal.

A região
O
Valle del Maipo é a região vinícola mais conhecida do Chile, e também uma das
mais antigas. Ainda se podem encontrar muitas vinícolas originárias do Século XIX,
com suas caves e belos casarões coloniais. Foi no Maipo que as famílias de
maior tradição, muitas das quais com suas fortunas advindas da mineração,
buscaram com as vinícolas uma posição também de status social.
A
partir do Século XX, o Chile (e especialmente o Maipo) passou por uma segunda
fase de expressiva expansão vitivinícola, com a instalação de vinícolas de
inspiração francesa. O reconhecimento do Valle del Maipo pela produção dos mais
famosos Cabernet Sauvignon e dos mais finos Carmenère chilenos são atribuídos por
muitos autores a essas vinícolas.
É
um vale dedicado principalmente à produção de uvas tintas (85% do total), com
destaque para a Cabernet Sauvignon (66%), Merlot, Syrah e Carmenère. A região
leste do vale, a mais próxima dos Andes, produz os melhores Cabernet Sauvignon.
O
setor de expansão mais recente, que toma a direção do litoral, se beneficia da
influência dos ventos frios para a produção de tintos frescos e de maior
acidez. Já o setor central é dedicado à produção dos melhores Carmenére.
A vinícola
A
Aquitania se localiza na região metropolitana de Santiago, cercada por
condomínios residenciais.
Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
A
vinícola é um dos melhores exemplos da inspiração franco-chilena que
mencionamos. Fundada em 1990, hoje a composição societária inclui três
franceses e um chileno.
Os
sócios franceses são fortemente ligados à tradição vinícola de seu país: Bruno Prats (proprietario e enólogo do Chateau Cos d’Estournel entre
1968-1998) e Paul Pontallier enólogo e atual Gerente General do Chateau
Margaux são da região de Bordeaux, e Ghislain de Montgolfer Presidente
de Champagne Bollinger entre 1993 a 2008 atua em Champagne. A tradição
chilena vem do Sócio Diretor Felipe de Solminihac, conceituado enólogo e
consultor de diversas vinícolas.
A visita e a
degustação
Fomos
recebidos por Eduardo de Salminihac,
responsável pela área de Mercado Nacional e Exportações e filho do Sócio
Diretor, Felipe de Solminihac. De
acordo com Eduardo, o Brasil é o maior mercado da Aquitania, com cerca de 25%
de participação, seguido do mercado asiático.
Iniciamos
a visita pelo mirante, depois pela bodega e finalizamos com a degustação dos
melhores rótulos da vinícola. Tivemos o privilégio de ter a degustação
conduzida pelo próprio Felipe de Solminihac.
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas

A
propriedade conta com 18 ha de vinhedos de Cabernet Sauvignon e Carmenére para
a produção dos vinhos Aquitania Rosé, Aquitania Reserva e o ícone Lazuli. Outra
área no Valle del Malleco (a 650km ao sul de Santiago) se destina à produção de
Chardonnay e Pinot Noir para a linha Sol de Sol. Mas todos são vinificados
aqui, na bodega do Maipo.

São
os próprios sócios que decidem as mesclas, dando individualidade aos vinhos da
Aquitania. A intenção é produzir vinhos elegantes, fáceis de beber e que
envelheçam bem em garrafa.
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Depois
da prensa, os vinhos seguem para a fermentação. O Sol de Sol Chardonnay
fermenta em barricas de carvalho de 400 litros antes de seguir para o estágio
em barricas menores por mais 8 meses. O padrão são barricas francesas, mas
estão fazendo alguns testes com carvalho húngaro.
Idas e Vinhas
O
vinho premium, Lazuli, estagia cerca de 18 meses em barricas, enquanto o Sol de
Sol Pinot Noir estagia por 11 meses.
Depois
passamos à área de estoque, engarrafamento e rotulagem. Para manter temperatura
e umidade ideais, o telhado é irrigado com água.
Idas e Vinhas
Terminado
o passeio pelas belas instalações, o Sr. Felipe se juntou a nós para conduzir a
degustação. Foram três vinhos: Sol de Sol Chardonnay 2009, Sol de Sol Pinot Noir
2009 e Lazuli 2004.
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Degustação comandada por Felipe de Solminihac
De
um belo amarelo palha, esse Chardonnay é produzido com uvas de pés francos,
provenientes do Valle del Malleco, e é considerado por muitos um dos melhores
do Chile.
Apresentou
uma boa variedade de aromas, onde destacamos as notas de limão siciliano,
jasmim, mel, manteiga e cocada (esse último devido à passagem em madeira).
Também
produzido com uvas do Valle del Malleco, esse Pinot Noir surpreendeu pela variedade
e qualidade de aromas.
De
bela cor rubi, com a intensidade média típica da Pinot Noir, percebemos com
mais intensidade os aromas de frutas vermelhas (cereja, ameixa, cassis…) além
de um agradável frescor mentolado e um pouco de terra molhada. Também estavam presentes alguma pimenta,
violetas e café.
O
ícone da Aquitania tem o nome em homenagem à pedra preciosa símbolo do Chile, o
lapislázuli.
E
não decepciona! De bela cor rubi escura, quase granada e bom corpo, esse belo
exemplar de 2004 apresentou agradáveis aromas bastante complexos, de evolução.
Destacamos café, moka, pimentões maduros e especiarias (cravo e pimenta do
reino). De final longo e agradável.
Idas e Vinhas
Agradecemos
à Aquitania a ótima recepção!
E
como o tempo, infelizmente, não pára, seguimos para o próximo destino:
Almaviva.

Acompanhe a nossa maratona abaixo:

Agenda: Encontro de Vinhos OFF São Paulo


Está se aproximando o dia do Encontro de Vinhos OFF em São Paulo a ser realizado em 23 de Abril de 2013.


É um evento pré-ExpoVinis, promovido pelos competentes Daniel Perches e Beto Duarte que vale a pena conferir…

Uma das novidades da edição de 2013 é o local do evento: a Casa da Fazenda do Morumbi.
Além das centenas de rótulos que poderão ser degustados, as atividades paralelas incluem  um bistrôt (servindo comidinhas a preços especiais) e performances de artistas.
Tivemos a oportunidade de conferir a edição do Rio de Janeiro (confira aqui o post) e já confirmamos nossa participação em São Paulo!
Serviço
Encontro de Vinhos OFF 2013
Local: Casa da Fazenda Morumbi – www.casadafazenda.com.br
Data: 23 de abril de 2013
Horário: das 14h as 22h
Convites: R$ 60,00 – na hora ou através da página de venda de ingressos.
Confira aqui os expositores já confirmados:

Agenda: Vem ai a ExpoVinis 2013!!!

Idas e Vinhas

De 24 a 26 de Abril de 2013 vai acontecer em São Paulo a 17ª edição de um dos maiores eventos dedicados ao mundo do vinho no Brasil – a ExpoVinis

Confira a programação:


DATA24, 25 e 26 de Abril de 2013
HORÁRIOS
24 de AbrilProfissional → 13h às 21h
25 de AbrilProfissional → 13h às 21h
Consumidor → 17h às 21h
26 de Abril
Profissional → 13h às 20h
Consumidor → 17h às 20h
LOCAL
Expo Center Norte – Pavilhão Azul
São Paulo – SP – Brasil
Além do salão de exposições aberto ao público, estão programadas várias atividades paralelas e projetos especiais, como degustações premium, a premiação Top Ten, o  Brazilian  Sparkling  Lounge, a Enoteca ExpoVinis e rodadas de negócios.
Informações completas você obtém no site oficial do evento: http://www.exponor.com.br/expovinis/

Idas e Vinhas na Estrada – 13/12/2012 parte III – Neyen – Valle de Colchagua

Deixamos
a Casa Lapostolle (veja aqui) e seguimos na direção leste, a caminho da Neyen. O caminho é
curto, pois ambas estão muito próximas à cidade de Santa Cruz.



A Vinícola

Neyen
significa “Espírito de Apalta”, reverenciando
os séculos de existência e a alma do seu terroir.
Fundada
em 2002, é a vinícola boutique do grande grupo Veramonte Foi construída no
mesmo local onde no século 19 funcionava uma  antiga vinícolas
chilenas.
Idas e Vinhas
A
localização do vinhedo é bastante peculiar. Embora também dentro da “ferradura”
que inclui a La Postolle, é possível distinguir as diferenças no microclima. O
ar é bem mais seco (em um dado momento lemos 11% de umidade em um sensor externo
à cave) e mais quente. Isso porque a propriedade fica ao pé da montanha,
protegida dos ventos que vêm do Pacífico.
Idas e Vinhas
A visita e o
vinho
Quem nos recebeu foi Gonzalo Silva. As visitas são
privadas, por isso devem ser marcadas com antecedência.
Idas e Vinhas
Primeiro demos uma volta pelo vinhedo constituído por
Carmenère e Cabernet Sauvignon. São 50 ha de solo granítico destinados ao Neyen
e alguns vinhos premium da Veramontes. Logo nos impressionamos com a espessura
dos troncos das videiras. Algumas parcelas datam de 1890! Há também parcelas
mais jovens, mas mesmo assim de idade considerável. Essa característica traz
uma curiosidade: as videiras, de pé franco (ou seja, sem enxerto) não precisam
de irrigação. Suas raízes são tão profundas que alcançam a água do lençol
freático alimentado pela água do degelo dos Andes (as Napas).
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
A bodega tem estilo contemporâneo, de linhas retas e
revestimento de concreto, harmoniosamente “encaixada” na paisagem. O maquinário
é de alta tecnologia e a operação é por gravidade. Os vinhos fermentam em
tanques de aço por cerca de 30 dias a 28oC, para extração intensa de
cor e taninos.
Idas e Vinhas
A cave ocupa o prédio da antiga bodega de 1890. A
construção foi bastante afetada pelo terremoto de 2010. Ainda é possível ver as
falhas nas paredes. Lá ficam as barricas onde o Neyen envelhece entre 14 e 20
meses antes de ser engarrafado.

Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
O principal mercado da Neyen são os Estados Unidos
(cerca de 50%) e a produção é de aproximadamente 180 mil litros/ano. A
estratégia é produzir apenas um rótulo, de extrema qualidade e pouca produção.
80% Carmenère;
20% Cabernet Sauvignon.
De cor rubi
muito escura e brilhante, o Neyen impressiona pelos aromas e pela qualidade dos
taninos. Encorpado, aromas de pimenta do reino, frutas vermelhas, algo de
vegetal e madeira. A madeira aparece na medida certa, pois apenas 70% do vinho
passa em barricas novas. A maciez dos taninos da Carmenère tornam esse vinho
intenso muito agradável de beber.
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Veja aqui um interessante vídeo sobre a vinícola

Agradecemos ao
Gonzalo a atenciosa recepção!

E assim
terminamos esse dia marcante da nossa maratona, tomando o caminho de volta a
Santiago…..

Acompanhe a nossa maratona abaixo:

Idas e Vinhas na Estrada – 13/12/2012 parte II – Casa Lapostolle – Valle de Colchagua

O
caminho entre a Viña Montes e a Casa Lapostolle é bem curto, pois ambas estão
localizadas no Valle de Apalta, subregião do Valle do Colchagua. Saindo de
Santiago pela Rota 5, são cerca de 200 km para o Sudoeste.
 

Idas e Vinhas
Nossa
visita à Casa Lapostolle consistiria de uma visita à bodega ícone, uma
degustação premium e almoço na Casa Parrón, o conceituado restaurante da
vinícola. Estávamos bastante empolgados, pois sem dúvida a Lapostolle seus
vinhos são destaque não apenas no Chile, mas também no mercado internacional de
vinhos de qualidade superior (o ícone Clos Apalta foi considerado, em 2005, o
melhor vinho do mundo pela Wine Spectator).



A Vinícola
O
lema da Casa Lapostolle é: Francesa na
essência, Chilena de origem.

Isso porque a família da fundadora da vinícola,
Alexandra Marnier Lapostolle, além de se dedicar à vitivinicultura há muitas
gerações, é também proprietária do mundialmente famoso licor francês Grand
Marnier.
Em 1994, Alexandra e seu marido Cyril Bournet fundaram
a Casa Lapostolle. O objetivo era, e ainda é, criar vinhos de classe mundial
utilizando as técnicas e os fundamentos franceses aliados aos excelentes terroirs chilenos. Para tal, contam com
a consultoria do polêmico e onipresente enólogo Michel Rolland. Mas nossa
percepção nessa visita foi a de que os vinhos da Lapostolle apresentam
identidade própria, ainda livres de qualquer padronização que um consultor tão requisitado
como Rolland possa conferir.
Hoje a Lapostolle possui 370 ha de vinhas, espalhadas
por três vinhedos: Atalaia (no valle de Casablanca), Las Kuras (no valle de
Cachapoal) e Apalta (no valle de Colchagua). A propriedade de Apalta (com 700
ha no total, sendo 190 ha de vinhas) abriga ainda as duas bodegas: Cunaco e
Clos Apalta.
Idas e Vinhas
A bodega Cunaco é a original de 1994, de estilo
colonial. Os vinhos da linha Casa, o Canto de Apalta (um blend intermediário
entre as linhas Casa e Cuvée Alexandre) e os da linha premium Cuvée Alexandre
são produzidos ali.
Em 2006 foi inaugurada a bodega Clos Apalta dedicada
exclusivamente aos vinhos ícones Clos Apalta e Borobo. É uma construção
impressionante, cujo formato de uma das faces evoca a estrutura de uma barrica
(ou um “ninho”, como outros a chamam), perfeitamente encaixada na rocha acima
do vinhedo.
Idas e Vinhas
Nossa visita foi focada em conhecermos o vinhedo de
Apalta e a bodega ícone. Estamos há 68 km a leste do Oceano Pacífico, entre a
Cordilheira dos Andes e a Cordilheira da Costa. Uma característica interessante
do Valle de Apalta é que ele não é um vale fechado, totalmente encapsulado
entre as montanhas. Ele tem a forma de uma ferradura com a abertura voltada
para o Sul. Essa posição evita a insolação excessiva, permitindo o correto desenvolvimento
das uvas.
Em Apalta são plantadas Carmenère, Merlot, Cabernet
Sauvignon, Petit Verdot e Syrah. A plantação compreendeu o período de 1920 a
2006, sendo que as parcelas de 1920 foram plantadas com videiras trazidas da
França. Outra particularidade é que o manejo possui certificações orgânica e
biodinâmica desde 2011.
A visita e a
degustação
Quem nos recebeu foi o jovem enólogo Diego Urra, há 6
anos trabalhando na Lapostolle. Diego foi bastante atencioso, respondendo a
todas as novas dúvidas com interesse e sem pressa.
Idas e Vinhas
A recepção das uvas é feita no platô onde fica a
entrada da complexa e bela construção. As uvas são colhidas à noite,
manualmente. A seleção e limpeza iniciais são feitas apenas por mulheres
(aliás, isso foi uma constante em todas as vinícolas), consideradas mais
cuidadosas para esse trabalho. A capacidade de processamento é de 15 mil
kg/dia. Para se ter uma ideia, na bodega Cunaco o tratamento inicial é
mecanizado e são processados 60 mil kg de uva/dia.
Para a produção dos ícones Clos Apalta e Borobo, as
parcelas do vinhedo a eles dedicadas são manejadas de forma especial: são
permitidos apenas 500g de uvas em cada videira e a plantação é extensiva, ou
seja, apenas 3500 plantas/ha. Além disso, as novas parcelas são plantadas no
sistema de porta enxerto. Segundo Diego, os porta enxertos ajudam a reduzir
ainda mais a produção e previnem o ataque de doenças. O objetivo é produzir
poucas uvas, mas com qualidade excepcional. Bem, já podemos afirmar que o
esforço deu resultado! Já havíamos degustado ambos os ícones e nessa visita
ficamos impressionados com o trabalho envolvido!
Idas e Vinhas
Deixamos a recepção em direção ao interior da bodega,
para conferir cada estágio da vinificação. A arquitetura impressiona tanto
externa quanto internamente. Todo o processo segue por gravidade, e para tanto
o edifício conta com seis andares. O vão da escadaria tem a forma elíptica e o
arquiteto reproduziu no centro o Pêndulo de Foucault (só que sem o movimento
ininterrupto…).
Idas e Vinhas

O Borobo e o Clos Apalta são fermentados utilizando
leveduras naturais, em tanques de carvalho. Cada tanque corresponde a uma
parcela única do vinhedo. O controle de umidade e temperatura na sala de
fermentação tem controle automatizado, liberando vapor d’água quando o ambiente
se torna excessivamente seco.

Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
Os ícones passam por duas mesclas. A primeira é feita
após um ano de envelhecimento em barrica. Após outro ano é feita a mescla
final. Uma curiosidade: há exemplares magníficos de barricas com 300 anos de
idade, que ainda são utilizadas.
A degustação ocorreu na cave. A grande mesa de vidro
ocultava uma surpresa: uma de suas extremidades é a porta que leva a um nível
inferior, onde fica a enoteca.
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
Degustamos os seguintes vinhos:
90% Sauvignon
Blanc; 8% Semillon, 2% Sauvignon Gris
O Chile é famoso pela qualidade de seus Sauvignon
Blanc, mesmo os mais simples. Esse não foi exceção.
Vinho já pronto para beber, de um amarelo palha
brilhante e corpo leve. As notas aromáticas que percebemos com maior
intensidade foram minerais, abacaxi e frutas cítricas, além de notas frescas de
eucalipto. Acidez e álcool (13,5%) na medida certa, um vinho muito agradável.
85% Merlot; 6% Carmenère;
5% Cabernet Sauvignon; 4% Syrah.
A cor rubi
bastante escura e brilhante. Aromas complexos e muito agradáveis, com destaque
para frutas vermelhas, especiarias (cravo e pimenta do reino) e uma nuance de
chocolate. Na boca, encorpado e com taninos marcantes. Todos concordamos que
esses taninos estarão muito mais evoluídos daqui a uns três anos, quando esse
vinho premium estará no auge. De acordo com o enólogo Diego, o tempo de guarda
é de cerca de 10 anos.
78% Carmenère;
19% Cabernet Sauvignon; 3% Petit Verdot.
Trata-se sem
dúvida de um grande vinho. Complexo e muito encorpado. Cor rubi muito escura,
no nariz apresentou uma larga variedade de aromas, dos quais destacamos
cerejas, violetas, aromas vegetais, um pouco de baunilha e tostado.
As três uvas
que compõem esse blend conferem
taninos muito marcantes aos vinhos. Isso pode incomodar a princípio, mas por se
tratar de um vinho de longa evolução, essa estrutura aliada aos 15% de álcool é
necessária para que ele possa desenvolver todo o seu potencial.
Essa degustação
não incluiu o outro ícone, Borobo, mas já tivemos a oportunidade de degustá-lo
no Brasil. Conversando com o enólogo, ele confirmou nossa impressão de que são
dois vinhos de personalidades distintas. O Clos Apalta tem evolução mais lenta,
e certamente estará no auge em mais alguns anos. O Borobo é um vinho que pode
ser abordado ainda jovem, devido a participação da Pinot Noir no blend.
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
O almoço
A
Lapostolle está muito bem preparada para receber visitantes. Assim
que chegamos pela manhã, nosso pedido para o almoço foi registrado. Ao
chegarmos à Casa Parrón, a mesa estava pronta e fomos gentilmente atendidos
pelo maitre.
Idas e Vinhas
O
local onde fica o restaurante por si só já vale a visita. Em meio ao vinhedo, no
vale abaixo da bodega ícone, almoçamos ao ar livre, protegidos do sol pelo belo
caramanchão.
Os
pratos formaram uma sequência muito bem elaborada de receitas com ingredientes
típicos da culinária chilena: abacate, salmão defumado, camarões e quinoa.
Idas e Vinhas
Os
vinhos que acompanharam a refeição foram os Cuvée Alexandre Chardonnay e Pinot
Noir. Perfeitos para o dia lindo que estava fazendo!
Mas
o melhor ainda estava por vir: o gran
finale
!! Para acompanhar as maravilhosas sobremesas, fomos agraciados com
doses do incrível licor Grand Marnier, edição comemorativa de 150 anos.
Idas e Vinhas
Idas e Vinhas

Agradecemos
a toda a equipe da Casa Lapostolle a experiência maravilhosa que sua
hospitalidade nos proporcionou!