Provamos o Nespresso Naora Limited Edition!

Nespresso Naora
Compramos essa semana o Nespresso
Naora Limited Edition. E como prometemos no post
sobre o lançamento (veja aqui), vamos relatar a experiência.

A primeira observação é que
o atendimento online é excelente. Optamos pela entrega por Sedex 10 e após a
confirmação do cartão de crédito recebemos a encomenda no dia seguinte,
embalada com muito cuidado.
Sobre o café, achamos
realmente muito bom. De intensidade 5, é bem suave e equilibrado. Não tem
aquele gosto de torra excessiva, e o amargor é apenas o suficiente para
ressaltar o gosto do café.
Tudo bem, os aromas
prometidos de frutas silvestres não são evidentes na boca, mas no nariz o Naora
é realmente muito agradável e tem mesmo um leve adocicado. Para quem não dispensa
o açúcar, é um café perfeito para começar a tomar puro. Aliás, faz um bom tempo
que tomamos o café sem açúcar nem adoçante. Os bons cafés são melhores assim.
Bem, não resistimos e
compramos também as xícaras da coleção limitada, obra do designer francês Christian Ghion. Muito bonitas e delicadas.
Dica de harmonização:
gostamos muito de tomar um Nespresso acompanhando a sobremesa, e não depois. Experimentamos
o Naora com figos caramelizados e mascarpone…ficou uma delícia!

A rolha e o vinho

Rolhas - Idas e vinhas
Nossa coleção de rolhas
A forma como compramos hoje
o vinho, em garrafas padronizadas de proveniência conhecida, é reflexo de uma
longa evolução tecnológica e um fato relativamente recente na nossa história.

Vaso grego. Créditos: www.adegavinhos.com.br
Vaso grego para serviço do vinho
 Na antiguidade, o vinho era
armazenado em odres de couro, barro e cerâmica. Para que não estragassem
rapidamente, eram adicionados conservantes como a resina de pinho (podemos
imaginar que o resultado não fosse dos mais agradáveis…), e um costume da
época era diluir a bebida em água e temperar com especiarias e mel.
Já na idade média a
utilização de barris de madeira se difundiu para a conservação do vinho, facilitando
o transporte e o comércio. O vinho era então servido diretamente dos barris, e
garrafas e outros recipientes utilizados apenas para facilitar o serviço, não
para armazenar.
Apenas no final do século
XVII as garrafas de vidro começaram a ser fabricadas em série, modificando para
sempre a história do vinho. Algumas das grandes casas produtoras que conhecemos
hoje surgiram nessa época, trazendo identidade própria a seus vinhos, pois era
bastante comum o comércio feito por casas de comércio, que misturavam os vinhos
de diferentes safras e produtores antes de vendê-lo.
Sobreiro. Crédito: http://pt-br.facebook.com/sobreiroportugal
Sobreiro
E foi assim que pelo menos até a década de 90 do século
XX o casamento entre garrafa de vidro e rolha de cortiça foi considerado ideal.
Ainda hoje a rolha de cortiça é a preferida e mais utilizada em todo o mundo em
função da flexibilidade, capacidader de retomar o formato original após ser
comprimida para passar pelo gargalo e propriedades isolante e impermeabilizante.
A cortiça é extraída do Sobreiro, árvore típica de Portugal, que responde por 50 a 80% da produção mundial. Um fato curioso é que uma simples rolha que acaba de
ser colocada em um vinho da última safra tem pelo menos 43 anos de idade!! Isso
porque só após esse tempo é possível extrair uma camada de cortiça apropriada.
E depois disso, é possível produzir mais cortiça para rolhas apenas a cada 9
anos! O sobreiro é tão importante para a economia de Portugal que tem até página no Facebook (veja aqui) e um blog (veja aqui).
Tipos de rolha
Da esquerda para direita: Screw cap / Cortiça para champagne / Cortiça / Sintética / Aglomerada
Por questões ecológicas e para evitar o indesejável
efeito bouchonée causado nos vinhos por rolhas de cortiça contaminadas pelo
fungo armillaria mellea, os
fabricantes vêm buscando novas opções.
Uma das alternativas são as
rolhas sintéticas. Sua limitação é que se tornam inadequadas para vinhos de
guarda, pois aderem ao vidro após algum tempo, dificultando sua retirada.
A alternativa mais
promissora são as screw caps, ou tampas de rosca. Suas principais qualidades
são a praticidade, baixo custo e ótima proteção quanto à deterioração do vinho.
Embora mais largamente empregadas em garrafas de 375 mL e 187 mL e vinhos mais
simples, as screw caps vêm sendo utilizadas por excelentes produtores também em seus primeiros vinhos. O movimento iniciou no Novo mundo (Nova Zelândia,
Austrália, Estados Unidos, Chile) e agora é possível encontrar as screw caps
também em Chablis e Bordeaux. 
Pessoalmente, nós aqui do “Idas e vinhas…” temos
experimentado ótimos vinhos tampados com rolhas sintéticas (destaque para o californiano
Robert Mondavi”) e screw caps (do Matua Valley na Nova Zelândia).
Mas uma coisa é certa, o ritual de abrir uma garrafa
de vinho com a tradicional rolha de cortiça é bem mais charmoso do que
simplesmente torcer uma screw cap, ainda mais agora que sabemos que cada rolha tem uma história de pelo menos 43 anos…
Assista aqui um vídeo em que dois especialistas degustam duas garrafas do mesmo vinho, com a mesma idade (4 anos),
uma delas com rolha tradicional e outra com screw cap. Escolheram um vinho de
quatro anos porque antes disso dificilmente se notaria alguma diferença. Eles
ressaltam que o vinho com rolha de cortiça apresenta maior evolução e
suavidade, enquanto o com a screw cap permanece com aromas bastante
distintos, sugerindo que pode ser guardado por longo tempo.
Qual a opinião de vocês?
Para saber mais:

Aconteceu…: apresentação de vinhos da DOC italiana Friuli Isonzo

Friuli
Friuli (clique na imagem)

Na tarde dessa segunda feira, 23 de abril, conferimos a apresentação de
produtores da zona DOC Friuli Isonzo, em evento na Confraria Carioca do nosso
amigo Duda Zagari.

 
É
a primeira vez que produtores dessa zona DOC italiana apresentam os seus vinhos
no Brasil.

De
acordo com a literatura especializada, o Friuli, região do extremo nordeste da
Itália, possui reputação internacional por seus brancos secos, vivos e francos,
e seus tintos frescos e aromáticos. A DOC Friuli Isonzo fica no sudeste do
Friuli e produz tintos aromáticos e brancos delicados. As modernas técnicas de
produção valorizam as características da uva. Os brancos costumam não passar pela
fermentação malolática e nem envelhecem em madeira, daí o seu frescor e
vivacidade.
No
evento tivemos a oportunidade de degustar um espumante (muito leve da casta
Ribolla Gialla, vinícola Lorenzon) além de tintos (das castas Refosco dal Peduncolo
Rosso e Pinot Nero) e brancos (das castas Malvasia, Chardonnay e Pinot Grigio)
dos produtores Tenuta Villanova, Renzo Sgubin, Ronco del Gelso, Tenuta Luisa,
Masùt da Rive e Drius
Nossa
impressão geral sobre os vinhos: leves, refrescantes, com pouca madeira no caso
dos tintos e nenhuma nos brancos. Vinhos agradáveis para serem bebidos jovens,
sem estrutura para guarda.
Mais uma apresentação está marcada para o dia 27 de abril para os associados da ABS-Rio.
Em
tempo, para acompanhar os vinhos havia uma seleção cuidadosa de frios e pães,
muito apreciada por todos. Parabéns aos organizadores do evento!
Veja
aqui mais detalhes sobre a região DOC Friuli Isonzo. 
Vinhos brancos
Vinhos brancos
Vinhos tintos
Vinhos tintos

Enoturismo: Chile – lindas vinícolas, grandes vinhos e ótimos preços

Ana e Alexandre - Valle de Casablanca - Indomita
Valle de Casablanca

Uma grande amiga vai comemorar seu aniversário com uma
viagem ao Chile em agosto, e me perguntou se poderíamos dar algumas dicas. Bem,
estivemos no Chile há alguns anos, em agosto de 2007, e foi nessa viagem que o
vinho começou a se tornar um prazer mais presente em nossas vidas. Embora as
vinhas estejam “dormentes” nessa época, ainda assim é possível visitar as
vinícolas, aprender um pouco mais nas visitas guiadas com degustações e fazer
boas compras!


Sendo assim, unindo nossas lembranças com informações
de amigos que estiveram lá mais recentemente e alguma pesquisa, esperamos que com
este post nossa amiga possa iniciar o
planejamento desta viagem tão especial
O Chile é famoso por produzir excelentes vinhos com
preços muito razoáveis. Seus vinhos top frequentemente são comparados aos
melhores vinhos franceses da região de Bordeaux. Isso somado a belas paisagens,
que vão desde as montanhas geladas do Vale Nevado, passando pelo belo litoral de
Viña del Mar, pelos desertos ao Norte e pelos vales da região Central (Maipo,
Colchagua, Curicó, Maule), onde estão as principais vinícolas, torna o Chile um
dos destinos mais procurados pelos brasileiros
Santiago do Chile
Santiago

Onde ficar: hospedar-se na capital Santiago é a melhor opção para quem
vai ao Chile pela primeira vez. De lá é possível ir e retornar no mesmo dia da
maioria dos passeios. Nós ficamos no Radisson Plaza Santiago (avenida Vitacura,
2610) no bairro de Las Condes. Gostamos bastante, e conferindo hoje no
TripAdvisor, é o 6º hotel no ranking.

Agora, vamos ao 
principal, as vinícolas! Entre dezenas de possibilidades, escolhemos as
Top 03 na opinião do ‘Idas e vinhas…’
1.    Concha y Toro
2.    Almaviva
3.    Viña Montes
1.    Concha y Toro (Valle del Maipo, Pirque)
Alexandre - Viña Concha y Toro
Viña Concha y Toro

A Concha Y Toro 
talvez seja o primeiro nome que lembramos ao se falar de vinho
chileno. Fica no Valle del Maipo (região de Pirque) a 45 minutos de carro de
Santiago.

Produz vinhos de primeira grandeza como o Don Melchor
(vinho top da vinícola), seguido do Marques de Casa Concha, passando por
diversos outros excelentes vinhos até o mais popular e muito famoso Casillero
del Diablo. A casa oferece três tipos de visita, todas com degustação e visita
à adega lendária do Casillero del Diablo e uma taça de presente. O tour
tradicional custa cerca de USD 17,00. O tour Marques de Casa Concha tem três
degustações e harmonização com queijos, custa cerca de USD 36,00. O tour mais
caro e exclusivo é o Don Melchor Experience, que tem que ser marcado com
antecedência e custa cerca de USD 139,00 (inclui harmonização vertical de 3 ou
4 safras, e a taça brinde é da famosa marca Riedel).  Confira aqui mais detalhes para programar sua
visita.
2.    Almaviva (Valle del Maipo, Puente Alto)
Bem próxima da Concha y Toro está a Almaviva, que
surgiu de uma parceria entre a própria Concha y Toro e a tradicional casa
francesa Baron Philippe de Rothschild, sem dúvida um dos melhores produtores de
Bordeaux, França. Essa parceria originou o espetacular Almaviva (um dos
melhores tintos que já tivemos o prazer de degustar e aqui no Brasil pode
alcançar o preço de R$500,00 enquanto no Chile custa cerca de USD 100,00). Quem
visita a Almaviva pode adquirir o segundo vinho chamado Epu, que é excelente (já degustamos) e tem preço mais em conta. A Almaviva também oferece um tour de aproximadamente 1
hora com degustação de uma safra do vinho.
3.    Viña Montes (Rapel, Valle do Colchagua, Santa Cruz)
A cerca de 200 km ao sudoeste de Santiago, esta
vinícola excepcional produz os grandes Montes Alpha M e Montes Folly. O “M” segue o corte bordalês (cabernet sauvignon 80%, merlot 10%,
cabernet franc 5% e petit verdot 5%) e o “Folly” é 100% Syrah, e em ambos as
uvas são escolhidas e colhidas à mão. Tivemos o prazer de degustar esses vinhos
em nosso grupo da ABS e são realmente maravilhosos. Já degustamos também a
versão chardonnay da linha mais comercial ‘Montes Alpha’, que inclui tintos como
Carmenére e Pinot Noir. Rótulo mais simples, mas ainda de alta qualidade,
ideais para o dia a dia.A vinícola oferece diferentes tours. Veja aqui.
Regiões vinícolas do Chile creditos: http://www.trekkingchile.com/ES/vinias/vino-regiones.php
Regiões vinícolas do Chile
Para não deixar esse post muito longo, há outras vinícolas que achamos que valem mesmo uma visita: a Casa La Postolle (fica fechada para visitas em algumas épocas
do ano, incluindo todo o mês de agosto) e a Santa Helena no Valle de Colchagua; a Errázuriz no Valle do Aconcagua (o website da vinícola é belíssimo); a Cousiño Macul na região metropolitana de Santiago (adoramos o vinho Finnis Terrae); e a moderníssima Indómita, no Valle de Casablanca.

Idas e vinhas… Degustamos (e aprovamos) mais uma cerveja premium – foi a vez da espanhola ‘Estrella Galicia’

Fábrica da Estrella Galicia
Fábrica na cidade de A Coruña
A
‘Estrella Galicia’ é uma cerveja Pilsen, também conhecida como Lager, produzida
pela Hijos de Rivera SA. As Lagers
são as mais consumidas no mundo e no Brasil não é diferente. Consumimos muita
Pilsen, devido a sua leveza e refrescância. É a cerveja ideal para ser bebida
no calor escaldante do Rio de Janeiro. E assim foi nesse sábado 21 de Abril.

A
Hijos de Rivera SA produz 6 diferentes
cervejas, sendo a ‘Estrella Galicia’ e a ‘1906’, as mais vendidas e exportadas.
Estrella Galicia
Estrella Galicia

Notas
da degustação:
Adotamos
a temperatura de serviço sugerida pelo fabricante (5ºC).
Aparência:
bela cor amarelo ouro, característica das lagers,
espuma cremosa porém não muito duradoura.
Aroma:
os aromas de lúpulo presentes e equilibrados, sem notas especiais.
Na
boca ela é bastante atraente, o equilíbrio entre malte e lúpulo estão na medida
certa demonstrando o seu frescor. É bem leve e fácil de beber, o que pode ser
um problema pois não se tem vontade de parar…
Teor
alcoólico: 4,7% vol (no site espanhol consta 5,5% e no brasileiro e no rótulo 4,7%)
R$
3,13 (excelente custo-benefício)
No
site há uma brincadeirinha muito bacana para você se conhecer melhor. Basta preencher
o seu nome, sexo e data de nascimento para ter informações (em infográficos) da
sua vida, tais como “Quantas pessoas você já conheceu em sua vida”, “Quantos litros
de lágrimas derramou”, “Quantas marcas de cerveja já provou”, etc…
Fontes
consultadas para esse post:
Ronaldo
Morado. Larousse da Cerveja. Larousse do Brasil. 2009

http://deberiamosconocernos.estrellagalicia.es/

Notícias da enosfera: rock & vinho! Mais um rockstar lança seu próprio vinho

Dave Stewart
Dave Stewart

O vinho é
mesmo um bom negócio e está se expandindo no campo das celebridades, conforme
já mostramos aqui no ‘Idas e Vinhas…’ no post sobre o lançamento do ‘Reign in Blood’ (veja aqui) da
banda de metal Slayer.


Agora a
novidade vem da Austrália. O rockstar
Dave Stewart (ex-Eurythmics), em parceria com a vinícola Mollydooker, acaba de
lançar uma garrafa de edição limitada.
O ‘The Ringmaster
General Shiraz 2010’, é uma rotulagem especial dada a outro vinho da
Mollydooker, o Carnival of Love Shiraz 2010. A renovação do rótulo é uma
comemoração do novo álbum de Stewart: The Ringmaster General.
Cada garrafa vem em uma caixa especial
contendo um DVD com todas as músicas do novo álbum e um documentário de 90
minutos com os bastidores de ‘The Blackbird Diaries’ e ‘The Ringmaster General’
além de outros grandes vídeos.
O vinho tem graduação alcóolica de
15,5% e tanto a fermentação quanto a estabilização ocorreram em barricas de carvalho
americano 100% novas.
Harvey Steiman, editor da conceituada Wine Spectator, em prova de 29 de
fevereiro de 2012 (do rótulo original Carnival
of Love Shiraz 2010) descreve o vinho como denso, rico, complexo e de alta
qualidade. Notas de mirtilos, cassis, alcaçuz e carne grelhada, em uma aura de
suavidade. Final longo e com textura cremosa. Um vinho de guarda, que pode
evoluir até 2020. A nota foi 94, atribuída a vinhos extraordinários, de caráter
e estilo superiores.
O custo é de 125 dólares australianos.

Ringmaster general wine bottle
The Ringmaster
General Shiraz 2010

A garrafa do ‘The Ringmaster General’ aparece
no video da canção Girl In a Catsuit.

Fontes consultadas para este post:

Vinho como inspiração: Nespresso lança café de colheita tardia

Cerejas do café Arabica Castillo
Cerejas do café Arabica Castillo

Quando degustamos um
vinho, expressamos nossas sensações por meio de adjetivos referentes à nossa
memória olfativa, tais como flores, frutas, especiarias, chocolate, café. Isso
acontece porque durante o processo de vinificação são formadas substâncias
quimicamente idênticas a esses aromas que temos na memória.


O aroma de café, por
exemplo, é um dos mais agradáveis que já sentimos nas degustações.
Surgiu em grandes vinhos produzidos tanto no velho mundo (o espanhol El Picón)
quanto no novo (o chileno Almaviva), sendo formado quando se utilizam barricas de carvalho com médio grau de tostagem para a fase de estabilização.
Reforçando essa
agradável relação, a Nespresso (marca de café gourmet da Nestlè) acaba de lançar
a edição limitada do Grand Cru NAORA late
harvest,
produzido a partir de técnicas inspiradas no processo de
fabricação de vinhos.
Estágios de maturação das cerejas de café
Estágios de maturação das cerejas

Produzido em parceria
com a Federação Nacional de Produtores da Colômbia, a variedade escolhida foi o
Arabica Castillo. É uma das raras variedades que pode alcançar um avançado
estágio de maturação ainda enquanto está no galho, possibilitando o desenvolvimento
de aromas especiais. O grande desafio foi determinar o tempo exato para colher as cerejas (daí vem a inspiração para o nome do
café: uma combinação do inglês “now” e o espanhol “ahora”). Esse processo
resulta em um café com notas de mirtilos e cassis, também encontradas em vinhos tintos.

Assim que estiver disponível
para o mercado brasileiro (provavelmente na próxima semana), nós aqui do ‘Idas e
vinhas…’ faremos nossa encomenda e partilharemos a experiência com vocês aqui
no blog.
Confira (aqui) o belo
vídeo mostrando todo o processo de produção do Naora.

Naora Limited Edition
Naora Limited Edition 2012

Notícias da enosfera: Mais um round do escândalo da The Wine Advocate

Robert Parker
Robert Parker
É
da natureza humana classificar e conferir notas a tudo. Parece que não
entendemos aquilo que não conseguimos medir.
Por
isso, um sistema que orienta e influencia as opções de compra de vinho de
milhões de consumidores (sommeliers, enófilos ou apenas apreciadores) é o da
classificação e pontuação de vinhos.

Centenas
de blogs se dedicam a publicar notas de degustação (incluindo nosso blog
récem-nascido), e experts como Jancis Robinson e Robert Parker se tornaram
celebridades. Mas a imparcialidade desse sistema foi posta em dúvida quando em
Dezembro de 2011 um dos críticos da The Wine Advocate (de propriedade de
Parker), Jay Miller, foi acusado de receber dinheiro em troca de boas notas de
vinhos espanhóis.
No
último dia 12 Robert Parker fez mais um movimento em sua defesa, liberando um relatório com as investigações feitas pela empresa Cozen O’Connor sobre o caso Jay Miller.
Parker publicou o relatório em
área restrita a assinantes da The Wine Advocate, acrescido da declaração:
“Integridade, credibilidade e independência
são os pilares do nosso negócio, e serão mantidos custe o que custar”,
escreveu ele.
Idas e vinhas…conseguiu
visualizar um extrato do relatório (veja aqui), o qual declara que a
investigação feita pela empresa não revelou “nenhuma evidência de
desonestidade por parte da The Wine Academy of Spain (TWAS)”, que
coordenava as visitas às vinícolas, eventos particulares e as degustações
espanholas; e que Jay Miller não recebia nenhum bem ou pagamento pelas visitas,
degustações e avaliações”.
O relatório, porém, aponta
que a TWAS “turva as linhas entre as degustações para a classificação na The
Wine Advocate
e eventos privados patrocinados pela TWAS”.
O relatório da Cozen
O’Connor elege uma causa no mínimo curiosa para o “mal entendido”: o fato de
Jay Miller não dominar a língua espanhola, o que não o deixava totalmente a par
do que ocorria nos eventos dos quais participava. (Nota do Idas e vinhas…:
ah, então está explicado…)
A Cozen O´Connor, em suas considerações finais,
recomenda fortemente algumas medidas a Parker:
1) rompimento de relações com a TWAS e seu
representante Pancho Campo;
2) adoção de novas regras sobre a
participação de seus críticos em eventos particulares;
3)
revisão das normas para escritores da The
Wine Advocate;
4)
modificar os termos de compromisso dos críticos autônomos contratados;
5)
retirada de qualquer publicação de notas liberadas por Jay Miller para vinhos
espanhóis desde 30 de junho de 2011;
6)
manutenção da prática de supervisionar ativamente as críticas emitidas;
7)
exigência de maior detalhamento sobre as notas de despesa e reembolso;
8)
proibição de que seus contratados conduzam eventos particulares quando
estiverem viajando pela The Wine Advocate;
9)
cooperação com a investigação paralela que a International Masters of Wine está
conduzindo sobre os fatos.
Embora no relatório conste que Jay Miller deixou a The Wine Advocate em Janeiro de 2012,
consultamos o site hoje e Jay ainda aparece como crítico.
Jay Miller
Fontes
consultadas para esse post:

Notícias da enosfera: Robô viticultor

Wall-e
Wall-e da Pixar
É
impressionante a criatividade dos inventores e a rapidez com que acontecem os
avanços tecnológicos nos mais diversos campos. Algumas vezes, tais avanços
podem agravar algumas crises, principalmente quando envolvem a
substituição de mão-de-obra.

Pois não
é que vem da França a mais recente novidade enotecnológica? Justo no país que
defende com unhas e dentes os métodos mais tradicionais da vitivinicultura e
vem enfrentando altas taxas de desemprego, o inventor Cristophe Millot criou um
robô – Walle-Ye – movido à energia solar, para ajudar na produção vitivinicola.
O brinquedo de luxo está em fase de testes em vinhedos na França até que seja
concedido o registro de patente. A semelhança com  nome do robô do filme Wall-E será mera
coincidência ou falta de imaginação? Atenção Estúdios Pixar!!
O
inventor Millot disse que a ideia para o Wall-Ye surgiu em 2009 enquanto
visitava o vinhedo de Ardèche, da Maison Louis Latour. O diretor estava
frustrado de não ter mão de obra para lidar com as vinhas. 
O robô
possui 50,8 cm de altura e 61 cm de largura e poda 600 vinhas por dia, além de
remover insetos e brotos desnecessários. Trabalha em temperaturas entre -40 e
85oC e funciona com um GPS para não ultrapassar os limites do
vinhedo.
Se a moda
pega, as famílias que trabalham nos campos enfrentarão dificuldades.
O que
vocês acham da substituição de mão-de-obra humana por robôs? Comentem aqui no
‘Idas e vinhas…’
Encontramos
um vídeo da engenhoca no Youtube (confiram!), e ela nos pareceu um tanto
desajeitada…..
Fonte
consultada para esse post:
Site
da Revista Adega. 13 de abril de 2012.

Degustação: Espanha em 3 atos

Tempranillo
Uva da casta Tempranillo

Na
última terça feira (10 de abril) ocorreu nosso encontro quinzenal de desgustação
na ABS/Rio. Como de praxe, nosso orientador e wine guru Roberto Rodrigues preparou-nos uma valiosa experiência. A
degustação é feita às cegas, e ao final o aprendizado acontece de foma lúdica,
as impressões sensoriais experimentadas refletidas em conhecimento e cultura.


O
objetivo foi apresentar ao grupo 3 tintos secos espanhóis de diferentes
regiões, complexidade variada e em estágios de evolução distintos. A
característica comum é a predominância da uva símbolo da Espanha, a
Tempranillo. Essa casta confere aos vinhos aromas de folhas de tabaco,
especiarias, couro, e algumas vezes frutas como framboesa. Sua cor carregada
confere estrutura para que os vinhos possam envelhecer bem. O carvalho das
barricas influencia bastante o aroma da tempranillo, podendo sobressair tanto
quanto os demais.
Vamos à degustação! Ao chegar, somos recebidos com espumante. O exemplar
dessa noite foi o rosé brut Maestrale
produzido na serra catarinense pela Vinícola Sanjo, comprovando a vocação
do sul do país.
O
primeiro vinho degustado foi o Pardina 2005, produzido pela Bodegas Victoria,
localizada na denominação de origem (DO) Cariñena, na região de Zaragoza
(nordeste da Espanha). É o vinho mais simples da vinícola, passando apenas 6
meses em barricas de carvalho francês, sendo chamado vino joven.
O
segundo vinho da degustação foi o Ontañon Crianza 2004, também o
rótulo mais simples que a Bodegas Ontañon
produz na célebre denominação de Rioja (ao norte da Espanha). O vinho de crianza deve passar em barricas de carvalho por um mínimo de 12 meses.
O
terceiro vinho foi o El Picón 2004, o vinho top da bodega Pago de Los Capellanes, localizada na esplêndida região DO de Ribera del Duero (ao norte, no vale do Rio Douro).
Esse vinho 100% Tempranillo (de clones da finca El Picón) permanece 26 meses em barricas de carvalho francês. São
produzidas apenas 3000 garrafas a cada safra.
Notas de degustação:
Vinho
1
: Pardina 2005 DO
Cariñena, Bodegas Victoria, Espanha.
Pardina
Pardina
70% Tempranillo, 20%
Syrah, 10% Cabernet Sauvignon
Aspecto: cor vermelho granada escuro,
indicando um vinho já maduro. Opaco, cor brilhante e muito boa.
Aromas: uma mistura interessante de aromas
primários (violeta, morango, groselha, ameixa e o tabaco típico da tempranillo),
secundários (figo em compota), e terciários (baunilha) sugeriu um tempo curto
de passagem em madeira.
Gosto: na boca, confirmamos os aromas,
com pouca madeira e ainda certa intensidade de frutas frescas. Consideramos finos,
intensos e persistentes. O teor de álcool (13,5%), embora não muito alto, foi
percebido com certa intensidade, e conferiu um bom corpo.
Seco,
com boa acidez e taninos equilibrados, termina bem, com aromas de boca também finos,
intensos e persistentes, deixando a boca enxuta.
Um
vinho maduro (notadamente pela cor) que não foi produzido para guarda. Ótimo
exemplar para um vinho do dia a dia.
Nota média do grupo: 81,8 (bom, um vinho sólido e bem
feito).
Preço: R$ 58,80

Vinho
2
. Ontañon Crianza
2004, DO Rioja, Bodegas Ontañon.

Ontanõn Crianza
Ontañon Crianza
90% Tempranillo/10% Grenache
Aspecto: bem semelhante ao Pardina, de cor
vermelho granada escuro, indicando um vinho já maduro. Mais opaco, cor
brilhante e muito boa.
Aromas: embora tenha apresentado ainda
aromas primários (violeta, ameixa e frutas vermelhas, pimenta) e secundários
(figo e ameixa secos) predominaram os aromas terciários de café, baunilha e
caramelo, indicando mais tempo em madeira e maior evolução que o anterior.
Gosto: na boca, confirmamos os aromas, com
destaque para a pimenta. Consideramos mais finos, intensos e persistentes que o
anterior. Com 13% de teor alcoólico e taninos um pouco mais acentuados mas
ainda assim equilibrados, é um vinho encorpado e com estrutura superior ao
anterior. Seco, bastante equilibrado, com boa acidez, termina bem, com aromas
de boca muito finos, intensos e persistentes, deixando a boca enxuta.
Um
vinho maduro (notadamente pela cor) que embora tenha certa estrutura, não
evoluirá com mais tempo de guarda. Ótimo exemplar para um vinho do dia a dia.
Nota
média do grupo
: 87 (muito
bom, um vinho com qualidades especiais).
Preço: R$ 68,00
Vinho 3. El Picón 2004 DO Ribera del Duero, Bodegas
Pago de Los Capellanes, Espanha.
Pago de Los Capellanes
Pago de Los Capellanes
100%
Tempranillo
Aspecto: cor vermelho rubi muito escuro, sem
reflexos, indicando um vinho mais jovem ou, como se comprovou depois, um vinho
com muita estrutura e potencial de guarda. Muito opaco, cor brilhante e muito
boa. O ano do vinho, 2004, confirmou a impressão de que se trata um grande
vinho.
Aromas: embora a cor sugerisse um vinho
jovem, os aromas primários de violeta, ameixa e pimenta não se destacaram tanto
quanto os aromas secundários de geléia, ameixa seca e uva passa e os excepcionais
aromas terciários de café, amêndoa torrada, caramelo, baunilha e cinzas. Nesse
momento, estávamos certos de estar degustando um vinho superior.
Gosto: na boca, confirmamos os aromas, que
consideramos muito finos, muito intensos e muito persistentes. O alto teor alcóolico
de 14,5% se opôs muito bem aos taninos bastante presentes, conferindo alto
equilíbrio ao vinho. Seco, muitíssimo equilibrado, com boa acidez, termina bem,
com aromas de boca muito finos, muito intensos e muito persistentes, deixando a
boca enxuta.
Um
vinho pronto para beber, mas que pela estrutura e equilíbrio, pode evoluir por
mais 30 anos. Vinho para grandes ocasiões! De acordo com nosso orientador, um
dos grandes vinhos espanhóis e ainda jovem apesar de já ter 7 anos.
Nota
média do grupo
: 93 (Excepcional,
um vinho de caráter e estilo superiores.)
Preço: R$ 1.050,00
Espanha em 3 atos
Espanha em três atos