Degustação: Espanha em 3 atos

Tempranillo
Uva da casta Tempranillo

Na
última terça feira (10 de abril) ocorreu nosso encontro quinzenal de desgustação
na ABS/Rio. Como de praxe, nosso orientador e wine guru Roberto Rodrigues preparou-nos uma valiosa experiência. A
degustação é feita às cegas, e ao final o aprendizado acontece de foma lúdica,
as impressões sensoriais experimentadas refletidas em conhecimento e cultura.


O
objetivo foi apresentar ao grupo 3 tintos secos espanhóis de diferentes
regiões, complexidade variada e em estágios de evolução distintos. A
característica comum é a predominância da uva símbolo da Espanha, a
Tempranillo. Essa casta confere aos vinhos aromas de folhas de tabaco,
especiarias, couro, e algumas vezes frutas como framboesa. Sua cor carregada
confere estrutura para que os vinhos possam envelhecer bem. O carvalho das
barricas influencia bastante o aroma da tempranillo, podendo sobressair tanto
quanto os demais.
Vamos à degustação! Ao chegar, somos recebidos com espumante. O exemplar
dessa noite foi o rosé brut Maestrale
produzido na serra catarinense pela Vinícola Sanjo, comprovando a vocação
do sul do país.
O
primeiro vinho degustado foi o Pardina 2005, produzido pela Bodegas Victoria,
localizada na denominação de origem (DO) Cariñena, na região de Zaragoza
(nordeste da Espanha). É o vinho mais simples da vinícola, passando apenas 6
meses em barricas de carvalho francês, sendo chamado vino joven.
O
segundo vinho da degustação foi o Ontañon Crianza 2004, também o
rótulo mais simples que a Bodegas Ontañon
produz na célebre denominação de Rioja (ao norte da Espanha). O vinho de crianza deve passar em barricas de carvalho por um mínimo de 12 meses.
O
terceiro vinho foi o El Picón 2004, o vinho top da bodega Pago de Los Capellanes, localizada na esplêndida região DO de Ribera del Duero (ao norte, no vale do Rio Douro).
Esse vinho 100% Tempranillo (de clones da finca El Picón) permanece 26 meses em barricas de carvalho francês. São
produzidas apenas 3000 garrafas a cada safra.
Notas de degustação:
Vinho
1
: Pardina 2005 DO
Cariñena, Bodegas Victoria, Espanha.
Pardina
Pardina
70% Tempranillo, 20%
Syrah, 10% Cabernet Sauvignon
Aspecto: cor vermelho granada escuro,
indicando um vinho já maduro. Opaco, cor brilhante e muito boa.
Aromas: uma mistura interessante de aromas
primários (violeta, morango, groselha, ameixa e o tabaco típico da tempranillo),
secundários (figo em compota), e terciários (baunilha) sugeriu um tempo curto
de passagem em madeira.
Gosto: na boca, confirmamos os aromas,
com pouca madeira e ainda certa intensidade de frutas frescas. Consideramos finos,
intensos e persistentes. O teor de álcool (13,5%), embora não muito alto, foi
percebido com certa intensidade, e conferiu um bom corpo.
Seco,
com boa acidez e taninos equilibrados, termina bem, com aromas de boca também finos,
intensos e persistentes, deixando a boca enxuta.
Um
vinho maduro (notadamente pela cor) que não foi produzido para guarda. Ótimo
exemplar para um vinho do dia a dia.
Nota média do grupo: 81,8 (bom, um vinho sólido e bem
feito).
Preço: R$ 58,80

Vinho
2
. Ontañon Crianza
2004, DO Rioja, Bodegas Ontañon.

Ontanõn Crianza
Ontañon Crianza
90% Tempranillo/10% Grenache
Aspecto: bem semelhante ao Pardina, de cor
vermelho granada escuro, indicando um vinho já maduro. Mais opaco, cor
brilhante e muito boa.
Aromas: embora tenha apresentado ainda
aromas primários (violeta, ameixa e frutas vermelhas, pimenta) e secundários
(figo e ameixa secos) predominaram os aromas terciários de café, baunilha e
caramelo, indicando mais tempo em madeira e maior evolução que o anterior.
Gosto: na boca, confirmamos os aromas, com
destaque para a pimenta. Consideramos mais finos, intensos e persistentes que o
anterior. Com 13% de teor alcoólico e taninos um pouco mais acentuados mas
ainda assim equilibrados, é um vinho encorpado e com estrutura superior ao
anterior. Seco, bastante equilibrado, com boa acidez, termina bem, com aromas
de boca muito finos, intensos e persistentes, deixando a boca enxuta.
Um
vinho maduro (notadamente pela cor) que embora tenha certa estrutura, não
evoluirá com mais tempo de guarda. Ótimo exemplar para um vinho do dia a dia.
Nota
média do grupo
: 87 (muito
bom, um vinho com qualidades especiais).
Preço: R$ 68,00
Vinho 3. El Picón 2004 DO Ribera del Duero, Bodegas
Pago de Los Capellanes, Espanha.
Pago de Los Capellanes
Pago de Los Capellanes
100%
Tempranillo
Aspecto: cor vermelho rubi muito escuro, sem
reflexos, indicando um vinho mais jovem ou, como se comprovou depois, um vinho
com muita estrutura e potencial de guarda. Muito opaco, cor brilhante e muito
boa. O ano do vinho, 2004, confirmou a impressão de que se trata um grande
vinho.
Aromas: embora a cor sugerisse um vinho
jovem, os aromas primários de violeta, ameixa e pimenta não se destacaram tanto
quanto os aromas secundários de geléia, ameixa seca e uva passa e os excepcionais
aromas terciários de café, amêndoa torrada, caramelo, baunilha e cinzas. Nesse
momento, estávamos certos de estar degustando um vinho superior.
Gosto: na boca, confirmamos os aromas, que
consideramos muito finos, muito intensos e muito persistentes. O alto teor alcóolico
de 14,5% se opôs muito bem aos taninos bastante presentes, conferindo alto
equilíbrio ao vinho. Seco, muitíssimo equilibrado, com boa acidez, termina bem,
com aromas de boca muito finos, muito intensos e muito persistentes, deixando a
boca enxuta.
Um
vinho pronto para beber, mas que pela estrutura e equilíbrio, pode evoluir por
mais 30 anos. Vinho para grandes ocasiões! De acordo com nosso orientador, um
dos grandes vinhos espanhóis e ainda jovem apesar de já ter 7 anos.
Nota
média do grupo
: 93 (Excepcional,
um vinho de caráter e estilo superiores.)
Preço: R$ 1.050,00
Espanha em 3 atos
Espanha em três atos

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