Idas e Vinhas na Estrada – 11/12/2012 parte I – Casa Marín – Valle de San Antonio

Idas e Vinhas
Terça
feira de céu azul. Pegamos a estrada em direção a Casa Marín, no Valle de San
Antonio, que fica a 103 km de distância de Santiago em direção à Costa do
Pacífico. O percurso dura aproximadamente 1h30, a estrada é perfeita e a
paisagem vale a pena. Você nem vê o tempo passar.

A
recente e pequena sub-região do Valle de San Antonio, pertencente à região de
Aconcagua, situa-se imediatamente ao sul de Casablanca e bem mais próximo da
costa (apenas 4 km). O seu clima é similar ao de Casablanca, mediterrâneo,
porém um pouco mais frio. É dividido em duas zonas: Leyda e Lo Abarca.
Idas e Vinhas
Clique para ampliar
 Nos
327 hectares desse vale são plantadas predominantemente as castas brancas
Chardonnay, Sauvignon Blanc e a tinta Pinot Noir. As principais vinícolas são a
Casa Marín, Matetic, Leyda e Viña Garcés Silva.
Idas e Vinhas
A
história da Casa Marín começa no final de 1999 e início de 2000, com o sonho da
proprietária Maria Luz Marín, quando decidiu ir contra todas as opiniões de
especialistas e colegas e adquiriu terras no Valle de San Antonio e instalou a
sua própria vinícola.
Idas e Vinhas
Maria
Luz é uma inspiração para os chilenos. Representa a perseverança e a capacidade
de concretizar um sonho. É a única mulher do Chile que é enóloga, dona de
vinhedos e da bodega de vinificação. Além disso, reuniu a família em trono
desse projeto, diversos membros estão envolvidos nas operações da vinícola.
Chegamos
a Casa Marín por volta das 10h30. Nossa visita incluía passeio pelos vinhedos, pela
bodega, degustação e um almoço com um membro da família Marín. O almoço é uma
das peculiaridades da vinícola, e atrai muitos turistas. A comida é simples e
gostosa, bem preparada, e você se sente parte de tudo aquilo por algumas horas
bastante agradáveis.
Quem
nos recebeu, logo na entrada da bela propriedade (de estilo colonial,
ornamentada por belos mosaicos feitos pela artista plástica Patrícia Marín,
irmã de Maria), foi o Sr. Osvaldo Marín, irmão de Maria Luz. É ele quem
normalmente conduz as visitas, com toda a calma e interesse em responder todas
as perguntas.
Os vinhedos
As
primeiras vinhas foram plantadas em 1999, e o primeiro vinho foi lançado em
2003. Foi um sucesso imediato, esse Sauvignon Blanc recebeu 93 pontos da Wine
Spirit e foi o primeiro vinho branco chileno a ser comercializado no mercado
inglês por mais de 9 libras esterlinas (atingiu o preço de 14 libras). Até
então, todos se perguntavam se vinhas plantadas tão próximas do litoral (apenas
4 km) produziriam vinhos de qualidade.
Idas e Vinhas

Idas e Vinhas
E
é justamente esse terroir tão peculiar que dá identidade aos vinhos da região. São
apenas 50 hectares, divididos em 38 parcelas que compõem os 8 vinhedos da
propriedade (cada um com características próprias de composição do solo e
exposição ao sol). O solo da propriedade, com algumas variações, em sua maior
parte possui uma camada de sedimento marinho (logo abaixo de uma camada de solo
argiloso, misturado a areia e calcáreo), e o sal trazido pelos constantes ventos
frios litorâneos (a temperatura máxima na região alcança apenas 270C
no verão), se impregnam na terra e nas plantas. Isso confere aos vinhos
mineralidade, acidez e uma leve salinidade.
Idas e Vinhas
O
Sr. Osvaldo considera o terrroir, a baixa produção (apenas 5 a 6 toneladas de
uvas por hectare, enquanto os grandes produtores chegam a 30 toneladas) e a
colheita mais tardia em função do clima (pode se estender até fins de maio) os
fatores da alta qualidade de seus vinhos. A baixa produção é devida tanto à
baixa fertilidade do solo quanto ao controle da quantidade de uvas no pé e o
sistema de plantio das videiras, com apenas 4000 plantas por hectare (algumas
vinícolas trabalham com plantio adensado, chegando a 7, 8 mil plantas por
hectare).
Idas e VInhas
O
maquinário da bodega é italiano, e a produção pode chegar a 180 mil garrafas
por ano.
Idas e Vinhas
A degustação
Após
o passeio pelo vinhedo, nos dirigimos à sala de degustação. A Casa Marín produz
essencialmente duas linhas de vinhos. A linha premium, sob o rótulo Casa Marín,
é constituída por 7 vinhos (Riesling, Gewürztraminer, dois Sauvignon Blanc,
Sauvignon Gris, Syrah e Pinot Noir). Os tintos seguem a fermentação natural e
não são filtrados, envelhecendo entre 1 e 2 anos em barricas francesas. Entre
os brancos, apenas o Sauvignon Gris (de produção bastante limitada) estagia em
madeira, por 6 meses. O tempo de guarda é estimado em até 7 anos.
Idas e Vinhas
A
segunda linha de vinhos traz o rótulo Cartagena, uma homenagem à municipalidade
onde está localizada a cidade de Lo Abarca, próxima a Casa Marín.
A
degustação que nos foi preparada trouxe três rótulos da linha premium Casa
Marín.
Idas e Vinhas
Casa Marín Riesling 2009 / Casa Marín Sauvignon Blanc 2011 / Casa Marín Pinot Noir 2010
Casa Marín Miramar
Vineyard Riesling 2009
Para
quem não aprecia vinhos da casta Riesling por causa do aroma de querosene
deveria dar uma chance para este belo exemplar, pois aqui o querosene é quase
imperceptível.
Cor
amarelo palha muito brilhante, aromas cítricos de laranja e limão. Bastante
mineral e fresco no nariz, mas é na boca que a sua personalidade é apresentada.
Fresco, mineral, equilibrado, com notas de limão e um leve toque floral, com
final longo e agradável.
Este
exemplar é ótimo para o verão do Rio de Janeiro, mas cuidado: Você não vai
querer parar de tomá-lo…
Casa Marín Cipreses Vineyard
Sauvignon Blanc 2011
Esse
rótulo é o mais premiado da vinícola! No nariz há notas primárias e
secundárias, flores brancas (jasmim e lírios), abacaxi e grama cortada. Bom
corpo, chega a ser adocicado, suculento e com boa acidez.
Casa Marín Lo Abarca
Hills Pinot Noir 2010
Estes
vinhedos são plantados em encostas com orientação para o mar.
Frutas
vermelhas maduras, cerejas, framboesas e morangos. Notas de madeira e defumado,
muito acentuado. Boa acidez e os taninos são agradáveis.
Embora
de inegável qualidade, esse foi o que menos nos empolgou.
O almoço
Após
a degustação, o Sr. Osvaldo nos conduziu à Casa onde a família recebe seus
convidados para o almoço. A culinária típica da região é cuidadosamente
preparada.

Idas e Vinhas
Idas e Vinhas
A
entrada, com pãezinhos frescos, incluiu uma salada de folhas muito frescas. Em
seguida o prato principal, frango assado com arroz. Para a sobremesa,
deliciosas frutas da estação, com destaque para os suculentos morangos…..
Idas e Vinhas
A
proposta é ser uma experiência familiar, uma refeição caseira, acolhedora. E
foi assim que nos sentimos. O Sr. Oswaldo foi muito gentil e atencioso.
O
vinho do almoço foi o Cartagena Pinot Noir Três Vinhedos 2011. Aromático e leve,
mas com boa estrutura, foi uma excelente escolha. Embora da linha popular, esse
Pinot nos agradou muito mais que o da linha premium oferecido antes, na
degustação.
Idas e VInhas
Foi
uma pena a visita ter acabado, passamos excelentes momentos e aqui agradecemos
o Sr. Osvaldo pela bela acolhida.
Mas
já estava na hora de seguirmos para a próxima vinícola, e então partimos em
direção à Viña Matetic….

Confiram os posts publicados até agora sobre a nossa maratona enogastronômica pelo Chile:

Acompanhe a nossa maratona abaixo:

Vinho é ótimo, mas cuidado com o exagero! Dicas para ficar só com os benefícios dessa bebida que amamos…

No
ano passado, tive a oportunidade de comparecer a  grandes eventos de degustações
de vinhos no Rio de Janeiro e, em alguns casos, eram mais de um na mesma
semana. Fora isso ainda havia os encontros das confrarias e as degustações
promovidas pela ABS. Ou seja, ingeri muito álcool durante este período!

A
questão é que como sempre fui praticante de esportes, frequentador de academia,
durante este período etílico notei que o meu rendimento nas corridas e na
musculação caíram muito. Muito mesmo!
Eu
corria 10 km com facilidade durante 2 ou 3 dias da semana e de repente mal
conseguia chegar aos 5 km. As pernas pesavam logo nos 2 primeiros km e aí
vinham as dores e o cansaço. A parada era obrigatória.

na academia, a musculação também foi afetada. Eu já acordava com o corpo cansado,
pesado, porém me alimentava normalmente e mesmo não estando bem para a prática
de exercícios físicos, eu não os deixava de lado (é melhor fazer algo do que
não fazer nada). Por exemplo, a minha série começava com supino (3 x 12) e
nunca tive dificuldade de fazê-lo. Mas logo na primeira repetição eu já estava
cansado e fraco. Eu conseguia fazer 8 ou 10 com muita dificuldade, e assim foi
para todos os exercícios. Quando chegava ao terceiro exercício eu já estava com
vontade de ir embora…
O
ponto em que quero chegar é que o álcool (em excesso) literalmente “come” os
seus músculos, e se o seu objetivo é aumentar a massa muscular, é bom pensar
duas vezes (ou mais) antes de ingerir grandes quantidades de álcool. O consumo
de álcool em grandes quantidades tem um efeito direto no seu metabolismo,
fazendo com que a gordura não seja utilizada como forma de energia. Ela é
simplesmente acumulada. Cada grama de álcool contém 7 calorias que são
“vazias”. Em outras palavras, ela não tem nenhum nutriente essencial que você
precisa para construir a massa muscular.
Os
efeitos do consumo excessivo de álcool no corpo são vários

Músculos: reduz o fluxo de sangue para os músculos causando deterioração,
fraqueza e cansaço.

Hormônios: reduz a testosterona em seu sangue e aumenta a conversão dela em
estrogênio, causando o aumento da gordura e da retenção de líquidos.

Fígado: desequilíbrios que podem causar hipoglicemia (nível baixo de açúcar no
sangue) e hiperlipidemia (acúmulo de gordura na corrente sanguínea).

Cérebro: corta o fornecimento de oxigênio para o cérebro, o que resulta em
“blackout ou esquecimento” causado pela falta de oxigênio para o cérebro que
pode matar dezenas de milhares de células cerebrais.
Efeitos
do consumo excessivo de álcool no desempenho físico
O
álcool é um depressor conhecido, que suprime a capacidade do cérebro para
funcionar. Mesmo que você possa sentir uma sensação de “estar bem” após várias taças,
a verdade é que o seu tempo de reação, precisão, equilíbrio, coordenação e
resistência diminuirão dramaticamente. Além disso, as sequelas de uma noite etílica
podem ser prejudicial para a sua metas de aumento de massa muscular. O álcool é
um diurético que pode resultar em desidratação. Esta desidratação é conhecida
por diminuir o desempenho físico, de modo que a bebedeira da noite anterior
continuará a afetá-lo no dia seguinte.
Álcool e o sono
O
consumo de álcool pode causar disturbios do sono por interromper a sequência e
a duração dos estagios do sono e por alterar totalmente o tempo do sono e o
tempo que se leva para começar a dormir.

uma crença popular que afirma que uma bebida antes de se deitar pode ajudar a pegar
no sono. No entanto o álcool altera os padrões do sono, resultando em cansaço e
stress físico (lembram quando eu falei que já acordava cansado?).
Portanto
o consumo de álcool interfere indiretamente a capacidade de treinamento de
força devido o aumento da fadiga e falta de sono saudável e reparador.
Álcool e nutrição
O
álcool inibe a quebra dos nutrientes em substâncias utilizáveis diminuindo a
secreção de enzimas digestivas do pâncreas.
O
consumo regular de álcool também prejudica a absorção de nutrientes ao
danificar as células que revestem o estômago e intestinos, incapacitando o
transporte de alguns nutrientes no sangue. Além disso, as próprias deficiências
nutricionais podem levar a problemas adicionais de absorção. Por exemplo, a
deficiência de ácido fólico pode alterar as células que revestem o intestino
delgado, o que por sua vez diminui a absorção de água e nutrientes, incluindo
sódio, glucose e ácido fólico adicional.
Essa
interferência de diminuição de nutrientes e absorção pode prejudicar o
desempenho físico e recuperação necessária para construir e manter a massa
muscular.
A palavra certa é
Moderação e Hidratação!
Agora
que você conhece alguns dos efeitos negativos do consumo excessivo de álcool,
você pode estar com medo de tomar uma taça de vinho no almoço ou no jantar. Não
se preocupe, a bebida que amamos também é benéfica!
Quando
consumido com moderação (1 taça para as mulheres e 2 para os homens por dia) o
álcool traz benefícios como:

Aumento do colesterol HDL (colesterol bom)

Redução dos níveis de stresse

Redução da resistência à insulina

Todos os benefícios do resveratrol encontrado no vinho tinto (prevenção da
doença de Alzheimer, inibe a formação de radicais livres, combate dores
articulares, retarda o envelhecimento,…)

Falando da cerveja, ela é rica em carboidratos,
vitaminas do complexo B e possuí uma pequena quantidade de proteínas e
antioxidantes


Mantenha-se hidratado
O álcool é um agente desidratante, então lembre-se de beber água entre uma taça e outra. A água vai ajudar na metabolização do álcool e minimizar os seus efeitos intoxicantes.

Alimente-se
Se o evento for uma degustação de vinhos ou outra bebida, aquele pãozinho ou torradinha que são oferecidos (às vezes com azeite) não são só enfeite. Além de limparem o paladar entre uma bebida e outra, ajudam a metabolizar o álcool.

No caso de um jantar harmonizado, alimente-se com moderação, privilegiando os carboidratos. Eles evitam que o álcool chegue tão rapidamente ao cérebro.

Aproveite!

Além
dos benefícios puramente físicos, o vinho é uma bebida essencialmente social e
cultural.
Não
é à toa que as confrarias e grupos de degustação vêm se multiplicando. A
cultura do vinho é bastante rica, e degustar bons vinhos com os amigos é
realmente um prazer.
Assim,
se você quiser aumentar a massa muscular, diminuir a gordura e melhorar a saúde
tenha a certeza de consumir o álcool com moderação. Da próxima vez que você
sair com os seus amigos, beba socialmente e não dirija. Será melhor para todos,
mais seguro e não atrapalhará os seus objetivos no esporte.
Literaturas
pesquisadas para este post:

Provamos e aprovamos… Pascal Jolivet Pouilly Fumé Indigène 2010

Pascal Jolivet
Quando falamos em Pouilly Fumé estamos nos referindo a
uma das AOC que compõe o Vale do Loire e de vinhos feitos exclusivamente da
cepa Sauvignon Blanc. O solo composto por argila e sílex confere a mineralidade
muito característica de seus vinhos.
 

Não se sabe de fato como a vinicultura começou no Vale do
Loire, mas parece provável que as vinhas de áreas agora conhecidas como
Bordeaux, ao Sul, e Borgonha, a Leste, tenham sido levadas para lá. Os romanos
ocuparam a região pelos primeiros quatro séculos da era cristã, e ali
implantaram sua tecnologia de vinicultura, como comprovam os fornos escavados
(para queima de ânforas de argila em que guardavam vinho), que datam do séc. I.
Em 591, a vinicultura estava estabelecida na região o suficiente para que o
bispo Gregório de Tours, em seu livro “A História dos Francos”, descrevesse uma
colheita bem sucedida e reclamasse que saqueadores bretões ocupavam vinhedos na
região agora conhecida como Muscadet.
No séc. XII, o vinho tinto de Anjou era embarcado para a
Inglaterra por comerciantes de Angers, e grandes quantidades de tinto e branco
também saiam de várias partes da região para o próspero e independente
principado de Flandres.
O comércio de vinho do Vale do Loire continuou vigoroso
até meados do séc. XX, impulsionado pela proximidade de Paris, assim como da
costa do Atlântico e dos mercados de além-mar.
Os
vinhos brancos dominam a produção representando 52% do total. Em seguida vêm os
tintos com 26%, os rosés com 16% e espumantes 6%.
A
superfície de vinhedos plantados é de 52.000 ha e a produção anual é de 300
milhões de litros.
Vale do Loire Wine Map
O Vale do Loire conta atualmente por volta de 60
denominações. É o primeiro a produzir vinhos brancos de AOC da França, bem como
a primeira região em matéria de produção de vinhos efervecentes (fora o
champanhe). Há vários anos assiste-se a um verdadeiro despertar dos terroirs. Baixa
dos rendimentos, melhor segmentação das denominações, mais cuidados nas
vinificações e no amadurecimento dos vinhos: todo esse trabalho de fundo visa à
melhora da qualidade dos vinhos. Já chegou à criação de novas denominações,
sendo as últimas as de Orléans e de Orléans-Cléry (desde 2005).
O produtor
Pascal Jolivet é uma das maiores estrelas do Loire na
atualidade, elaborando pequenas quantidades de vinhos muito elegantes, cheios
de finesse e equilíbrio. A safra de 2010, que degustamos, contou com apenas
6000 garrafas.
Utilizando práticas não intervencionistas e alguns dos
mais privilegiados terroirs da região, elabora excelentes Sancerre e
Pouilly-Fumé – unanimidades entre os restaurantes estrelados do guia Michelin
na França.
Pascal Jolivet
O vinho
Pouilly Fumé Indigène é fermentado naturalmente nas suas próprias
leveduras e então amadurecido sobre as borras por 12 meses antes de ser
engarrafado sem filtração.
Pouilly Fumé Indigène
Apresenta cor amarelo palha brilhante e bonita. No nariz,
ligeiro, é bastante mineral e apresentou notas florais de lírios e jasmim, um
leve toque de maracujá, abacaxi e mel. Aromas delicados que surgem ao longo da
degustação. Bem diferentes dos Sauvignon Blanc do Novo Mundo, que apresentam
aromas adocicados e muito acentuados de maracujá.
Na boca é fino e elegante, confirmando a mineralidade e o
frescor das frutas e do mel. A acidez e o álcool estão equilibrados e o seu
final é agradável e de média duração.
Foi uma ótima pedida para ajudar a enfrentar o tórrido
calor do Rio de Janeiro.
A nossa nota foi 88 e a da Wine Spectator é 91 (um pouco
exagerado).
Adquirimos esta garrafa na Lavinia em Paris no ano
passado e custou o equivalente a R$97,00.
Fontes consultadas para esse post:
Larousse do Vinho
Vinhos Franceses – Robert Joseph

Idas e Vinhas na estrada – 10/12/2012 parte II – Viña Errazuriz – Valle de Aconcagua

Após
deixarmos a Viña von Siebenthal  (veja aqui) seguimos para a Viña Errazuriz, que fica apenas
a algumas centenas de metros.
Esse
primeiro dia nos deu a ideia da diversidade da indústria vinícola chilena.
Saímos de uma vinícola boutique, com 7 rótulos e produção limitada, para
conhecer a 8ª vinícola chilena, com uma linha de 21 rótulos (sendo 3 os ícones
La Cumbre, Kai e Don Maximiano). Além desses, a Errazuriz vinifica as uvas
procedentes dos vinhedos Seña e Chadwick, também pertencentes ao grupo.



A visita:

Nosso
programa na Errazuriz consistiu em um almoço harmonizado, uma visita à bodega
ícone e uma degustação especial. Sem pressa, passaríamos quase toda a tarde por
lá.
O
entorno da vinícola é impressionante. Vinhedos muito bem cuidados e um belo
jardim precedem a antiga casa datada de 1870, onde fica o restaurante, as salas
de degustação, a enoteca e a vinificação das linhas tintas Reserva, Max Reserva
e os tintos especialidades (Wild ferment, Single Vineyard, The Blend). À
direita se destaca a bodega ícone, de arquitetura moderna, que vinifica os ícones
tintos do grupo. Os vinhos brancos são vinificados em uma planta no Valle do
Curicó.
Errazuriz
Bela vista da vinícola
Nossa
mesa já estava pronta para aquele que seria uma experiência enogastronômica
incrível! O restaurante exclusivo, que só funciona com reservas, é comandado
pela chef Gladys Alvares. O ambiente é muito bonito, com vista para os
vinhedos.
Restaurante Errazuriz
Belas empanadas
Para
acompanhar as entradas (delicadas empanadas de espinafre e champignons,
seguidas de uma entrada de pasta de abacate e quinoa, camarão e salmão
defumado) degustamos o Sauvignon Blanc 2012 da linha Reserva State. Embora da
linha mais simples, o vinho é muito bom, confirmando a fama chilena de ter excelentes
Sauvignon Blanc, muito frutados e refrescantes.
Restaurante Errazuriz
Em
seguida chegou o prato principal (um filé mignon no ponto exato com purê de
batatas), e já estávamos bastante contentes com o Cabernet Sauvignon Single
Vineyard 2012
com bom corpo e aromas frutados quando o garçom chega com um mimo
muito especial: Don Maximiano Founder’s Reserve 2009!! Esse vinho ícone, que
traz o nome do fundador da vinícola e representa toda a sua tradição, é
realmente excelente. Complexidade de aromas, taninos macios, equilibrado e perigosamente
fácil de beber!
Restaurante Errazuriz
O
gran finale: um delicioso sorbet de
frutas vermelhas com torrone gelado acompanhado do Late Harvest 2010 Sauvignon
Blanc
.
Restaurante Errazuriz
Restaurante Errazuriz
As estrelas do almoço
Depois
do excelente almoço, fizemos um breve tour pelas dependências da casa antiga e
pela bodega ícone.
Errazuriz
A nossa guia Maddy Savard
“Da melhor terra, o melhor
vinho”.
Essa frase, de autoria de Don Maximiano Errázuriz, o
patriarca que fundou a bodega em 1870, traduz a filosofia da vinícola. As
primeiras videiras foram clones trazidos da França, que se beneficiaram do
excelente terroir chileno e fizeram da Errazuriz uma das mais expressivas
vinícolas chilenas.
Hoje
o grupo Errázuriz é comandado por Eduardo Chadwick, descendente direto de Don
Maximiano, responsável pelo salto tecnológico na produção e a consolidação dos
vinhos icônicos do grupo.
Voltando
ao nosso tour, a enoteca, com cerca de 4000 garrafas, guarda todas as safras
dos vinhos ícones. As preciosas garrafas são destinadas às degustações
comerciais e outras ocasiões especiais.
Errazuriz enoteca
Todas as safras do Seña, Kai, Don Maximiano, Lacumbre e Chadwick
Saindo
da casa antiga, à esquerda fica a bodega ícone, com capacidade para vinificar
350 mil litros/ano. Lá são vinificados e envelhecidos o La Cumbre, Seña, Don
Maximiano, Kai e Chadwick. Depois da vinificação em tanques de aço inoxidável e
carvalho francês, os ícones passam pelo menos 18 meses em barricas novas de
carvalho francês.
Errazuriz - tanques de carvalho francês e de aço inoxidável
Errazuriz - Sala de envelhecimento
A degustação:
A
visita terminou em grande estilo. Foram selecionados 4 vinhos da linha Max
Reserva, além dos ícones Seña e La Cumbre.
Errazuriz - degustação
Max Reserva Sauvignon Blanc
2012.
Bastante
aromático, com o maracujá característico, mas também frutos cítricos e um toque
floral. Médio corpo, percebemos também uma agradável mineralidade, tipico do
solo dessa região (base de argila e xisto). Essa linha reserva estagia nos
tanques de aço por três meses com as próprias borras, para conferir corpo ao
vinho. Vinho muito agradável.
Max Reserva Carmenére 2010.
No
nariz logo percebe-se as especiarias, com notas de pimenta do reino e frutas
negras e coco queimado. Na boca as especiarias são confirmadas. É de bom volume
e com taninos macios. Muito bom vinho.
Max Reserva Syrah 2010.
As
frutas maduras estão presentes, mas é a ameixa que se sobressai. Algumas notas
vegetais e de madeira. A acidez presente chega a dar um toque de refrescância.
É um vinho elegante e com boa complexidade.
Max Reserva Cabernet
Sauvignon 2010
Cor
rubi intensa. No nariz surgem as notas refrescantes da hortelã, das frutas
frescas, algumas especiarias, temperos, notas de tostado (café) e um peculiar e
adocicado aroma de tabaco. Na boca chega a ser levemente adocicado, as
especiarias estão presentes, os taninos são aveludados e a acidez está
perfeita. Este vinho fará bonito em um belo churrasco.
La Cumbre 2009.
Chama
a atenção o brilho do rubi muito escuro, quase negro desse ícone 100% Syrah. Os
aromas são densos, adocicados de geléia de frutas vermelhas, baunilha,
chocolate, algumas notas defumadas e muita pimenta do reino. Na boca é
complexo, cremoso, fresco, as frutas vermelhas estão presentes. Os taninos são
finos e dão a esse vinho uma elegante estrutura e finesse. Final longo e
agradável. Excelente vinho, com grande potencial de guarda.
Seña 2009
Bela
cor rubi profunda. Complexo e intenso no nariz. Notas de especiarias (cravos) e
frutas vermelhas (framboesas), louro, café e algum vegetal. Mas é na boca que
ele se sobresai, corpulento, os aromas são confirmados e há algumas notas de
frutos secos (nozes e coco). Bela textura, taninos aveludados e acidez
refrescante fazem deste ícone um vinho de longa guarda. Um vinho especial.
E
assim, após um primeiro dia muito agradável, retornamos a Santiago, pois o dia
seguinte nos reservava mais surpresas….

Provamos e aprovamos:
Errazuriz The Blend Collection 2008
Errazuriz The Blend Collection 2011

Idas e Vinhas na estrada – 10/12/2012 – Viña von Siebenthal – Valle de Aconcagua

A região:
sub-região
do Valle de Aconcagua, pertence à região vitícola de mesmo nome, tem início a
zona central chilena, onde se origina a esmagadora quantidade dos vinhos do
país, além dos mais conceituados. Situa-se na latitude 32ºS, tendo clima mediterrâneo,
com pluviosidade de 250 a 300 mm anuais, exigindo irrigação com águas do rio
Aconcagua.




As
vinícolas que se destacam nesta região são a Errazuriz, a von Siebenthal e a
San Esteban.
A
Viña von Siebenthal está localizada a 102 km de Santiago e para chegar a ela,
deixa-se Santiago pela Rota Panamericana (que segue o caminho direto até o
Peru). Passa-se pela Zona de Llaillay (que recebe muitos ventos vindos do
Oceano Pacífico) e por uma zona de intensa fruticultura (laranjas, cerejas,
abacate, pomelo…).
A caminho do Valle do Aconcagua
 A visita:
Ao
chegar aos portões logo percebe-se que se trata de uma vinícola de boutique pois
ela é elegantemente pequena. O entorno também é lindo, com as videiras se
espalhando pelo vale e pelas encostas.
Chegamos
às 10h30 da manhã, bastante animados para o dia que prometia ser especial. Um
dia de sol muito bonito, e a expectativa de provar alguns dos vinhos mais
exclusivos e caros do Chile…
Quem
nos atendeu foi a relações públicas da vinícola, Soledade La Torre e Darwin
Oyarce (assistente do enólogo Stefano Gandolini). Fomos muito bem recebidos,
Soledade tem profundo conhecimento do funcionamento da vinícola e respondeu
atenciosamente a todas as nossas perguntas.
Vocês
conhece aquela história de um grupo de amigos que se reuniam para degustar bons
vinhos? Pois é, o advogado suíço Mauro von Siebenthal foi mais longe. Em 1998,
contando com o apoio financeiro de quatro amigos, colocou em prática o seu
projeto de mais de 20 anos de estudos e deu origem a Viña von Siebenthal. A
bodega segue o estilo arquitetônico colonial chileno, enquanto a tecnologia de
vinificação segue os moldes dos Chateaux de Bordeaux, e por isso é considerada
uma das vinícolas mais “francesas” do Chile.
Os
vinhedos Siebenthal localizam-se em solos arenosos, argilosos e pedregosos,
onde as rochas ainda não completaram o processo de compactação. Essa
descompactação faz com que a drenagem seja muito eficiente e o solo, pobre,
produz vinhas de grande qualidade.
A
propriedade conta com 32 ha e cultiva Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet
Franc, Petit Verdot, Carmenère, Shiraz e Viognier.
O
curioso é que o clima e solo do Aconcagua é propicio para o cultivo de cepas
tintas mas após estudos Mauro decidiu apostar na Viognier e plantou 1 ha da
cepa que necessita basicamente das mesmas condições de solo e clima das tintas.
A primeira colheita (em 2012) foi excelente. Cada pé produziu entre 14 e 15
cachos de uvas, mas para a produção de vinho de qualidade, foi reduzido a 4
cachos por planta.
De
acordo com o Darwin, a filosofia da von Siebenthal é preservar a identidade e a
qualidade de seus vinhos.
Os
vinhos premium e os ícones possuem produção limitada e as garrafas dos ícones e
do premium Montelìg são numeradas. Os vinhos produzidos pela vinícola são os
seguintes:

Tatay de Cristobal
(Ícone):

Primeira safra: 2005 – Carmenère 90% e Petit Verdot 10% / 21 meses em carvalho
francês novo / 1,05 kg por videira.
O
terremoto de alta magnitude que atingiu o Chile em 2008 danificou as barricas
onde o Tatay estava evoluindo, e por isso o vinho não foi lançado naquele ano.
Toknar (Ícone): Primeira safra: 2005
– 100% Petit Verdot / 24 meses em carvalho francês / 1,2 kg por videira.
Montelìg (Premium): Cabernet Sauvignon
40%, Petit Verdot 30% e Carmenère 30% / 24 meses em carvalho francês novo / 1,2
kg por videira.
Carabantes (Premium): Syrah 85%, Cabernet.
Sauvignon 10% e Petit Verdot 5% / 14 meses em carvalho francês novo / 1,4 kg
por videira.
Carmenère (Gran Reserva): Carmenère 85% e Cabernet
Sauvignon 15% / 10 meses em carvalho americano / 1,48Kg por videira.
Parcela #7 (Gran Reserva): Cabernet Sauvignon
40%, Merlot 35%, Petit Verdot 10% e 15% C. Franc / 10 meses em carvalho
americano e francês / 1,4 kg por videira.
Rococó (Rosè): Novidade
da vinícola, um rosé feito a partir de várias cepas, de caráter frutado e leve,
lançado para o verão.
A
capacidade atual de produção da vinícola está em torno de 200 mil garrafas.
Todos
os rótulos estagiam em madeira e todos ficam pelo menos 6 meses nas garrafas antes da comercialização. Os vinhos da categoria premium ficam 2 anos em
barricas novas francesas e depois mais dois anos em garrafa.
Os
vinhos da linha gran reserva (Carmenère e Parcela 7) ficam entre 8 e 10 meses
em barrica.
A
linha gran reserva é engarrafada com rolhas sintéticas norteamericanas. Tempo
de guarda estimado em 7 a 8 anos.
Os
ícones Tatay e Toknar tem tempo estimado de guarda de 25 anos e o Carabantes de
15 anos.
Os
principais mercados dos vinhos Siebenthal são o Chile, o Brasil, os Estados
Unidos, seguidos por mais 22 países. Para uma vinícola cuja ideia inicial era
produzir apenas um vinho, pode-se ver que o projeto do Mauro foi muito mais
longe!
A degustação:
A
mesa de degustação, elegante e cuidadosamente preparada (incluindo água e biscoitinhos)
nos agradou, pois Soledade selecionou o ícone Toknar e o premium Montelìg. Darwin
Oyarce, o assistente do enólogo, conduziu a degustação sem pressa, esclarecendo
nossas dúvidas.
Soledade La Torre e os vinhos von Siebenthal
Toknar 2007: cor
rubi intensa, aromas de frutas negras, menta, café, nozes, tomilho e notas
minerais. Na boca é concentrado, encorpado, confirmando as frutas negras
maduras e os 24 meses de estágio em carvalho francês. Os taninos são fortes mas
não chegam a atrapalhar e a acidez está perfeita. É um vinho que tem muitos
anos de vida pela frente e só tende a melhorar.
Montelig 2007: cor
rubi, aromas de cassis, pimenta do reino, menta e chocolate. Na boca apresenta
bom corpo, os taninos ainda são jovens e o retrogosto é longo. Também é um
vinho de longa guarda e que estará espetacular em 2018 ou 2020.
Foi
o início promissor do que se revelaria uma maratona enológica que nos proporcionou
muito conhecimento e momentos inesquecíveis!
Um brinde ao início da nossa maratona enológica pelo Chile!